Magnata Narrando
Ela olhou pra cadeira… Depois pra mim. E ignorou completamente. Simplesmente tirou meu braço da mesa e sentou direto no meu colo.
Passei a mão na cintura dela automaticamente, num gesto que já era quase instinto.
Caverna soltou uma gargalhada alta.
— Vocês formam um lindo casal. — ele disse, se jogando na cadeira.
Olhei pra ele na hora.
— Ih… pørra de casal o quê, mano. — cortei rápido.
Jéssica se inclinou no meu ouvido, voz baixa e arrastada, quente demais:
— Acho que meu irmão tá doidinho pra ser cunhado do chefe do comando…
Soltei um riso curto, mas não tirei a mão da cintura dela.
— O chefe do comando não tá afim de se envolver com ninguém… e muito menos de ter cunhado. — falei, a voz firme.
Ela puxou levemente meu queixo com a ponta dos dedos, me forçando a olhar nos olhos dela.
— Tá esnobando, é?
Olhou fundo.
— Vai me dizer que já tem alguém no porte de fiel?
Travei o olhar nela por um segundo.
Uma imagem passou rápido na minha cabeça. Cabelo cacheado. Rosto delicado. Olhos que me enfrentaram no telefone.
Luísa.
Desviei.
— Bora mudar de assunto. — falei, a voz mais baixa.
Ela sorriu de canto. Um sorriso de quem já percebeu algo.
— Sabia. — murmurou.
— Ih… ela mexeu contigo, hein. — Caverna voltou a falar.
Ignorei. Peguei o copo, bebi mais um gole.
Jéssica não. Ela gostava de provocar. E continuou.
Se mexendo no meu colo, jogando o corpo de leve, rindo com as meninas que olhavam de longe. Ela sabia o efeito que causava. Sabia que tava no colo do dono do morro e que isso mexia com a galera.
— Tá confortável aí, chefe? — ela provocou, se remexendo.
— Tu que tá folgada demais — respondi, mas não tirei a mão.
Caverna levantou a sobrancelha, aquele brilho no olho de quem ia fazer merdä.
— Quer que eu tire ela daí? — perguntou, já se levantando.
— Tenta — falei, desafiando.
Ele deu a volta na mesa e, do nada, pegou a própria irmã pela cintura.
— Bora, sai daí.
— Tá maluco?! — Ela gritou, rindo alto.
Mas ele nem quis saber. Levantou ela no ar com força, fazendo ela se segurar no ombro dele.
E literalmente jogou ela de novo no meu colo.
— Pronto. Fica com ele logo. — ele disse, todo satisfeito.
Ela caiu rindo, se ajeitando em cima de mim, os cabelos loiros espalhados.
— Tu é i****a! — ela gritou, ainda rindo.
— Sou mesmo — ele respondeu, voltando pra cadeira todo orgulhoso da própria palhaçada.
Balancei a cabeça, rindo baixo.
— Vocês dois não prestam. — falei, mas tava rindo.
Jéssica se acomodou melhor, passando o braço pelo meu pescoço de novo, os dedos brincando com meu cabelo na nuca.
— Mas tu gosta… — ela sussurrou, só pra mim.
Olhei pra ela de canto.
— Gosto da paz. Coisa que contigo não existe. — respondi.
Ela riu, aquele riso fácil.
— Paz é chato.
Dei um gole no whisky, sentindo o calor da bebida e o calor do corpo dela.
E ela ficou no meu colo, o som do pagode alto, o morro pulsando ao redor, as luzes coloridas piscando.
Mas minha cabeça?
Tava em outro lugar.
Porque no fundo… eu via tudo. Via o Valente brigando com a Paulinha por causa de filho, mas indo atrás dela mesmo assim. Via o Caverna todo feliz com a irmã dele, fazendo palhaçada pra chamar atenção.
E eu?
Eu sempre fui o cara que não se envolvia. Que não me prendia. Quem não deixa ninguém entrar de verdade.
Mas quando a Jéssica falou daquele jeito…
Por um segundo… Só por um segundo…
Eu senti que talvez essa pørra podia mudar. Que eu poderia deixar alguém entrar, não tô dizendo que seria ela. Me referindo a Luísa.
Será que é isso? Balancei a cabeça negandø.
Mas isso é o tipo de coisa que eu não podia deixar acontecer.
Porque nessa vida…
Sentimento demais é fraqueza.
E fraqueza?
Aqui no morro… custa caro.
Muito caro.
Olhei pro lado, pro Valente abraçado com a Paulinha no meio do pagode.
Ela ria, ele também. Depois da briga, depois da treta, eles tavam ali. Juntos.
Balancei a cabeça.
— Cada um com sua loucura. — murmurei.
Jéssica se virou no meu colo.
— Falou alguma coisa?
Olhei pra ela.
— Nada não.
Ela inclinou a cabeça.
— Mentira.
— Tô sempre mentindo.
Ela sorriu.
— Sei.
Ela começou a beber e rir alto no meu colo, enquanto a noite passava. O pagode continuava alto, os cria rindo, as minas dançando. Tudo normal. Mas aqui o clima tava mudando.
A mão dela começou a deslizar devagar pela minha perna. De leve, quase como quem não quer nada. Os dedos foram subindo, traçando um caminho lento pela coxa. Subiu um pouco. Depois mais um pouco.
Parou em cima do meu p*u.
Olhei pra ela na hora. Direto. Sem rodeio.
— Qual é, Jéssica? — falei, a voz baixa mas firme. — Vai se aproveitar do cara enquanto ele tá bebendo com os amigos?
Ela soltou uma gargalhada gostosa, daquelas que fazem os outros olharem. A cabeça jogou pra trás, o cabelo loiro balançou.
— Antigamente quem se aproveitando de mim era você — ela provocou, os olhos na malícia. — Antigamente nessa altura do campeonato você já estaria era procurando saber se eu tava ou não de calcinha por baixo desse vestido.
Balancei a cabeça, rindo baixo. Ela não tava errada. Antigamente eu não perdia tempo. Via a Jéssica, já ia pra cima. Mas antigamente era antigamente.
— Vai dançar pagode com as meninas, vai — falei, dando um tapinha na bundä dela. — Vai. Teu irmão tá ali doido pra trocar ideia contigo. Depois a gente conversa.
Ela se inclinou, a boca roçando minha orelha. Senti o calor da respiração dela na pele.
— Na verdade… — a voz dela saiu mais baixa agora, mais quente, mais arrastada — eu quero te tirar daqui. Quero matar a saudade de sentar num paü de verdade. Sentar em um paü carioca. Rebolar até cansar.
O sangue ferveu na hora. Subiu rápido, igual tiro. Não teve tempo de pensar, de racionalizar, de segurar a onda. A mão foi automática.
Enfiei os dedos no cabelo dela. Enrolei os fios loiros com força e puxei pra trás. O pescoço dela ficou exposto, a respiração prendeu, os olhos se arregalaram por um segundo.
Olhei fundo nos olhos dela. Bem fundo.
— Se tu soubesse o jeito que eu tô — falei devagar, cada palavra pesando, cada sílaba carregada — tu não pedia isso. Porque eu vou socar com força.
Ela mordeu o canto da boca. Aquele sorriso dela de sempre, mas agora com um brilho diferente.
O corpo dela tremeu leve no meu colo. Mas não foi medo. Foi outra coisa. Era expectativa. Era provocação. Era ela testando até onde podia ir.
— E quem disse que eu quero moleza? — ela respondeu, a voz saindo meio trêmula, mas firme. — Acha que eu voltei dessa viagem pra quê?
Puxei o cabelo dela mais um pouco. Só mais um pouco. Ela gemeu baixo.
— Tu sabe o que acontece quando me provoca assim, Jéssica.
Ela passou a língua nos lábios.
— Eu sei. Por isso que eu tô provocando.
Soltei o cabelo dela devagar. Passei a mão na nuca, massagiei de leve. Senti o corpo dela relaxar contra o meu.
Fiquei olhando pra ela. Loira. Olho claro. Boca carnuda. Corpo desenhado. Bonita pra caralhø.
— Jéssica… — comecei.
Ela colocou o dedo na minha boca.
— Não fala nada. — sussurrou. — Só me leva pra algum lugar.
Olhei pros lados. Caverna tava distraído, conversando com uns cria. O pagode continuava. O morro pulsava.
Peguei o copo de whisky e virei o resto de uma vez. O líquido queimou a garganta, mas acendeu ainda mais o fogo.
Bati o copo na mesa.
Levantei ela do meu colo.
— Já que você quer — falei, a voz grossa — vamos resolver essa pørra.
Continua...