Capítulo II - O reencontro

569 Words
Depois daquele dia em que vi Samuel pela primeira vez, eu não conseguia tirá-lo da cabeça. Cada detalhe dele permanecia comigo — o jeito como andava, o sorriso que parecia saber segredos, o olhar que desafiava e provocava ao mesmo tempo. Eu tentava me convencer de que era só uma impressão, que não devia acontecer nada. Mas meu coração teimava em não obedecer. Uma semana depois, tudo mudou. Caminhava distraída para a cantina, chateada com algo pequeno, sem vontade de falar com ninguém, quando o vi vindo de algum lugar. Não reparei de imediato. Mas então ouvi: — Oi… Dádiva. Ele disse baixo, quase inaudível, mas cada sílaba parecia chegar direto no meu peito. Eu olhei, impaciente, e respondi sem muito entusiasmo: — Oi. E segui, achando que era só um cumprimento qualquer. Mas algumas horas depois, minha amiga que cuidou do meu cabelo me chamou, com um sorriso cúmplice e aquela expressão de quem sabe de tudo: — Dádiva… Samuel disse que você respondeu m*l ao cumprimento dele hoje de manhã. Ele ficou triste. Indignação. Sério? Um cumprimento?! Eu disse: — Quando ele chegar, me avisa. Quero me desculpar. E ele chegou. Estava em Alcantal, onde morava, parado, olhando para mim de um jeito que me deixou nervosa. Meu corpo reagiu antes da mente: o coração acelerou, a respiração ficou leve e pesada ao mesmo tempo. — Samuel… sobre hoje de manhã, eu te respondi m*l? — perguntei, quase sem coragem. Ele abaixou a cabeça, mas não havia arrogância, só aquele ar travesso, meio menino: — Sim… você me respondeu m*l. Mas então ele sorriu, com aquela carinha calma, quase de “mimimho”, e disse: — Mas você respondeu com vontade. Não senti raiva, sabia? Fiquei surpresa, e minha indignação começou a derreter. Respirei fundo e disse: — Me desculpa… não vai acontecer de novo. E foi ali que começou o primeiro chamego de Samuel. Não era só conversa; era jogo, era aproximação, era algo que me deixava curiosa e alerta ao mesmo tempo. Ele começou a perguntar sobre mim, casualmente, sem pressa: — Quantos anos você tem mesmo? — Onde você mora? — Faculdade, né? Qual curso? Eu respondia, meio desconfiada, mas sem perceber, fui confiando informações que normalmente guardaria só para amigos próximos. Cada pergunta era sutil, quase um toque invisível, e eu me pegava relaxando perto dele, permitindo que aquela sensação de segurança — estranha, mas intensa — me dominasse. — Dádiva… você mora sozinha? — perguntou de repente, com aquele sorriso que parecia brincar com a minha seriedade. — Não, com a minha mãe d o meu irmão menor. — respondi, quase sem pensar. Algo no jeito dele me fazia sentir vontade de abrir portas que normalmente fechava. Samuel não me pressionava; ele simplesmente observava, ouvia, esperava. E eu… eu confiava nele de um jeito que não entendia. Entre perguntas e respostas, sorrisos e olhares furtivos, percebi que algo estava nascendo entre nós. Algo silencioso, intenso e perigoso. E eu ainda não queria admitir que estava começando a me apaixonar. Mas a verdade é que, naquele momento, o jogo entre nós já tinha começado. Ele, curioso e provocador. Eu, cautelosa, mas totalmente envolvida. E enquanto caminhávamos de volta para a aula, um pensamento me perseguiu: Se Deus realmente tiver planos para mim, espero que saiba exatamente o que está fazendo… porque com Samuel, eu sinto que estou prestes a perder o controle.
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