Capítulo V - A resposta e o pedido de namoro

720 Words
Depois do nosso primeiro beijo, nada tinha mudado oficialmente entre Samuel e eu. Não éramos namorados, mas cada encontro, cada mensagem, cada sorriso, deixava claro que algo estava crescendo. Só que eu ainda não queria nada sério. Ainda não. Samuel era persistente. Sempre a pressionar, sempre a perguntar: Samuel: Dádiva… já podes me dar uma resposta? Dádiva: Resposta? Sobre o quê? Samuel: Se vais namorar comigo… Ele ligava, enviava mensagens, aparecia sempre que podia, e por mais que eu gostasse dele, aquilo me sufocava. Eu precisava respirar, pensar… mas no fundo, eu também tinha dificuldade em firmar minhas decisões. Entre impulso e pressão, eu sabia que, de alguma forma, a decisão estava nas minhas mãos, naquele dia. Naquele dia, tomei banho com calma, deixando a água quente lavar toda a ansiedade que sentia. Escolhi um macacão jeans que me deixava elegante, mas ao mesmo tempo confortável, aquele que realçava minhas curvas sem exagero. Arrumei o cabelo em ondas suaves, que caíam naturalmente sobre os ombros, e passei um perfume leve, fresco, doce, quase floral, que sabia que ele iria notar. Era um daqueles dias em que tudo parecia conspirar para que eu me sentisse poderosa e bonita, mas ainda nervosa por dentro. Quando cheguei à casa dele, vi Samuel do outro lado do quintal. Ele estava lá, encostado no muro, com o olhar fixo em mim, respirando fundo, ansioso. Aquele sorriso travesso nos lábios, mas os olhos denunciavam a impaciência. Meu coração disparou só de vê-lo. — Samuel… — comecei, com a voz trêmula, mas tentando parecer firme — hoje eu vim te dar a tua resposta, mas tem que ser rápido, porque daqui a pouco vou para a casa do meu avô. Ele deu um passo à frente, esticou o braço para me abraçar e o meu coração quase saltou. A tensão entre nós era palpável, como se cada movimento pudesse desencadear um terremoto de emoções. — Então…? — perguntou ele, respirando fundo, com aquele jeito que só ele tinha de me deixar sem palavras. Eu respirei fundo, como sempre fazia antes de momentos importantes, e olhei nos olhos dele. No fundo, eu queria que ele pedisse formalmente, daquele jeito romântico que sempre sonhei. — Samuel… tu sabes que eu sou tradicional — disse, mordendo levemente o lábio — quero que faças como eu quero. Quero que me peça formalmente. Ele piscou para mim, confuso, mas divertido: — Formalmente? Tipo… como? Sorri, corada, mas firme: — Repete depois de mim: “Dádiva, queres… aceitas ser a minha namorada?” Ele parou por um instante, olhando-me de cima a baixo, como se estivesse absorvendo cada detalhe: meu cabelo, meu perfume, meu olhar, e depois repetiu exatamente como eu disse, com aquela voz rouca e intensa que fazia meu coração disparar: — Dádiva, queres… aceitas ser a minha namorada? — Sim! — disse, quase sem acreditar que finalmente tinha dito. A alegria que sentimos foi imensa. Samuel me puxou para um abraço apertado, e o calor do corpo dele contra o meu fez-me arrepiar. Trocamos um selinho rápido, mas cheio de intensidade, e durante alguns segundos parecia que o tempo tinha parado. — Sabes… — murmurou ele, encostando a testa na minha — tu és incrível… como fizeste eu esperar tanto por isto? — Porque eu queria do meu jeito — respondi, sorrindo, mas sentindo minhas mãos tremerem levemente. Ele segurou meu rosto com delicadeza, aproximando-se devagar: — Então deixa-me fazer tudo do meu jeito agora… — disse, baixinho, e me deu outro selinho, desta vez mais longo, mais intenso, mais quente, mas ainda doce. Meu corpo respondeu antes da mente. Cada toque, cada olhar, cada sorriso travesso dele fazia meu coração acelerar e a minha respiração falhar. Era como se estivéssemos sós, mesmo com o quintal cheio de gente. O mundo havia desaparecido, e só existíamos nós dois. Depois de uns instantes, me afastei devagar, lembrando do compromisso que tinha: — Tenho que ir para a casa do meu avô… mas… obrigada. Ele sorriu, segurando minha mão por um instante: — Vou te esperar amanhã… para continuarmos de onde paramos. E naquele instante, olhei para o calendário mentalmente e guardei a data: 08 de junho de 2020. O dia em que tudo se tornou oficial. Samuel e eu tínhamos dado o primeiro passo de algo intenso, doce e completamente inesquecível.
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