Capítulo XIX - Quatro anos de amor e indiferença

556 Words
Quatro anos de namoro, e eu percebia, com uma clareza que doía, que eu era quem carregava tudo nas costas. Nunca foi Samuel quem planejou saídas, quem trouxe surpresas, quem fez algo para tornar um momento especial inesquecível. Sempre fui eu: eu escolhia os presentes, eu preparava os bolos, eu organizava os passeios, eu carregava o romance. Enquanto isso, ele parecia acreditar que o amor bastava ser dito com palavras ocas, sem gestos, sem cuidado, sem presença real. Dádiva (pensando): “Quatro anos… quatro anos de esforço, de dedicação… e ele nunca percebeu. Nunca se importou de verdade com os detalhes que tornam um amor vivo, intenso, sentido.” As alianças eram um símbolo importante para mim. No começo, eu entendia a demora — éramos jovens, nossas famílias eram restritivas, tudo precisava de cuidado e paciência. Mas depois de quatro anos, não havia mais desculpa. Já era hora de Samuel me mostrar que me valorizava, que me amava de uma forma concreta, visível, que eu pudesse sentir. Dádiva: Samuel… — tentei manter a voz firme, mas o coração acelerava — e a aliança? Samuel: Ah, Dádiva… isso é coisa pequena. Depois a gente vê. Dádiva (pensando, mordendo o lábio, controlando a raiva e a decepção): Pequena? Para mim não é pequena. É amor. É cuidado. É respeito. É tudo que sempre quis sentir de você. Eu tentava chamar atenção dele de todas as formas possíveis: indiretas discretas, postagens nas redes sociais, fotos com buquês de rosas, ursinhos, mensagens implícitas que diziam “olhe para mim, veja o que quero, veja como me importo com nós dois”. Mas ele permanecia invisível, distante, indiferente. Dádiva (pensando): “Como pode alguém que diz me amar ser tão cego? Tão insensível? Cada data especial que chegava, cada aniversário, cada gesto que eu esperava… e ele não via. Não sentia. Não se importava.” Ele aceitava toda a minha ajuda com seus problemas — econômicos, psicológicos, familiares, até físicos. Mas quando era minha vez, quando eu precisava de atenção ou cuidado, especialmente nos momentos delicados, como durante a menstruação, ele fazia pouco caso, sempre com brincadeiras ou comentários superficiais, sem trazer conforto, sem me tocar de forma que eu sentisse acolhimento. Dádiva: Samuel… estou com cólica, me sinto m*l… Samuel: Ah, para de dramatizar. E eu esperava algo tão simples, tão mínimo… talvez um abraço apertado, um bolinho, um gesto delicado de cuidado. Mas nada vinha. Cada indiferença dele era uma facada no meu coração, cada gesto ignorado aumentava a sensação de solidão dentro do relacionamento. Dádiva (pensando): “Eu sempre fui intensa, sempre dei tudo de mim, sempre fiz tudo para que nosso amor crescesse… mas ele… ele simplesmente não sabe amar. Não do jeito que eu preciso, não do jeito que eu mereço.” E foi assim, no silêncio de dias e semanas ignoradas, nas pequenas decepções que se tornavam enormes, que comecei a perceber: eu estava sozinha, mesmo estando em um relacionamento de quatro anos. Eu carregava o peso do amor, da intensidade, da dedicação… e ele parecia não se importar, nem notar, nem amar do mesmo jeito. Dádiva (pensando, com lágrimas contidas): “Amar não é suficiente. Não quando o cuidado, o respeito e a atenção estão ausentes. Eu posso amar, posso sentir, posso desejar… mas ele precisa corresponder. E, até agora, não correspondeu.”
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