Capítulo XX - Entre a fé, o amor e a dúvida

492 Words
O fim de 2024 não só me trouxe clareza, como também me colocou em um lugar perigoso: eu comecei a desviar de alguns dos meus princípios bíblicos, pequenas coisas que eu nunca tinha feito antes, apenas para agradar Samuel. Eram detalhes que pareciam insignificantes no momento, mas que me deixavam com o coração pesado. Eu orava a Deus todas as noites, implorando por um sinal: se ele realmente era o homem certo para mim, se esse amor era abençoado, se o caminho que eu estava trilhando valia a pena. Dádiva (orando, sussurrando para Deus): Senhor… dá-me um sinal claro, porque às vezes sinto que estou me perdendo. Mostra-me se é amor verdadeiro ou se é ilusão. Eu me via usando coisas que sabia que ele gostava, tentando agradá-lo, sonhando com um futuro que talvez nunca existisse. Já tinha até nomes para nossos filhos na minha mente, imaginava a casa, as datas especiais, a vida inteira planejada… como se pudesse controlar o destino dele, como se pudesse moldar o Samuel que eu queria. E era aí que ele me confundia ainda mais. Samuel tinha duas personalidades tão opostas que às vezes me deixava sem chão. A personalidade de leão: feroz, distante, provocadora, impaciente, que colocava barreiras sempre que eu tentava fazer tudo dar certo. E a personalidade de carneirinho: doce, carinhosa, intensa, apaixonada, que me abraçava e fazia meu coração derreter. Parecia que ele estava sempre lutando com ele mesmo, uma batalha constante entre o bem e o m*l. Dádiva (pensando, com os olhos marejados): “Como alguém pode ser tão contraditório? Como pode me amar e ao mesmo tempo me afastar, me ferir, me testar?” Várias vezes eu encontrei mensagens dele com outras meninas. Conversamos, discutimos, ele prometeu mudar, e por momentos parecia realmente querer se envolver mais, ser o homem que eu acreditava que ele poderia ser. Mas logo voltava àquele comportamento confuso, sempre lembrando do passado, das saudades do eu dele de antes, das pequenas indiretas que me deixavam insegura. O tempo passou, e eu continuei pedindo respostas a Deus, lutando com minha fé, com minha paciência e com o amor que ainda sentia. Mas cada resposta parecia vir em forma de desafios: testes constantes à minha fé, à minha integridade, à minha paciência. Dádiva (pensando, com o coração apertado): “Senhor… até quando? Até quando devo esperar, até quando devo acreditar que ele pode mudar? Até quando devo continuar colocando meu amor à prova de alguém que ainda não sabe quem é?” E então, o ano de 2025 chegou. O ano da decisão final. Um ano que prometia ser o marco da verdade, que revelaria se todo meu amor, toda minha dedicação, toda minha esperança, valeriam a pena ou se eu finalmente precisaria fechar esse capítulo da minha vida. Dádiva (pensando, respirando fundo): “Chegou a hora de saber se meu coração vai continuar se doando ou se finalmente vou me proteger e seguir meu caminho.”
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