O dia 08.06.2023 chegou, e eu estava radiante. Três anos desde aquele 08.06.2020 em que Samuel finalmente pediu-me em namoro. E eu… eu queria que esse dia fosse perfeito.
Acordei cedo, preparando tudo. Um bolo que eu mesma fiz, embrulhei um presente com cuidado, escrevi um bilhete que dizia:
"Samuel, três anos juntos. Que venham muitos mais, sempre com amor e respeito."
Meu cabelo estava arrumado com carinho, um penteado simples, mas elegante, o perfume que ele adorava… cada detalhe pensado. Meu coração estava cheio de expectativa.
Quando cheguei à casa dele, esperava encontrar Samuel com algo preparado, alguma surpresa, mesmo que pequena. Mas ele… não havia pensado em nada. Nenhum gesto, nenhum presente, nenhum bilhete. Nada.
Dádiva: Samuel… — eu disse, tentando não demonstrar decepção — tu… não preparaste nada?
Ele olhou para mim, surpreso, mas com aquele sorriso meio displicente que já começava a me irritar.
Samuel: Eu… pensei que… já sabes… não é preciso nada.
Dádiva: Não… — suspirei, tentando controlar a frustração — não é sobre o presente, é sobre… mostrar que te importas.
Aquele momento começou a abrir meus olhos. Por anos eu tinha investido tudo: tempo, carinho, surpresas, pequenos mimos… e ele? Ele parecia não se importar em igualar o esforço.
Samuel: Dádiva… desculpa… eu não pensei…
Dádiva: Pensar não é suficiente, Samuel… — disse, olhando para ele firme — O nosso relacionamento não é só beijos e quase momentos quentes. É atenção, cuidado, reciprocidade…
Ele desviou o olhar, meio sem jeito, e eu percebi algo que eu já havia sentido antes, mas nunca havia colocado em palavras: Samuel não sabia realmente ser homem na relação, não sabia assumir responsabilidades, nem corresponder aos gestos que eu sempre fiz.
Apesar disso, ele tentou recuperar o momento. Segurou minhas mãos, deu um beijo rápido, mas eu não estava satisfeita. Eu comecei a prestar atenção aos sinais: a falta de comprometimento, a impulsividade, a incapacidade de corresponder de forma consistente.
Aquele dia, que deveria ser uma celebração do amor, acabou sendo um ponto de virada. Eu percebi que a relação já não era só sobre desejo e beijos quentes. Havia falhas profundas, que por mais que eu quisesse ignorar, começaram a aparecer com clareza.
Dádiva (pensando): Três anos… e eu percebo agora que amor sozinho não basta. É preciso respeito, cuidado, presença… e se ele não sabe oferecer isso, então algo precisa mudar.
A partir daquele dia, eu comecei a observar cada gesto, cada ação e cada ausência de Samuel, e aquilo começou a pesar no meu coração. A chama do desejo ainda existia, mas algo dentro de mim começou a despertar: a consciência de que merecia mais do que quase, mais do que promessas vazias.