Capítulo XVI - Planos adiados, desejos urgentes e conflitos de fé

503 Words
Depois de algum tempo de namoro, comecei a perceber algo que me deixava profundamente inquieta. Samuel falava em planos infinitos, grandes ideias para o futuro, viagens, casas, filhos… mas nunca havia compromisso real, nunca havia contrato, nunca havia ação. Tudo era conversa, promessa, “um dia vamos…”. Dádiva: Samuel… e o casamento? — perguntei certa vez, sentada no sofá da sala dele. Samuel: Ah… não sei… quero casar só com uns 38 anos, Dádiva. Primeiro organizar a vida. Dádiva: Como assim? 38 anos? — o choque tomou conta de mim — mas nós temos 20 e 21 anos! Eu ainda estou na faculdade… e tu nem terminaste o ensino médio! — respirei fundo, tentando não chorar de frustração. Ele deu de ombros, com aquele sorriso meio displicente, como se o tempo não importasse. Mas para mim, o tempo importava demais. Eu tinha limites, sonhos e uma vida que precisava de estabilidade. Além disso, como mulher, sabia que o relógio biológico não esperava por ninguém. Dádiva: E as relações… — comecei, hesitante — tu queres que a gente… mas nem pensas em casar cedo? Isso não faz sentido, Samuel! Samuel: Mas eu quero estar contigo, Dádiva… quero fazer amor contigo… — ele disse, tentando aproximar-se, o toque quase implorando — não vejo problema. Dádiva: Não… não dá! — afastei-me, sentindo meu coração doer — Eu nunca faria algo assim fora do casamento! Não posso trair meus princípios, Samuel. E aí começou outro problema que, no início, eu tentei conciliar: a religião. Eu católica, ele de outra religião. Eu tentava respeitar, tentar entender, até participar de pequenas coisas, mas ele nunca se esforçava. Pelo contrário: dizia que não poderia ir para a minha igreja, que sua religião o traumatizou, que minha fé não servia para a casa que ele imaginava construir. Dádiva: Mas Samuel… eu estou aberta a respeitar a tua fé, a aprender contigo… Samuel: Não dá, Dádiva… minha religião não aceita misturas. E eu não vou abrir mão do que eu acredito. — ele respirou fundo, sério — e tu tens que entender isso. Dádiva: Mas eu sigo meus princípios! Eu cresci na fé, na igreja, na disciplina, no amor de Deus… — minha voz tremia, mas minha determinação estava firme — não posso simplesmente abandonar minha fé para agradar a ti. A cada discussão, eu sentia meu coração pesado, mas também começava a perceber o descompasso. Eu queria um amor que respeitasse minha fé, meus princípios e meus planos de vida. Ele queria um desejo imediato, sexo, i********e, mas sem compromisso real. Dádiva (pensando): “Como pode alguém querer tudo de mim — meu corpo, meu tempo, minha dedicação — mas não o que é essencial? Casamento, respeito, fé compartilhada?” Esses momentos começaram a me abrir os olhos. Cada conversa, cada promessa vazia, cada recusa em conciliar religiosamente ou comprometer-se com o futuro, era uma bandeira vermelha gigante. E, por mais que meu coração ainda quisesse o Samuel apaixonado dos primeiros anos, minha mente sabia que algo precisava mudar.
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