Foi a partir daquele momento que tudo começou a piorar. Antes, pequenas discussões eram resolvidas rápido, com desculpas e abraços. Mas depois… cada mínimo desentendimento parecia uma bomba prestes a explodir.
Dádiva: Samuel… — disse certa vez, tentando acalmar uma briga boba — podemos conversar e resolver isso?
Samuel: Não agora… — ele respondeu, já com a voz fria — preciso de tempo.
E esse “tempo” começou a se arrastar. Dias se transformavam em semanas. Mensagens não eram respondidas. Chamadas não atendidas. Aquele silêncio pesado começou a ocupar o espaço que antes era de carinho e desejo.
No início, Samuel ainda tentava ceder. Mandava mensagens depois de algum tempo, pedia desculpas, tentava explicar… mas cada episódio deixava uma marca em mim. Eu percebia que a paciência dele estava diminuindo, que a vontade de ceder estava ficando cada vez menor.
Samuel: Dádiva… desculpa por não ter falado antes, eu estava ocupado.
Dádiva: Tudo bem… — minha voz era calma, mas meus pensamentos giravam — isso já aconteceu várias vezes…
E foi assim que o ciclo começou a se repetir, a crescer e a piorar. Pequenas discussões viravam silêncios prolongados, silêncios que machucavam mais do que qualquer palavra dura. Cada tentativa de aproximação era uma espera angustiante, porque eu nunca sabia se ele responderia ou se eu ficaria dias sem ouvir nada.
Dádiva (pensando): “Como chegamos a isso? Eu que sempre fiz de tudo para manter o amor vivo… e agora, cada discussão vira semanas de afastamento. Como isso pode ser amor?”
Ao longo de 2023, percebi que a relação estava cada vez mais desequilibrada. Meu esforço, minha atenção, meu cuidado continuavam enormes, mas Samuel parecia menos interessado em crescer junto comigo, menos disposto a se comprometer de verdade.
E então, chegamos a 2024. O desgaste já estava acumulado: discussões constantes, silencios prolongados, promessas que nunca se concretizavam. Cada momento de carinho era minado pela insegurança e pela sensação de que algo não estava certo.
Dádiva: Samuel… — disse, cansada depois de mais uma semana sem contato — precisamos conversar de verdade. Isso não pode continuar assim.
Samuel: Eu sei… mas eu não sei como mudar. — ele respondeu, olhando para o chão, impotente.
A relação que antes tinha beijos quentes, gestos românticos, cuidado e intensidade, agora era marcada por distância, frustração e expectativas frustradas. E eu comecei a perceber, claramente, que não era só o desejo que mantinha um relacionamento vivo. Era preciso mais. Muito mais.
E ali, naquele ponto, eu soube que o caminho seria longo e doloroso, e que se eu continuasse investindo tanto e recebendo tão pouco, eu acabaria me perdendo de mim mesma...