Capítulo X - Entre olhares e provocações – o fogo contido

499 Words
Naquele fim de tarde, eu e Samuel estávamos no quintal da casa dele. O sol caía devagar, tingindo tudo de dourado, mas era impossível não sentir o calor que existia entre nós dois. Cada olhar dele parecia atravessar a minha alma, cada sorriso carregava uma promessa silenciosa de algo mais. Samuel: Dádiva… — ele se aproximou, baixando a voz — ainda estás a pensar nos limites? Dádiva: Estou… — eu respirei fundo, sentindo o corpo reagir — mas também não consigo ignorar o que sinto por ti. Ele riu baixo, um riso provocante, e estendeu a mão para segurar a minha. O toque dele queimava onde tocava, e eu senti cada nervo do meu corpo despertar. Samuel: Só nós dois aqui… ninguém a olhar… só nós. Dádiva: Eu sei… mas não é só sobre ninguém olhar. É sobre nós… e eu não quero fazer nada de que depois me arrependa. Samuel: Dádiva… tu és impossível. Mas ao mesmo tempo… tão atraente… — ele se aproximou mais, quase colando o corpo no meu, e eu senti o calor dele. — Não sei se consigo resistir mais. Meu coração disparou. Eu queria ceder, queria sentir ele, mas sabia que precisava de tempo, de paciência. Ainda assim, cada palavra dele me fazia querer mais. Cada centímetro que ele chegava mais perto, meu corpo reagia sem que eu pudesse controlar. Dádiva: Samuel… — murmurei, encostando minha testa na dele, sentindo a respiração dele misturar-se com a minha — estamos a brincar com fogo. Samuel: E tu gostas disso… não negues. — ele sussurrou, e o calor da sua boca estava tão perto que eu quase podia sentir o gosto dele. Nosso quase beijo aconteceu sem que tocássemos de verdade. Foi só um roçar de lábios, um sopro quente, um instante em que o mundo parecia desaparecer. Mas eu mantive o controle. A Dádiva não cedeu, não agora. Samuel: Dádiva… — ele segurou meu rosto entre as mãos — eu queria sentir cada parte de ti agora. Dádiva: Samuel… amanhã será… talvez… — minha voz falhou, e um arrepio percorreu meu corpo. Ele riu, quase frustrado, mas havia ternura em cada gesto. Cada toque, cada aproximação, cada provocação nos deixava mais próximos, mais conectados, mais presos a esse desejo que queimava silenciosamente. Samuel: Então eu tenho de esperar… mais um pouco? Dádiva: Sim… mas não acredites que vou resistir para sempre. O sol desapareceu por trás do horizonte, mas o calor que nos cercava parecia impossível de apagar. O quintal estava silencioso, mas dentro de mim tudo gritava: desejo, medo, vontade… e o controle da Dádiva, que ainda resistia ao impulso. Naquele dia, aprendemos que o desejo podia ser intenso, explosivo e irresistível, mas que o respeito e os limites eram as chaves para manter tudo sob controle. Samuel queria tudo de uma vez, eu queria esperar, e essa tensão era quase insuportável. Cada gesto, cada sussurro, cada respiração compartilhada deixava o fogo entre nós maior, mas contido, esperando o momento certo para explodir.
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