Capítulo XI - Desejo em chamas

533 Words
O calor entre nós não se limitava a um dia só. Era constante, uma tensão silenciosa que se espalhava pelos dias, nos pequenos encontros e nas mensagens que ele não parava de me enviar. Cada toque, cada olhar, cada respiração compartilhada parecia gravado no tempo. No início da semana, ele vinha me buscar depois da faculdade, e a sensação de estar no carro com ele era… indescritível. O volante, o perfume dele, a música baixa… tudo parecia conspirar para que algo acontecesse, mas eu resistia. Samuel: Dádiva… tu sabes que eu queria te beijar agora, né? Dádiva: Eu sei… mas não é hora. Samuel: Não é hora? — ele sorriu malicioso — e quando vai ser hora? A tensão aumentava quando passávamos por ruas desertas ou quando nos sentávamos no quintal dele à noite. Cada toque era um desafio. Ele encostava levemente a mão na minha, nos meus braços, e eu sentia o arrepio percorrer minha pele. Em datas especiais, como meu aniversário ou pequenas comemorações da faculdade, ele ainda tentava me surpreender, mas eram momentos que ele não sabia organizar direito. Eu acabava planejando quase tudo: um bolinho, algumas velas, até os pequenos presentes. Ele olhava, sorria, abraçava, mas a iniciativa… quase nunca vinha dele. Samuel: Dádiva… tu és incrível. Quase perfeita. Dádiva: Quase? — eu brinquei, roçando os dedos na mão dele — só quase? Samuel: Quase… porque às vezes me enlouqueces com tanto controle. E era verdade. O controle da Dádiva sobre cada instante, sobre cada limite, parecia enlouquecê-lo, e ao mesmo tempo o atraía cada vez mais. Ele queria quebrar as barreiras, mas eu ainda resistia, saboreando cada quase momento. Os fins de semana eram os mais difíceis. Ele vinha me buscar, e a cada passeio, cada conversa, cada beijo quase dado… parecia que estávamos sempre à beira de algo maior. Samuel: Dádiva… posso perguntar uma coisa? Dádiva: Pergunta. Samuel: Cada vez que estamos assim… só nós dois… tu sentes o mesmo que eu? Dádiva: Claro que sim… mas sentir não significa ceder. Samuel: Então estás a brincar comigo… Dádiva: Não… estou a ensinar-te a esperar. E eu esperava, mesmo quando o corpo pedia mais, mesmo quando o desejo queimava em mim. Mas era esse jogo de tensão que nos deixava mais próximos, mais conectados, mais… viciados no quase. Em outras datas, como o Natal ou a véspera de Ano Novo, nós trocávamos presentes simples, mas olhares intensos. Ele ria de cada coisinha que eu preparava, e eu ria de cada tentativa dele de me provocar com palavras e gestos. Samuel: Dádiva… olha, é só um beijo rápido… ninguém vai ver. Dádiva: Samuel… tu vês que eu não posso… — e mesmo assim, eu sentia a mão dele na minha, o corpo dele quase colado no meu, e o coração disparado. E assim foram semanas e meses, alternando entre o desejo contido, os quase beijos, as provocações diárias, os pequenos presentes, as mensagens de manhã, as chamadas à noite. Cada momento fazia o fogo crescer, mas ainda contido pelo autocontrole da Dádiva. Samuel queria tudo de uma vez, eu queria esperar pelo momento certo. E esse jogo… oh, esse jogo tornou cada encontro, cada gesto, cada respiração compartilhada, inesquecível.
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