Capítulo VII - Entre amor e sufoco – as primeiras fissuras

522 Words
No começo, tudo parecia perfeito. Samuel e eu ríamos, trocávamos mensagens o dia inteiro, saíamos juntos sempre que possível. Mas, aos poucos, comecei a notar pequenas coisas que me deixavam inquieta. Ele era intenso, possessivo às vezes, mas não sabia como ser um homem de verdade em um relacionamento. Algumas datas importantes eu cuidava de tudo: preparava surpresas, comprava pequenos presentes, planejava saídas. Samuel… quase nunca fazia o mesmo. Ele dizia que queria, mas faltava ação, faltava iniciativa. Dádiva: Samuel… olha, é o nosso mês de namoro, pensei que poderíamos sair para jantar. Samuel: Queria tanto… mas não consigo hoje. Dádiva: Não consegues? Ou não queres? Samuel: Não, não é isso… é que não tenho como… Eu sabia que ele queria me ajudar, queria agradar, mas não podia deixar de sentir que, como homem, ele deveria se esforçar mais. Meu coração batia forte, mas a frustração crescia. Eu tentava compreender, mas já começava a perceber que certas coisas não mudariam com o tempo. Com o passar dos meses, começaram as discussões. Pequenas coisas se transformavam em grandes brigas. Uma mensagem ignorada, um atraso, uma palavra m*l interpretada… e lá estávamos nós, no meio de uma discussão que parecia não ter fim. Samuel: Por que demoraste tanto para responder? Dádiva: Eu estava ocupada, Samuel! Samuel: Sempre ocupada! Eu nem sei se és mesmo minha namorada às vezes… E cada palavra dele me fazia sentir uma mistura de amor e medo. Eu ainda amava Samuel, mas já começava a sentir o peso de algo que eu não podia controlar. Mesmo assim, havia momentos doces que me faziam acreditar que tudo valia a pena. Quando eu adoecia, por exemplo, ele se mostrava sensível. Lembro de um dia, quando estava com febre e sem vontade de comer: Samuel: Dádiva… come algo, pelo menos um bolinho, vai. Não posso ver-te assim. Dádiva: Só os bolinhos da tua mãe… os outros nem cheiro consigo. Samuel: Então é o que temos, come os bolinhos e promete que amanhã vais ficar melhor. E eu comia, não só pelos bolinhos, mas pelo cuidado que ele demonstrava. Aquelas pequenas ações me deixavam dividida: entre o amor e o sufoco. Mas havia também o lado que começava a me desconcertar. Samuel começava a pressionar sobre sexo, sobre atitudes que iam contra meus princípios. Ele dizia que precisava, que se não tivesse poderia procurar em outros lugares. E mesmo namorando, sabia de conversas dele com outras meninas. Cada descoberta, cada suspeita, doía profundamente. Dádiva: Samuel… não é justo. Samuel: Dádiva… eu só estou a ser honesto comigo e contigo. Dádiva: Honestidade não é machucar quem se ama. E assim, a nossa história começou a se partir lentamente. Entre amor, ciúmes, sufoco, pressão e ainda pequenas demonstrações de carinho, eu percebi que aquele relacionamento não era mais apenas doce ou intenso. Era um teste constante, um desafio emocional que começava a me desgastar. E, mesmo assim, por mais que minha mente gritasse, meu coração ainda acreditava que eu poderia mudar o Samuel, que podia transformá-lo no homem que eu sonhara. Mas, sem perceber, cada briga, cada silêncio, cada manipulação emocional dele me aproximava do limite.
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