Aquele dia estava quente, e o calor parecia misturar-se com a tensão entre nós. Samuel me chamou para ir à casa dele, mas eu já sabia que seria complicado… ele morava numa casa pequena, simples, e sempre havia algo que nos lembrava da realidade dura: espaço, silêncio dos vizinhos, a falta de privacidade.
Samuel: Dádiva… podes vir hoje? Só nós dois.
Dádiva: Só nós dois, Samuel? — brinquei, sentindo o coração acelerar — Sabes que aí não dá muito para…
Samuel: Para quê? Para sermos nós? — ele sorriu, aproximando-se, e meus pés ficaram gelados. — Relaxa, vai dar… confia em mim.
Eu respirava fundo, tentando manter o controle, porque sabia que ele queria mais i********e, e eu ainda me segurava, presa aos meus princípios.
Dádiva: Samuel… sabes que não é só isso que me preocupa…
Samuel: Eu sei… — ele pegou minha mão — mas eu gosto tanto de ti… e quero estar perto, sentir que és minha.
E então ele me olhou de um jeito que me deixava sem palavras. O coração disparava, as mãos suavam, e eu só conseguia pensar: “é tão errado, mas parece tão certo.”
Dádiva: Mas, Samuel… se nós fizermos, é só aqui, ninguém pode saber…
Samuel: Não precisa ninguém saber… eu só quero ti, Dádiva. Só nós. — Ele riu baixo, quase provocante. — Tu és minha… e eu quero sentir que és minha.
A conversa continuava, cheia de olhares, risos contidos e provocações que só aumentavam a tensão entre nós. Samuel sempre tinha uma forma de me fazer sentir desejo sem que nada tivesse acontecido ainda.
Samuel: Sabes… cada vez que te vejo assim… com esse perfume, com esse sorriso… — ele se aproximou mais, encostando o rosto no meu — sinto vontade de te beijar agora.
Dádiva: Samuel! — eu disse, meio nervosa, mas um sorriso traíra escapou — Vamos devagar, ok?
Samuel: Devagar? — ele riu baixo — mas Dádiva… devagar não é o meu jeito.
E ríamos juntos, sabendo que a tensão entre nós estava no limite. Ele queria mais, eu queria segurar o que ainda podia. Mas mesmo assim, entre olhares e sorrisos, cada palavra, cada toque, dizia mais que mil gestos.
Dádiva: Está bem… — eu murmurei, encostando a cabeça no peito dele por um instante — Mas sabes que temos limites…
Samuel: Eu sei… e respeito. Mas não consigo prometer nada… cada vez que te vejo… — ele respirou fundo, segurando meu rosto — quero mais.
Aquele dia ficou marcado pela proximidade, pelo jogo de tensão, pelo desejo contido que só nós dois entendíamos. A pobreza, a falta de espaço, as limitações… tudo isso só aumentava o sentimento de intensidade, como se cada momento juntos fosse roubado do mundo, só nosso.
Dádiva: Então vamos aproveitar o que temos… sem pressa, sem exageros.
Samuel: Sem exageros… mas com intensidade — ele disse, sorrindo, e eu soube que mesmo com todas as limitações, aquele amor, aquele desejo, seria inesquecível.