Capítulo IX - Desejo contido – entre o quase e o controle

527 Words
Aquele dia estava carregado de calor, não só pelo sol que batia nas janelas, mas pelo que existia entre nós dois. Eu podia sentir a energia dele em cada olhar, em cada toque leve da mão no meu braço, no jeito como se aproximava lentamente, como se testasse meus limites sem precisar de palavras. Samuel: Dádiva… — ele sussurrou, quase inaudível, encostando o rosto perto do meu — cada vez que estou perto de ti… sinto que não consigo me segurar. Meu coração disparou, minhas mãos suavam, e o ar parecia mais pesado do que antes. Ele queria mais, eu queria resistir. Cada centímetro de nós parecia pedir para quebrar regras, mas algo em mim dizia “calma, ainda não é hora”. Dádiva: Samuel… precisamos… — eu tentei respirar fundo, segurando a vontade de me inclinar — lembra-te dos nossos limites. Samuel: Eu sei… — ele sorriu de um jeito provocante — mas Dádiva… cada vez que te vejo assim… sinto como se tudo pudesse explodir. E de fato, quase explodiu. O toque dele foi um pouco mais firme na minha cintura, nossos olhares se cruzaram, e por um instante, parecia que o mundo havia desaparecido. Eu sentia o desejo dele, tão intenso quanto o meu próprio, e sabia que ele sentia o que eu sentia. Samuel: Dádiva… posso? — ele perguntou baixinho, como se pedisse permissão para atravessar uma fronteira invisível. Eu hesitei, sentindo cada batida do meu coração. Ele estava tão perto, o cheiro dele, o calor do corpo, a energia dele… tudo gritava para ceder. Mas a Dádiva que sempre foi cuidadosa, que sempre acreditou em princípios e em fazer as coisas certas, segurou firme. Dádiva: Samuel… não agora… — murmurei, encostando a minha testa na dele, respirando o mesmo ar. — Não podemos… ainda. Samuel: Mas Dádiva… eu sinto… eu quero… — ele mordeu o lábio, tentando resistir também, mas a intensidade nos envolvia. Dádiva: Eu sei… eu também sinto. Muito. Mas há tempo para tudo. Precisamos esperar… — minha voz saiu mais firme do que eu imaginava. A tensão naquele instante era quase insuportável. Cada toque, cada respiração, cada olhar dizia mais que mil palavras. Eu sentia o desejo dele queimando em mim, e ele sentia o meu. Mas o autocontrole da Dádiva venceu. Eu queria que fosse perfeito, que fosse no momento certo, com segurança, sem pressa, sem arrependimentos. Samuel: Tu és impossível… — ele riu baixo, quase debochado, mas havia ternura nos olhos. Dádiva: E tu és perigoso demais para a minha sanidade — respondi, sorrindo, embora meu corpo ainda tremesse com a proximidade dele. Naquele dia, não houve toque além do necessário, não houve nada que quebrasse a barreira que eu mesma erguera. Mas cada segundo, cada respiração compartilhada, deixou marcado em nós o desejo ardente que existia. Um desejo que só aumentaria com o tempo, mas que precisava esperar. Saí de lá com o coração acelerado, uma mistura de frustração e satisfação, e uma certeza: Samuel poderia ter todo o desejo do mundo, mas a Dádiva controlava o ritmo do que estava por vir. E naquele instante, isso me fez sentir mais poderosa do que nunca.
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