Sil narrando Acordei com a voz da minha mãe atravessando a porta do quarto, suave mas determinada: — Sil, tô indo lá pro centro comunitário. Chegou uma doação grande de alimentos, a gente vai começar a montar as cestas. Eu abri um olho só, com a cara enfiada no travesseiro. A garganta ainda meio seca, o corpo meio mole mas o coração batendo daquele jeito inquieto de quem não dormiu direito. — Já vou, mãe. Só vou tomar um banho rapidinho. — respondi, tentando parecer mais animada do que eu estava de verdade. Ela já tava indo. Eu ouvi a porta da frente bater com aquele estalo seco de sempre. E aí fiquei ali deitada por mais uns segundos, olhando o teto. Ontem ainda estava grudado em mim, como cheiro de cigarro na roupa. A voz dele, o olhar, a sensação de quase e nunca ao mesmo tempo. Ma

