CAPÍTULO 5.

1687 Words
— A rotina do pequeno monst... Do pequeno Beau, começa às seis e meia. O café da manhã é servido as sete em ponto, é imprescindível que ele tome café no horário, Jarvis o leva para escola as sete e meia, já que ele entra às oito. Você fica com a manhã e parte da tarde livre para fazer o que quer, pois ele só chega às três e meia. — Adele, uma mulher baixinha e gorducha falava quase sem respirar enquanto me mostrava a casa dos Beaumont, que estava completamente diferente do que eu me lembrava. Ela parou numa porta azul com alguns desenhos entalhados nela, uma plaquinha em formato retangular que dizia " Henry B.B " — As quatro é servido o café da tarde, aqui costumam jantar as sete. Henry deve jantar, tomar banho as sete e meia e oito em ponto fazer suas lições, as nove deve estar na sua cama, pronto para dormir. O restante da noite é seu para fazer o tiver vontade. Tem alguma dúvida? — Não vi Benny desde que cheguei, onde ele está? — Benny por muito tempo foi como um pai para mim, lembro bem de como ele era presente na minha infância, mas então eu fui embora e tudo mudou, não tinha contato com ele desde então. Será se ainda se lembrava de mim? O carinho ainda era o mesmo? Adele era governanta da casa a bastante tempo, na verdade, desde que minha mãe trabalhava aqui, eu me lembro pouquíssimo dela, mas agora a mulher estava completamente diferente: os cabelos estavam totalmente grisalhos e ela aparentava ter envelhecido uns bons anos. Me recordo da mulher tratando minha mãe como uma filha, mas é apenas isso, não tive tantos momentos com ela como minha mãe teve. Pelo olhar que ela lançou, eu percebi que ela não me responderia. A mulher girou nos calcanhares e começou a andar em direção ao corredor que dava acesso as escadas. — A respeito do trabalho, menina, você tem alguma dúvida? — neguei rapidamente e caminhei atrás dela, mantendo uma certa distância. — Ótimo! Aos sábados, Henry tem aula de francês e espanhol na parte da manhã, a tarde aula de natação e piano. O domingo do pequeno é livre, é o único dia que você passará mais tempo com ele, porém, com sorte, não precisará cuidar do menino a noite. Até aqui, tem alguma dúvida? — Essa rotina é bem cheia pra um adolescente, como fica na questão dos trabalhos escolares? — Ele não precisa se preocupar muito com trabalhos escolares, Henry tem sete anos recém completados. — Adele estava com as sobrancelhas arqueadas, mas o olhar de desgosto que ela tinha ao falar a idade do menino, me fez perceber que ela também não concordava nem um pouco com a rotina que o pequeno tinha. A mulher começou a descer as escadas e eu prontamente a segui. — não tente interferir nessa rotina dele, menina, não é de nossa... Ah! Boa tarde, Dona Fiorella, não sabia que a senhora chegava hoje. — Adiei o vôo, Adele. Meus filhos já chegaram? Meu neto? Algum telefonema para mim? — Ainda não, senhora. Apenas Ethan chegou, acredito que esteja dormindo. Nenhum telefone, apenas o de sempre. — Aqueles pedintes novamente? — pude ver Adele assentir. — Sanguessugas! Como se a quantia que Benny designou já não fosse o suficiente, ainda querem mais... Já passou da hora de trocarmos o número de telefone. — São apenas pessoas desesperadas senhoras, não interferem tanto... — Aproveitadores, é isso que são! Parei no alto da escada a tempo de ver a mulher bem vestida e de cabelos loiros estender a mão para que a governanta desse um beijo na mesma. Os "senhores" antigamente, tinham o costume de exigir que seus funcionários o tratassem dessa forma: Sempre que o patrão saísse e chegasse em casa, ser recebido com um beijo na mão, mas quem ainda fazia aquilo? Por deus, estávamos em 2 0 22 e não no século quinze! Só então a mulher desviou seus olhos para o alto da escada e pareceu se assustar ao me ver: ela estava pálida igual papel e com os olhos arregalados. Abriu e fechou a boca diversas vezes e revesava seu olhar entre mim e Adele. — Morgana? — perguntou num tom afirmativo e eu sorri amarelo, era realmente muito parecida com minha mãe. — Esta é Michelle, senhora, a nova babá de Henry, filha de Morgana. Estava em Roma concluindo seu curso, se lembra dela? — Aí meu deus! — ela subiu as escadas rapidamente, Fiorella tinha lágrimas nos olhos, parecia realmente emocionada em me ver. Ela me puxou para um abraço apertado e fungou em meu ombro. — é claro que me lembro, como ia esquecer? Morgana e eu éramos ótimas amigas! Você é tão linda quanto ela era. Meio sem jeito, com um sorrisinho tímido, retribui ao abraço nada reconfortante que a mulher me deu. Ela me apertou contra si e fungou mais uma vez antes de me soltar. — Obrigada, dona Fiorella. — eu não tinha muitas memórias com ela, me lembrava pouquíssimo, na verdade. Contudo, minha mãe sempre falou bem de toda família Beau, não duvidava que Fiorella Beaumont fosse diferente do que minha mãe costumava falar. — E como foi todos esses anos na escola? Teve a oportunidade de expor quadros em alguma galeria? Eu me lembro que o Deville costumava dar essa chance a alunos que tinham talento nato pra arte. Até onde me lembro, você tinha esse talento. — ela parou de falar por alguns segundos, sorrindo. — mas isso no meu tempo como aluna. — Bem... Tive sim, algumas, mas optei por não fazer. — dei um sorriso amarelado, este era um de meus maiores arrependimentos. — não me sentia pronta na época. Optei por terminar o curso em Roma Durante meus últimos anos, o Deville Winter, internato e exemplo no ramo da arte, me deu duas opções por ser aluna destaque: expor meus quadros no Louvre em Paris ou ir para Roma fazer cursos adicionais para complementar minha grade no mundo da arte e o Ensino médio. Obviamente, escolhi a segunda opção — É uma pena... Você sempre desenhou muito bem, tal qual sua mãe. Aquilo era verdade, minha mãe sempre teve aptidão para arte e desenho, mas por falta de oportunidade (e uma gravidez certamente não planejada) ela nunca pôde ir atrás do que realmente queria. Uma parte de mim se culpava, eu devia isso a ela também. Minha mãe se apagou por anos para me cuidar e se eu tinha a oportunidade de retribuir isso, então eu o faria satisfeita. Para chamar a atenção, Adele tossiu baixinho. — Terão outras oportunidades. — disse caminhando até a governanta. — Sim, terão. — aquilo soou como uma promessa, me pergunto se Fiorella sabia dos sonhos de mamãe e por isso, incentivou-a a me mandar para estudar fora. — Se não se importa, senhora, vou terminar de mostrar a casa e passar as tarefas a Michelle. — a governanta praticamente me arrastou para longe dali. Me levando até a cozinha. Um pequeno banquete estava posto sobre a bancada. — Escute, menina, nem tudo nessa mansão é o que parece, se atente a isso. — Perdão, o que? — a encarei, sem entender o que ela quis dizer, franzindo as sobrancelhas. A mais velha tinha uma pequena faca de serra em mãos e apontou-a para bancada onde tinha a comida. — Coma, pedi para Sophia preparar pra você. — Adele pegou uma maçã e começou a corta-la em pedaços. Ela caminhou até um dos armários e parou em frente a uma gaveta trancada, Adele retirou do bolso uma pequena chave e abriu, de la de dentro, pegou um pequeno envelope branco. — Acho que já lhe expliquei tudo, se tiver alguma dúvida em relação ao trabalho, pode me perguntar. Isto é seu. — O que é? — perguntei girando o papel entre os dedos. Meu nome estava gravado no meio do papel com uma letra redonda e muito bonita, reconheci imediatamente a caligrafia. Parecia uma carta. — Sua mãe me pediu pra lhe entregar quando retornasse. Minha garganta ficou seca. Eu não tive contato com minha mãe por muitos anos, agora eu tinha retornado e não tinha mais ela comigo, e bem ali em minhas mãos, eu tinha as últimas palavras dela pra mim. Foi inevitável não sentir vontade de chorar. — Obrigado... — respirei fundo na vã tentativa de me acalmar. Encarei Adele, a mulher tinha um sorriso reconfortante no rosto, ela segurou minha mão por cima do balcão, sorrindo levemente. — Vá para casa, tome um banho e leia com calma. — Assenti e me levantei, já sem conseguir segurar as lágrimas. Estava perto da porta que dava acesso ao quintal quando Adele me chamou. — seja forte, menina. Por você, por sua mãe e tudo o que passaram. Atordoada e sem entender o que ela quis dizer, assenti novamente e fui até a casa que eu moraria pelo tempo em que trabalhasse para os Beaumont, a casa onde morei com minha mãe no tempo em que estávamos juntas. Funguei, sentindo mais lágrimas vindo. Abri o envelope com as mãos trêmulas, a essa altura, já chorava compulsivamente. "Mich, deixo para você esse pequeno presente, na tentativa de que encontre algum conforto no seu retorno. Me perdoe por não estar te esperando. Eu te amo. com amor, morgana." Atrás da carta tinha o endereço de um apartamento e dentro do envelope, algumas chaves. Notei que a letra era completamente diferente da que estava no papel escrito meu nome, essa era uma espécie de garrancho, nem um pouco delicada como a de minha mãe. Mamãe também não tinha o costume de me chamar de Mich, mas ignorei tudo aquilo. Não tomei um banho e nem arrumei minhas coisas na pequena casa. Apenas abracei o papel e chorei. Aquelas tinham sido as últimas palavras de mamãe para mim, e eu sequer tinha outra reação além de chorar. Não sabiam que horas eram, apenas me joguei na cama e chorei tanto que acabei adormecendo.
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