Ester narrando
Eu vou até o meu closet e começo a mexer em todas as minhas roupas, acho uma roupa legal, faço uma maquiagem, coloco um salto alto e resolvo ir até o shopping para fazer umas compras, antes que Bruno cancelasse o meu cartão.
— Que bagunça – Marcia fala.
— A Rute arruma.
— Toda vez que você vem pegar algo, você deixa essa bagunça.
— A Rute é paga para arrumar – eu falo
— Para de ser arrogante Ester.
— Não sou arrogante Marcia, ela é paga para isso. – Eu suspiro – eu preciso ir às compras.
— Com que dinheiro?
— O cartão que eu tenho.
— De Bruno, você tirou ele daqui, falou horrores para ele, disse até que ia fugir dele.
— Sim, mas até ele lembrar do cartão, vai demorar. Eu preciso de roupas novas para conquistar clientes e ir embora, fugir dele e dessa cidade.
— Ester – ela fala – usa o cartão e tira o dinheiro.
— Dinheiro eu consigo e outra o cartão é crédito, até depois – falo pegando a minha chave.
Eu estaciono o carro na rua na frente do shopping, aqui m*l tinha estacionamento cobertos mas as ruas eram enormes e com muita vaga, eu entro dentro do shopping e vou na primeira loja, onde eu sempre ia, escolho várias roupas, me serve taças de champanhe.
— 30 mil dólares dona Ester – ela fala
— Aqui – eu falo entregando o cartão
— Seu cabelo está ainda mais lindo – a gerente fala
— Obrigada, mas ainda vou fazer ele, estava sem tempo.
— Vai ficar ainda mais linda.
— Negado – a mulher do caixa fala.
— Impossível está negado.
— Está dando negado.
— Tenta novamente – a gerente fala
— Deve ser algum erro da máquina – eu falo
— Deve ser sim, essas máquinas dão problema direto.
— Negado novamente.
— Como? – eu pergunto nervosa – não pode está negado, eu sou cliente a muito tempo aqui, esse cartão deve está com problema.
— Podemos ligar para o banco – A gerente fala – e logo será resolvido.
— Envie a conta para Bruno Bonarde – eu olho para elas.
— Você tem certeza que quer que a conte chegue na empresa? Porque ele sempre foi – eu interrompo a gerente.
— Envie a conta a ele – eu falo firme.
— Claro – ela fala – vamos ligar para confirmar.
— Não precisa – eu respondo – ele sabe do que é.
— Claro – ela sorri assentindo com a cabeça – você já é a nossa cliente a tanto tempo, tenho certeza de que está tudo certo.
— Obrigada.
Eu espero por alguns minutos até que elas me entregam as sacolas, eu não consigo acreditar que Bruno bloqueou o cartão, eu vou até o banco que tinha no shopping e coloco o cartão no caixa eletrônico e ele não entra, diz que foi bloqueado pelo portador.
— Merda – eu falo batendo no caixa eletrônico – Merda! Eu deveria ter feito isso antes – eu fecho os olhos respirando fundo.
Tento abrir a parte do débito e dar a mesma coisa, ele bloqueou a minha conta do banco com o meu dinheiro dentro, ele não poderia fazer isso, até porque eu trabalhei sentando-se naquele p*u dele para ganhar esse dinheiro.
Eu saio do shopping e vou em direção ao meu carro e vejo que ele está com as travas nas rodas, quando pego o bilhete, eu não consigo acreditar no que era.
‘’ Carro confiscado pelo banco. Por favor pagar as multas em aberto.’’
Era ele, era ele querendo dificultar a minha vida toda, pego a minha bolsa e vejo que tinha uns trocados para ir até o meu apartamento, quando eu chego, encontro dona Rute.
— Ainda bem que a senhora chegou – ela fala.
— Ainda não arrumou nada?
— Não – ela fala – Bruno mandou sua secretaria me ligar que a partir de agora eu não faço mais parte do quadro de funcionário deles e que eu deveria tratar tudo com a senhora.
— Ele fez isso?
— Sim, disse que eu era problema seu e que você iria me pagar por tudo. Olha, dona Ester, eu quero os meus direitos todos, senão eu vou processar você.
— Eu não tenho como pagar você, ele bloqueou todos os meus cartões.
— Isso não é problema meu – ela fala – eu fiz o meu trabalho.
— Eu já volto – eu falo largando todas as sacolas e saindo.
A empresa de Bruno era aqui perto e eu vou a pé até lá, antes que a secretaria pense em me atacar, eu entro em sua sala.
— Ester – ele fala e Luan estava em sua frente – Luan, a gente conversa depois.
— Claro – Luan fala passando por mim e saindo.
— O que você quer? – ele pergunta se levantando.
— Como você demite Rute e manda ela pedir que eu a pague, sendo que você bloqueou tudo?
— Ah, tentou tirar dinheiro? – ele pergunta
— O dinheiro é meu, eu trabalhei para ter ele – eu olho para ele – me devolva e pague a Rute.
— Eu não vou pagar nada – ele fala – entra na justiça, me processe, diz que eu não paguei pelos seus serviços de – ele me olha com um sorriso irônico no rosto – de prostituta.
— Porque está fazendo isso? Porque eu neguei continuar com você?
— Você é ingrata Ester e eu falei que você iria se arrepender e vir atrás de mim, mas não achei que seria tão rápido.
— Eu jamais vou vir atrás de você.
— E o que faz aqui então? Você não era ninguém até eu entrar na sua vida e vai continuar sendo ninguém agora que você me tirou dela, eu disse para você que eu iria dificultar a sua vida e você não acreditou em mim.
— Você pode tirar tudo, meu carro, a casa onde eu moro, o cartão de crédito, tudo. Eu só quero paz.
— Você não vai ter, se você não tiver do meu lado, você vai morrer na miséria. Eu vou fazer você perder tudo.
— Paga a dona Rute.
— Aquela que você faz de gato e sapato? Que você explora?
— Paga ela – eu olho para ele e ele se aproxima de mim.
— Está com medo né? Que ela te processe – ele fala me encarando – até porque, você não teria dinheiro para isso.
— Las Vegas é terra de ninguém.;
— Não para quem trabalha honestamente Ester, você deveria saber as leis, mas eu posso pagar – eu olho para ele quando ele tenta passar as suas mãos pelo meu cabelo e eu tiro a mão dele e ele abaixa a minha mão – quer dizer, pagar você e você paga ela, mas você precisa t*****r comigo, agora – ele me encara.
— Eu não vou fazer isso, nunca mais. Eu prometi para mim mesmo.
— Dona Rute sustenta a família dela, vai querer deixar ela sem receber? – ele pergunta – o que pensar de uma prostituta.
— Cala boca, eu sou muito mais que isso.
— Não é não – ele fala – nem para mim e nem para os outros homens, você sempre vai ser apenas uma prostituta, uma vagabunda que vende o corpo em troca de dinheiro e satisfaz nos homens, ninguém nunca vai te olhar sem que você seja um pedaço de carne.
Eu deixo que uma lagrima caia do meu olho e ele passa as mãos dele limpando e segura meu queixo para que eu o encare.
— Ester, para de besteira. Por que arrumar guerra comigo? – ele tenta me beijar mas eu viro meu rosto – eu cuido de você da melhor forma possível.
— Eu sou sua prisioneira, você me faz ser sua prisioneira, você controla a minha vida, você me machuca – eu o empurro e ele segura a minha cintura.
— Na vida dos outros você é só mais uma, ninguém te leva com credibilidade, todos falam de você por onde passa – ele me vira de costa e começa a beijar as minhas costas – uma garota da vida, mais uma que veio ganhar dinheiro em Las Vegas, sua família, ninguém te quer por perto, todo mundo te despreza por você ser quem você é.
Eu seguro as minhas lagrimas e ele começa a descer o meu vestido, me deixando apenas de calcinha na sua frente.