Victor narrando
Respiro fundo enquanto estava vendo a tabela de quem ainda está devendo e era muita gente, se eu não fico de olho, ninguém sai cobrando.
Eu olho pela janela o movimento no cassino, essa época tinha muito turista e era quase 24h de movimento aqui dentro, esse era apenas mais um dos meus negócios para mascarar as vendas das drogas, mesmo com a chegada do Bruno Bonarde que se tornou meu concorrente, as minhas vendas não diminuíram, porque eu era muito forte e expandia para tudo que era lugar.
Acendo um baseado colocando na ponta da boca, todo mundo acha que Las Vegas é só luxo e bebida, mas o ponto alto é a venda de droga, vem gente de todo mundo e esses filhos de papais, ricos metidos a b***a era o mais que consumia, se achando em Las Vegas, aqui também era quase terra de ninguém, tudo rola a solto, desde drogas, bebidas, cassinos e prostituição, são poucos os malucos que resolve vir de ‘’ viagem em família ‘’ para uma cidade com tão poucas ruas tranquilas e de famílias, existia apenas dois hotéis que não tinha cassino dentro e que as coisas eram mais controladas, o resto... ah.. o resto! Era droga, dólar para tudo que era lado, bebida e mulher.
— Você não está preparado para noticia que vou te dar – ele fala.
— E qual é?
— Bruno Bonarde conseguiu um dos nossos clientes e acabaram de cancelar a carga.
— Uma?
— Até agora uma.
— Filho da mãe, depois de anos , conseguiu um cliente apenas.
— Mas é ai que começa, ele está conseguindo ter confiança no nosso meio.
— A gente sabe que o forte dele não é as drogas, vamos para cima dele, junta as provas que tem sobre os outros negócios, ele não vai querer se sujar tão fácil.
— Dificil conseguir envolvimento dele com tráfico de pessoas.
— E os de órgãos? Aquele homem é um lixo.
— E você não é?
— Se você quer conhecer o inferno antes Marcos, me avisa que eu te mando para lá. – ele começa a rir – estava olhando a tabela, quem é essa garota que está devendo tanto? – mostro para ele o nome de Marcia.
— Você conhece ela.
— Conheço?
— Ela é uma das garotas de programas da boate do seu irmão Antonio – ele fala – ela fornece as drogas para os clientes.
— Porque está devendo?
— Deve está querendo passar a perna na gente – ele fala
— É muito dinheiro, não poderia ter deixado.
— Passou despercebido – ele fala – talvez, por trabalhar para o seu irmão.
— Chama ela aqui – eu olho para ele – vamos resolver isso o quanto antes.
— Eu vou mandar ela vir – ele fala – mais alguma coisa?
— Não – eu falo
— Você vai passar o final de semana por aqui?
— Não – eu falo – preciso de uma garota nova, quero inaugurar o resort no norte que está quase pronta.
— Uma garota nova? Já deve ter pegado quase Las Vegas todo, quem sabe essa Marcia?
— Não – eu respondo – quero uma nova.
— Vou atrás – ele fala saindo da sala.
Eu acendo outro baseado enquanto mexo nas minhas contas bancárias. Artur poderia mexer com tudo , mas agora querer pegar os meus clientes, ele acha que eu iria deixar por isso mesmo?
Nem era pelo dinheiro, porque isso eu tinha muito, mas era por ego, ele não ia chegar no meu território e começar a roubar os meus clientes, eu era o fornecedor de 95% de Las Vegas e iria continuar dessa forma.
Eu saio do escritório e vou descendo pelo cassino, observando tudo, eu gosto muito de observar os meus negócios de perto, isso era uma ligação que o meu pai, recebeu do meu avô e que recebeu do bisavô dele que era dono do morro do alemão, conhecido como GV.
Vou andando e vendo que tudo estava no esquema, aquelas mulheres cheias de pose, roupas de grife, sapatos de marca, bolsas caras, chegando no bar e pegando as balas, comprimidos, as cocaínas e indo em direção ao banheiro, aqueles adolescentes entrando nos 21 anos de idade fazendo loucuras com o dinheiro do papai.
Ainda bem, que eu herdei do meu pai o sangue do tráfico, o sangue do morro do alemão, do traficante raiz e não desses babacas idiotas como Bruno Bonarde.