O Pátio

648 Words
O sol forte batia no concreto do pátio da prisão. Dezenas de presos caminhavam, conversavam ou levantavam peso improvisado nos cantos. Mas havia uma área que ninguém se atrevia a ocupar. No fundo do pátio. Ali estava Dante Moretti. Sentado em um banco de cimento, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas. O uniforme da prisão marcava cada músculo do corpo dele. As tatuagens subiam pelo pescoço e desapareciam sob a camisa. Ao redor dele, alguns homens formavam quase um círculo de proteção. Não era oficial. Mas todos sabiam. Aqueles homens eram os soldados dele. Mesmo presos… ainda eram leais. Um deles observava o movimento enquanto outro conversava baixo com Dante. — O diretor trouxe gente nova pra trabalhar aqui — comentou um dos homens. Dante nem levantou os olhos. — Eu sei. Outro preso se aproximou um pouco mais. — Aquela psicóloga… Dante finalmente ergueu o olhar devagar. — O que tem ela? Antes que o homem respondesse, algumas vozes surgiram mais perto da grade do pátio. Um grupo de presos conversava alto… rindo. — Nossa… vocês viram aquela loirinha passando no corredor hoje? Alguns começaram a gargalhar. — Vi sim… aquela médica ali é uma delícia. Outro respondeu rindo alto: — Ah… se eu pego uma mulher daquela aqui dentro… Ele fez um gesto obsceno com as mãos. — Eu deixo ela sem conseguir andar por uma semana. Mais gargalhadas. — Uma mulher daquelas num lugar desse… ela tá pedindo problema. Outro completou: — Ou tá precisando de um homem de verdade… As risadas ecoaram pelo pátio. Mas de repente… O som parou. Porque alguém percebeu. Dante tinha levantado. Devagar. Muito devagar. Os homens ao redor dele também ficaram em silêncio. O olhar de Dante estava completamente diferente agora. Frio. Escuro. Perigoso. Ele começou a caminhar. Cada passo pesado no concreto. Os presos que estavam rindo começaram a perceber. — Ei… ei… olha lá… Um deles murmurou nervoso. Dante parou bem na frente do grupo. Ele era maior que todos ali. A sombra dele parecia engolir o espaço. — Repete. A voz saiu baixa. Mas cheia de ameaça. O homem que tinha falado antes tentou rir. — Relaxa aí, Moretti… a gente só tava brincando. Dante inclinou levemente a cabeça. — Brincando? O homem respondeu: — Qual é… só falei que ela é gostosa. Antes que qualquer um reagisse… Dante agarrou o homem pela gola da camisa e jogou ele contra a parede de concreto. BAM! O impacto ecoou pelo pátio. Os outros presos recuaram imediatamente. Os homens de Dante já tinham se aproximado também. Ninguém interferiu. Ninguém ousaria. Dante segurava o homem contra a parede com uma força absurda. Os olhos dele estavam cheios de fúria. — Escuta bem. A voz dele saiu baixa… mas mortal. — Você abre essa boca suja pra falar dela mais uma vez… Ele apertou mais a camisa do homem. — …e eu arranco seus dentes um por um. O homem estava pálido agora. — F-foi m*l… eu não sabia… Dante aproximou o rosto do dele. — Agora sabe. Ele soltou o homem com força. O preso caiu no chão tossindo. O pátio inteiro estava em silêncio. Dante olhou em volta. Para todos. — Ninguém. A voz dele ecoou firme. — Ninguém fala dela. Ele virou de costas e começou a caminhar de volta para o canto dele. Os homens ao redor dele voltaram a acompanhar. Um dos soldados dele murmurou baixo quando Dante se sentou novamente. — Chefe… você nem conhece ela direito. Dante ficou alguns segundos em silêncio. O olhar dele estava distante. Pensando. Então ele respondeu apenas: — Conheço o suficiente. Ele apoiou os braços nos joelhos novamente. Mas por dentro… Ele sabia de uma coisa. O jeito que aqueles homens falaram de Aurora… Tinha despertado algo nele. Algo perigoso. Algo possessivo. E isso era um problema. Porque Dante Moretti nunca perdia o controle. Até agora.
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