O sol forte batia no concreto do pátio da prisão.
Dezenas de presos caminhavam, conversavam ou levantavam peso improvisado nos cantos.
Mas havia uma área que ninguém se atrevia a ocupar.
No fundo do pátio.
Ali estava Dante Moretti.
Sentado em um banco de cimento, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas. O uniforme da prisão marcava cada músculo do corpo dele. As tatuagens subiam pelo pescoço e desapareciam sob a camisa.
Ao redor dele, alguns homens formavam quase um círculo de proteção.
Não era oficial.
Mas todos sabiam.
Aqueles homens eram os soldados dele.
Mesmo presos… ainda eram leais.
Um deles observava o movimento enquanto outro conversava baixo com Dante.
— O diretor trouxe gente nova pra trabalhar aqui — comentou um dos homens.
Dante nem levantou os olhos.
— Eu sei.
Outro preso se aproximou um pouco mais.
— Aquela psicóloga…
Dante finalmente ergueu o olhar devagar.
— O que tem ela?
Antes que o homem respondesse, algumas vozes surgiram mais perto da grade do pátio.
Um grupo de presos conversava alto… rindo.
— Nossa… vocês viram aquela loirinha passando no corredor hoje?
Alguns começaram a gargalhar.
— Vi sim… aquela médica ali é uma delícia.
Outro respondeu rindo alto:
— Ah… se eu pego uma mulher daquela aqui dentro…
Ele fez um gesto obsceno com as mãos.
— Eu deixo ela sem conseguir andar por uma semana.
Mais gargalhadas.
— Uma mulher daquelas num lugar desse… ela tá pedindo problema.
Outro completou:
— Ou tá precisando de um homem de verdade…
As risadas ecoaram pelo pátio.
Mas de repente…
O som parou.
Porque alguém percebeu.
Dante tinha levantado.
Devagar.
Muito devagar.
Os homens ao redor dele também ficaram em silêncio.
O olhar de Dante estava completamente diferente agora.
Frio.
Escuro.
Perigoso.
Ele começou a caminhar.
Cada passo pesado no concreto.
Os presos que estavam rindo começaram a perceber.
— Ei… ei… olha lá…
Um deles murmurou nervoso.
Dante parou bem na frente do grupo.
Ele era maior que todos ali.
A sombra dele parecia engolir o espaço.
— Repete.
A voz saiu baixa.
Mas cheia de ameaça.
O homem que tinha falado antes tentou rir.
— Relaxa aí, Moretti… a gente só tava brincando.
Dante inclinou levemente a cabeça.
— Brincando?
O homem respondeu:
— Qual é… só falei que ela é gostosa.
Antes que qualquer um reagisse…
Dante agarrou o homem pela gola da camisa e jogou ele contra a parede de concreto.
BAM!
O impacto ecoou pelo pátio.
Os outros presos recuaram imediatamente.
Os homens de Dante já tinham se aproximado também.
Ninguém interferiu.
Ninguém ousaria.
Dante segurava o homem contra a parede com uma força absurda.
Os olhos dele estavam cheios de fúria.
— Escuta bem.
A voz dele saiu baixa… mas mortal.
— Você abre essa boca suja pra falar dela mais uma vez…
Ele apertou mais a camisa do homem.
— …e eu arranco seus dentes um por um.
O homem estava pálido agora.
— F-foi m*l… eu não sabia…
Dante aproximou o rosto do dele.
— Agora sabe.
Ele soltou o homem com força.
O preso caiu no chão tossindo.
O pátio inteiro estava em silêncio.
Dante olhou em volta.
Para todos.
— Ninguém.
A voz dele ecoou firme.
— Ninguém fala dela.
Ele virou de costas e começou a caminhar de volta para o canto dele.
Os homens ao redor dele voltaram a acompanhar.
Um dos soldados dele murmurou baixo quando Dante se sentou novamente.
— Chefe… você nem conhece ela direito.
Dante ficou alguns segundos em silêncio.
O olhar dele estava distante.
Pensando.
Então ele respondeu apenas:
— Conheço o suficiente.
Ele apoiou os braços nos joelhos novamente.
Mas por dentro…
Ele sabia de uma coisa.
O jeito que aqueles homens falaram de Aurora…
Tinha despertado algo nele.
Algo perigoso.
Algo possessivo.
E isso era um problema.
Porque Dante Moretti nunca perdia o controle.
Até agora.