TESSA
Às 19h em ponto, estava à porta do Hotel Cromwell.
Saí do táxi e respirei fundo, observando o fluxo elegante de convidados entrando no salão. Juntei-me a eles, presente em mãos.
O salão estava deslumbrante — o planejador realmente havia feito um trabalho impecável. Sorri ao avistar o tio Wilson no centro das atenções.
“Tessa!”, ele chamou, com aquele abraço caloroso de sempre.
“Tio Wilson, feliz aniversário!”, cumprimentei, retribuindo o abraço.
“Fico tão feliz que você tenha vindo, minha querida.”
Entreguei-lhe o presente, trocamos mais algumas palavras carinhosas e, em seguida, dirigi-me à mesa onde minha mãe, minha irmã e a tia Eleanor já estavam.
Notei, com certo alívio, que meu pai e sua nova família ainda não haviam chegado. Era a deixa perfeita para uma saída discreta.
“Mãe, acho melhor eu ir… tenho umas coisas para resolver…”, murmurei, já me levantando.
“Ah, não, minha jovem!”, a tia Eleanor interveio, puxando-me de volta para a cadeira com um sorriso brincalhão. “Você m*l provou a comida!”
“Mas…”
“Fica! Acabou de chegar e ainda temos um convidado especial a caminho.”
“Quem?”, perguntei, cedendo à curiosidade.
“O filho de um grande amigo do Wilson. Pelo que soube, é até seu novo chefe… Como era o nome mesmo? Ah, sim… Declan.”
“O QUÊ?!”
A palavra escapou da minha boca como um grito, fazendo todos à mesa saltarem.
Declan de novo?!
Por que ele está em todo lugar?
Sou a primeira pessoa na história a ter um ficante casual que vira uma assombração?
Ugh!
Sabia que o tio Wilson tinha bons contatos, mas ao nível dos Hudson? Como eles se conheciam?
Antes que meu cérebro pudesse formular um plano de fuga, ele entrou no salão.
E não estava sozinho. Vinha acompanhado justamente pela família do meu pai.
Não. Não. Não.
Preciso sair daqui. Agora.
Um garçom começou a guiá-los exatamente para a nossa mesa.
“Tia…”, sussurrei para Eleanor, desesperada. “Eles não podem sentar em outra?”
“Esta é a mesa VIP, querida”, ela respondeu, suave mas firme.
Tentei congelar minha expressão enquanto se acomodavam. Meus olhos pousaram brevemente em Cassie Mendez, a mulher que despedaçou minha família. Ao seu lado, Anna Mendez, sua filha — uma espécie de deusa fabricada, com uma perfeição obviamente saída de um bisturi. Toda maquiagem pesada e ar de falsidade. Será que alguém já viu seu rosto real?
E então, Declan. Parecia completamente alheio à tensão, um rochedo de indiferença no meio do furacão social. Meu pai, por sua vez, fingiu não me ver.
Decidi focar intensamente no prato à minha frente.
A conversa começou a fluir ao meu redor.
“Ah, Anna… Este é o Declan Hudson. Filho de um amigo muito próximo. Acabou de assumir como CEO e tenho certeza de que faremos ótimos negócios no futuro. Vocês deveriam se conhecer”, anunciou meu pai, dono de uma pequena agência de segurança.
“Muito prazer. Sou Anna Mendez. Espero que possamos nos… conectar melhor”, disse ela, com uma doçura melíflua.
“Igualmente”, respondeu Declan, com uma polidez glacial.
“Não precisamos ser tão formais, né?”, ela insistiu, inclinando-se levemente.
Quanta insistência, pensei, revirando os olhos discretamente. Era óbvio que ela estava interessada.
Olhei para Declan. Ele simplesmente ignorou a investida e voltou sua atenção para a comida.
“Declan, posso pegar seu contato? Assim podemos discutir possíveis… parcerias no futuro.”
“Para assuntos profissionais, minha secretária está à disposição”, ele cortou, seco.
Ainda assim, ela não desistiu. Era até cômico ver a persistência esbarrar na muralha de frieza.
Foi quando a voz de Cassie cortou o ar, direcionada a mim:
“Tessa, vai continuar aí fingindo que não me viu? Que falta de educação.”
Dei de ombros, mantendo a voz controlada.
“Educação?”
“Isso mesmo, jovem. Você não tem modos.”
Um riso curto e sem humor me escapou. “Olha quem fala.”
“Patrick!”, ela se voltou para meu pai, a voz dramática. “Vai ficar aí vendo sua filha me desrespeitar?”
Meu pai ergueu o olhar, seu rosto se fechando de imediato. “Tessa, peça desculpas. Agora.”
Uma gargalhada genuinamente incrédula brotou em mim.
Pedir desculpas? Nem pensar.