Acordei, e ainda não era dia. Tirei um pouco da cortina, para ver o céu lá fora, e ainda estava bastante escuro. Estava com muita cede, então resolvi descer para tomar um copo d'água. Fui nas pontas do pé, tentando não fazer nenhum barulho. Não queria ser o motivo de ninguém acordar na casa. Acendi a luz, e procurei pelos armários um copo.
Fiquei degustando da minha água. Quando ouvi um barulho de porta ser aberta. Fui até a porta da cozinha, e pude ver Matt entrando em silêncio. Talvez ele não tenha me visto, pois, subiu. Terminei de tomar minha água, e voltei para o meu quarto. Quando abri a porta, tive uma surpresa. Mattew estava deitado na cama, apenas de bermuda.
— O que faz aqui? — Perguntei baixinho.
— Vim ver como estava, a cama estava vazia, então resolvi esperar. — Ele respondeu, no mesmo tom que o meu.
— Estou bem obrigada, agora pode sair da minha cama? — Perguntei, tentando puxá—lo para sair.
— Deixa eu ficar mais, estou sem sono, vamos conversar. — Ele falou, fazendo bico.
Sentei ao seu lado, e cruzei minhas pernas, como índios. Ele começou a contar como havia sido o seu encontro, e eu estava certa, era a menina do churrasco. Não sei porque, mas ele fez questão de contar todos os detalhes. Beijos e carinhos. Aquilo me deixou um pouco irritada, mas tentei ignorar.
— Essa menina nem deve sonhar, que você chegou em casa e está na cama com outra. — Eu falei, imaginando a cena.
— Literalmente falando né. — Ele falou, dando uma piscada pra mim.
— Mas você sabe como são meninas né. — Falei.
— Até que to curtindo ficar com ela. — Ele falou, fitando o teto.
— Hm... Legal. — Falei, tentando disfarçar o meu desinteresse.
Quando parecia que ele ia pegar no sono, dei um t**a no seu quarto, e lhe mandei ir dormir, e foi o que ele fez. Levantou—se sonolento e foi para o seu quarto. Primeiramente quando me deitei na cama, fiquei pensando nele, mas logo consegui dormir.
As horas iam se passando, e não tinha vontade nenhuma de levantar da cama, por mais que soubesse que não estava na minha casa, estava confortável demais. Me levantei, ainda com sono, fui até o banheiro do corredor passar uma água no rosto. Dei uma ajeitada no cabelo, e arrumei minhas coisas para descer.
A mesa do café estava posta, e pude ouvir minha barriga fazer um enorme barulho. O que me fez ficar com as bochechas vermelhas. Dona Camile me olhou, com um sorriso reconfortante, e me pediu para que senta—se.
— Fique à vontade querida. — Ela falou, me entregando um prato pequeno.
— Obrigada, é muita gentileza da sua parte. — Falei, agradecida por ela ser tão querida comigo.
— Meu filho chegou tarde ontem, ele acha que não ouvi o barulho da porta. — Ela falou, fazendo uma careta que me fez rir.
— É eu também vi, tinha vindo aqui para tomar água. — Falei, tentando dar continuidade a conversa.
— Sabe eu não gosto muito daquela menina com quem ele saiu. Você viu no dia do churrasco como a Nicole é atirada? — Ela perguntou para mim, balançando a cabeça negativamente.
— Seu filho deve gostar de meninas assim. — Respondi, dando uma risada.
Quando olhei para o lado Mattew me encarava sério, como se estivesse bravo com o que escutava vindo de mim e da sua mãe. Ele sentou—se, e tomou o seu café. Em seguida subiu com a cara mais emburrada do mundo.
Vi que meus pais haviam chegado, e fui embora depois de me despedir de Camile. Minha mãe me pediu desculpa por não ter deixado nenhuma chave, mas não estava preocupada. Coloquei a camisa e o shorts que peguei emprestado para lavar.
Fiquei no meu quarto deitada, até que ouvi o computador fazer um barulho de que havia recebido mensagem. Era no f*******:, que havia deixado aberto. Mattew estava me chamando.
Você não tem direito nenhum de vir a minha casa, e falar m*l das meninas com quem eu saio.
Só o que me faltava mais essa. Em nenhum momento havia dito isso. Como ele podia achar, se não ouviu a conversa inteira?
Mas, eu nem falei nada Matt. Só falei pra sua mãe que você deveria gostar de meninas assim.
Seria difícil para um cabeça dura como ele acreditar em mim.
Nem você e nem ela, conhecem a Nic pra ficar falando coisas.
Tá bom, me desculpa. Não foi a minha intenção.
Me desculpei com ele, e fechei tudo. Não queria mais conversar com ele. Não sabia de nada, e já estava me julgando como se eu tivesse dito alguma coisa. E a mãe dele estava mais do que certa, ela era uma atirada sim. Onde já se viu. Não fazia questão mesmo que ele falasse comigo.
Almocei com meus pais, e logo durante a tarde, saí para fazer minha caminhada. Ouvi e cantei músicas durante o trajeto todo. Caminhei um pouco na praia, que dessa vez não estava muito cheia, e logo voltei para casa. Precisei de um banho, para tirar o suor. Coloquei um shorts branco, e uma regata preta.
Lembrei das roupas, e resolvi ir devolvê—las logo. Dona Camile quem atendeu a porta. Pude ver por cima dos seus ombros, que Nicole e Matt estavam sentados no sofá. Ela apenas me fez uma careta. E Matt me olhou com um olhar fatal.
— Obrigada pela roupa, e obrigada por ter me deixado ficar aqui ontem. — Falei para ela, agradecendo pelo que fez por mim.
— Não foi nada querida, para você sempre que precisar. — Ela falou, passando a mão sobre o meu ombro.
Não sei o que me deu, mas precisava dizer algo, estava com raiva do Matt.
— Ah, e Matt obrigada por ter ido ao meu quarto ontem de noite, e ter deitado comigo. — Falei, para provoca—lo, e pude ver uma cara de brava se formar na face de Nic.
Fui embora depois de me despedir de Camile, e sai satisfeita da sua casa. O que foi que eu fiz? Por que havia dito aquilo? Sabia que teria de enfrentar consequências, assim que ela fosse embora. Mas, não estava nem aí. Ele merecia isso.
Fiquei conversando com Sam por mensagem. E lhe contei sobre o ocorrido, e ela se desculpou por não estar em casa. Mas adorou o fato de eu ter feito aquilo com Matt. Ainda mais Samantha que adora coisas travessas.
Ela me convidou para ir até sua casa, para assistirmos algum filme juntas. Peguei minha bolsa, e vesti um casaco por cima. Quando estava saindo de casa, no mesmo momento Matt abriu a porta, e já veio andando rapidamente até mim.
— Você passou dos limites hoje né. — Ele falou bravo.
— O que eu fiz? Só te agradeci pela gentileza. — Falei, com um sorriso satisfatório na face.
— Agora Nic está super brava comigo, saiu de lá cuspindo fogo. — Ele falou, apertando seu ombro.
— p*****a agora cospe fogo? Não sabia. — Falei, me fazendo de desentendida.
— Quer saber Mel? Tchau. — Ele falou, virando—se de costa pra mim e saindo andando.
Enquanto andava para a casa da Sam, fiquei pensando nas coisas que tinha dito e feito. Talvez não fosse certo mesmo e teria de pedir desculpas a ele, em um outro momento. No fim, eu e Sam acabamos jogando vídeo game, já que nenhum filme bom passava na televisão.
Ela me contou sobre o Ben, que era o menino com quem estava saindo, e até que ele parecia um cara legal. Fiquei feliz por ela. Mas, como estava escurecendo preferi voltar para minha casa. Vinha andando distraída, quando olhei pra cima, vi Matt na sacada, só dava para enxergar seu cabelo, lá de baixo.
Entrei em casa, e peguei uma fatia de bolo para comer. Logo em seguida voltei para o meu quarto. Não pude deixar de dar aquela espiadinha pela janela. E vi que ele tocava violão. Do outro lado da rua dava para ouvir o barulho, mas não o suficiente para saber qual música ele tocava. Apaguei a luz do meu quarto, e fui para a minha cama.
Você está cada vez mais chata, mas eu não paro de pensar em você, sua beijoqueira.
Após ler aquela mensagem no meu celular, não pude deixar de sorrir. Ele estava pensando em mim, era isso mesmo ou coisa da minha cabeça? Pensei em responder, mas não queria ser fácil assim. Então só visualizei, e voltei a tentar dormir.
Fiquei imaginando o que aquela mensagem queria dizer, e milhões de opções se passaram na minha cabeça. E claro, eu fiquei feito boba, olhando para a mensagem no meu celular, com um sorriso no rosto. Por mais que meus dedos estivessem loucos para digitar uma sms, uma parte de mim não queria isso.
Não acredito que você já dormiu. Ou está me ignorando?
É ele sabia direitinho o que eu estava fazendo. Preferi fingir para mim mesma, que era a opção número 1. Digamos que eu tenha dormido com o celular na mão, no momento que havia lido a mensagem, e acabou não dando tempo para responder.
Finalmente depois de alguns minutos tentando dormir, consegui pegar no sono. O ar estava ligado, e me mantive com o cobertor até na cabeça. Amava o frio. Mas, às vezes acho que era necessário que houvesse alguém ali comigo, para me manter aquecida.
As 9:00 da manhã, o despertador tocou, me fazendo levantar imediatamente. Me estiquei toda, abri a cortina e a janela, para entrar um ar. Escovei os meus dentes e desci para tomar o meu café da manhã. Logo em seguida, voltei os meus afazeres, até a hora do almoço. Depois teria que ir trabalhar na loja e a minha semana começaria novamente.