Minha casa

1246 Words
Quando Jess entrou pela porta da frente, parecia que ela não havia passado nem um dia sequer longe de casa, tudo estava exatamente como ela havia deixado. Entrar em casa foi um bálsamo, ainda mais quando a viagem havia sido tão cansativa, ainda mais quando Damian queria todos os segundos de atenção para ele, que queria saber até mesmo sobre seus pensamentos. Se havia uma palavra para descrevê-lo seria exasperante. Para ele, já era fato consumado que ela não voltaria mais ao convento. - Parece que não tem ninguém em casa. - Na verdade, eles devem estar no quintal, seu pai a leva para tomar ar fresco todos os dias nesse horário. Jess pensou irritada " E, você sabe disso também...". Sem dizer nada a Damian ela seguiu para os fundos da casa. Pela janela da cozinha, ela pode ver seus pais sentados juntos embaixo de um guarda sol. Seu pai conversava alegremente com sua mãe. Quando adolescente, ela viu essa cena várias vezes e sonhava encontrar um amor como o deles. - Um dia, talvez estejamos nós dois exatamente como eles estão agora. Aquilo quebrou totalmente o encanto que Jess viu sobre aquela cena, Damian sempre foi um amigo, mais agora ele parece estar determinado a irritá-la. Se não fosse pela situação francamente já teria brigado com ele, mas ela não quer complicar mais as coisas, quer saber o que está acontecendo. Se a mãe precisa de dinheiro para a cirurgia, então ela conseguiria um trabalho e juntaria o dinheiro. Ela se sentiu culpada por ter os deixado para trás. Abriu a porta dos fundos e foi em direção à eles. - Eu não quero interromper o namoro de vocês, mas eu precisava avisar que eu cheguei. Os pais de Jess ficaram surpresos e sorriram automaticamente para a filha. - Minha filha, você está de volta? Eu não esperava que você viesse. Sua mãe parecia surpresa, mas seu pai sabia que ela viria. Enquanto eles se abraçavam, o pai de Jess cumprimentou Damian e lhe disse: - Você cumpriu com sua missão garoto, muito obriagado por trazer a minha filha de volta para casa. - Isso não foi nada Sr. Carlos, sabe que eu faço qualquer coisa para ajudá-los. Carlos sabia desde muito tempo da paixão de Damian por sua filha, ele até mesmo se ofereceu para pagar a cirurgia de sua esposa, mas ele não pode se comprometer a tal ponto, sabe muito bem que nada nessa vida é de graça e mais cedo, ou mais tarde, a cobrança vem, ele não quer de maneira nenhuma comprometer sua filha. Depois da calorosa chegada de Jess, havia chegado a hora de falar de coisas sérias, principalmente a saúde de sua mãe. - Então, me digam qual é o seu verdadeiro estado de saúde mamãe? - Minha filha, não deve se preocupar com isso, eu já estou feliz que você tenha deixado o convento para me ver. - Nada disso mamãe, como acha que eu não vou me preocupar quando a sua vida está em risco. - Não é nada demais, aposto que o seu pai exagerou. - Conte a verdade para a nossa filha Maria, não continue escondendo, eu mesmo tive que te seguir para entender o que estava acontecendo. - Você é sempre exagerado Carlos. Só porque o médico disse que eu preciso de uma cirurgia, não significa que eu vou morrer. Esse sempre foi um ponto negativo em sua mãe, ela nunca reclamou de nada, nem se deitava para descansar quando estava doente. Jess se ajoelhou aos pés da mãe, segurou sua mão e lhe disse: - Mamãe, você não precisa ser forte o tempo todo, nós estamos aqui para apoiá-la e ajudá-la no que for preciso. Para nós não é fardo nenhum cuidar de você, eu na verdade me sentirei honrada e ficarei muito feliz em retribuir pelo menos um pouquinho de tudo o que você já fez por mim nessa vida. Dona Maria não se conteve e começou a chorar. - Eu tenho tanto medo minha filha, não posso deixar o seu pai sozinho, você tem a sua vida no convento, se você está feliz lá, não quero atrapalhar a sua vida. Jess abraçou muito forte a sua mãe, tentando lhe passar todo o apoio e força que ela precisa. - Você só precisa se preocupar em ficar bem, eu e o papai vamos cuidar de todo o resto. Jess fez limonada para todos e a quando a noite foi caindo enfim Damian disse que ia embora. Jess o acompanhou até a porta, sem mais nem menos ele começou a dizer: - Jess, case-se comigo. Eu posso garantir o melhor médico para sua mãe e sua família não vai passar nenhum tipo de dificuldades financeiras. Mais uma vez Damian estava fazendo uma das coisas que mais lhe irritava, jogando seu dinheiro e poder na cara dela. Ele sempre fazia isso na infância e adolescência dos dois, na opinião de Jess era seu pior defeito, achar que o dinheiro compra tudo. O pai de Jess, trabalhava para o pai de Damian, que desde a primeira vez que viu Jess, nunca mais a deixou em paz. - Eu não posso acreditar no que está dizendo Dam. Ele abriu um largo sorriso e lhe disse: - Então você aceita? Aceita se casar comigo? Jess estava muito cansada de tudo e ainda tinha a noite para enfrentar então apenas disse: - Eu não posso pensar sobre isso agora Dam, nós conversamos depois. Mesmo com essa resposta ele saiu otimista e confiante de que ela aceitaria seu pedido. Quando fechou a porta Jess respirou aliviada pela primeira vez desde que saiu do convento, Damian era sufocante. Na manhã seguinte, Jess se levantou bem cedo e foi até a padaria, quando estava em casa, ela sempre tinha o hábito de tomar café na padaria e depois trazia o pão para os pais, então ela apenas fez isso como se não tivesse passado o tempo. - Bom dia. Ela disse ao dono da padaria. - Olá menina, quanto tempo. Seu pai me disse que você havia ido para um convento, não achei que fosse vê-la. - Pois é, agora eu voltei para casa. - Seja bem vinda de volta, a sua mesa está vazia, então fique à vontade. Jess costumava sentar em uma janela próxima à janela, gostava de ficar observando a rua. Dessa vez, quando ela se sentou, viu o para de olhos verdes, mais lindos que ela já viu na vida. O homem estava digitando em seu notebook frenéticamente, nem sequer notou a presença dela. Mas, o coração de Jess, não deixou o homem passar desapercebido. Ele estava bem vestido e parecia destoar um pouco do ambiente. Jess se surpreendeu com sua reação tão intensa a um homem desconhecido. Talvez ele viesse ali todos os dias, então quem sabe um dia ele a notasse. Porém suas esperanças morreram, quando chegou uma loira, muito bem vestida e lhe deu um beijo na bochecha, eles pareciam ter bastante i********e. Aquilo incomodou bastante a Jess, que ela até mesmo perdeu a vontade de permanecer ali. - Cancela o meu pedido por favor e me dê meia dúzia de pães. - Por quê vai embora assim tão de repente menina. - Por nada, eu apenas me lembrei que tenho algo a fazer. - Muito bem, mas volte outro dia. - Pode deixar. Pegando seu saco de pães, Jess foi embora, sem olhar para trás, pois aquela imagem doía para ela.
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