Jess saiu ainda mais desanimada da sala da Madre superiora, pelo visto ela não estava errada sobre seu pressentimento, a julgar por tudo o que a velha senhora lhe disse, seus dias no convento estavam se esgotando.
Ela tem que pensar agora em um plano B, Jess já está decidida pelo convento, isso desde a três anos atrás e desde então nunca pensou em desistir de seu propósito, mas Cecília não descansará até vê-la saindo pelos portões do lugar.
Ainda presa em seus pensamentos ela esbarrou em alguém, quando levantou o rosto para pedir desculpas reconheceu de imediato o homem que estava à sua frente, mas jamais imaginou encontrá-lo ali, nem em lugar nenhum, pois ela raramente saía do convento e ele foi realmente contra a vontade de Jess gastar sua vida fazendo caridade. Na época, ela estava muito decidida e ninguém foi capaz de fazê-la mudar de opinião. Enquanto Jess estava imersa em seus pensamentos, o homem a encarava.
- Damian?
- Eu mesmo Jess, ainda bem que te encontrei, pode me acompanhar até a sala da Madre superiora? Eu estou indo para ter uma audiência com ela.
- Eu não acho que seja uma boa ideia, mas tenha uma boa conversa com ela.
- Na verdade, acho que vai te interessar muito o que eu tenho a dizer.
Damian pegou a mão de Jess sem que ela pudesse ter qualquer reação e então a direcionou de volta para a sala da Madre superiora. Ele deu algumas batidas na porta e logo se ouviu a ordem para entrar do lado de dentro da sala. Ela tentou se soltar de Damian, mas este prendeu sua mão firme junto à dele e ela não teve outra saída, senão segui-lo impotente.
Quando entraram na sala, suas mãos juntas é a primeira coisa que a Madre superiora observa e claro, olha com desagrado.
- Sr. Damian, acho que já pode soltar a mão da irmã Jessica, isso não é adequado.
Ele olha para as mãos que estão juntas como se só agora ele percebesse o que estava fazendo. Jess percebeu ainda que sutil, certa irritação nele por ter que separar as suas mãos, no entanto, ela estava aliviada, fazia muito tempo que não tinha contato com nenhum homem e para ela esse contato parecia íntimo demais e a deixava desconfortável.
Ela puxou rapidamente sua mão para si mesma e respirou aliviada. Sentiu-se liberta da opressão que ele exerceu sobre ela, mesmo em tão pouco tempo.
- Muito bem, agora me diga, o que veio fazer aqui?
A Madre superiora não foi nada simpática com este homem, ele não demonstra o devido respeito ao convento e suas regras. Ele constantemente ajudava o convento com doações gordas em troca de regalias para a irmã Jessica, mas ele nunca aparecia de fato, sua presença aqui não indica nada de bom, pensou ela.
- Na verdade, embora esteja feliz por reencontrar a Jess, não trago boas notícias. A sua mãe está doente e eu trouxe uma carta do seu pai, junto da recomendação para que você retorne para sua casa junto comigo Jess.
Jess foi atingida por uma avalanche de emoções, ela não sabe nada sobre sua mãe estar doente, as palavras de Damian são uma total surpresa para ela. Tudo isso é tão inesperado, que ela nem sabe como reagir.
Ele enfia a mão no bolso e estende uma carta para Jess e outra para a Madre superiora. Ambas pegam seus envelopes, a Madre superiora abre seu envelope firmemente, já Jess segura a carta trêmula, ela não sabe como reagir a tudo isso, a mãe sempre foi uma mulher forte e Jess não se lembra de que ela tenha nem mesmo um resfriado, ela estar doente era de fato preocupante, ela nem ao menos sabia como lidar com isso. Ao reconhecer a caligrafia de seu pai, ela não conseguiu conter as lágrimas, estava com saudades e somado àquela notícia, foi demais para ela.
Em um primeiro momento, as lágrimas borraram sua visão e ela não conseguiu ler, Damian se aproveitou da situação para se aproximar novamente dela, ele enxugou delicadamente as lágrimas de seu rosto e disse:
- Não fique assim querida, não é um caso sem solução, sua mãe ainda tem muitas chances de sobreviver, apenas leia a carta e nós iremos até ela.
Na carta que o pai direcionou para a Madre superiora, ele pedia para que liberasse a sua filha para ajudá-lo a cuidar da mãe, enquanto que na carta enviada para Jess ele pedia para a filha voltar para casa, que sua mãe precisa de uma cirurgia urgente.
Depois de ler a carta, a Madre superiora disse a Jess:
- Bom menina, pelo que podemos ver, as circunstâncias decidiram por você, pode ir, mas não retorne, acredito que esta não é a tua vocação, volte para casa com a consciência tranquila, você tentou.
Jess ficou atordoada com as palavras da Madre superiora, era sofrimento demais para um dia só, mesmo que ela tenha que cuidar da mãe, isso não significa que ela desistiu da vida religiosa, isso era muito importante para ela desistir tão fácil. Mas, essa não é a hora de contestar, ela primeiro cuidará de sua mãe e depois fará com que a Madre a aceite de volta no convento. Essa é a vida que ela escolheu e ninguém a fará mudar de ideia.
Ela abaixou a cabeça e seguiu para o seu quarto, para arrumar suas coisas. Depois que entrou no quarto, alguém entrou atrás dela, é Cecília.
- Seu namorado veio te buscar Jess? Finalmente percebeu que aqui não é o seu lugar?
Ela estava sem paciência neste momento para a implicância de Cecília.
- Cala a sua boca, minha mãe está doente e eu estou indo para cuidá-la, não se vanglorie, pois eu vou voltar e você vai me pagar pelo que me fez.
Cecília deu um sorriso cínico e disse a Jess:
- Estarei te esperando querida.