Nas sombras

2218 Words
"Se algum dia no amargor da minha vida tive algum momento de doçura ele foi esquecido", essa frase escutei ou li em algum lugar, não me lembro, mas ela ficou impregnada na minha mente eu não sabia porque não naquela época, mas agora eu sei. A dor já não existia, até mesmo a raiva que eu senti de Aníbal sumiu por alguns instantes eu já não me lembrava o que havia acontecido e nem quem eu era, quando fechei meus olhos não vi luz alguma não tinha Anjos a minha espera e nem nada disso, o que diziam nas igrejas e nos cultos eram pura mentira e bobagem quando você morre tudo acaba não resta mais nada apenas a escuridão permanece. Mas eu não havia morrido estava entre a vida e a morte presa por uma linha tênue invisível que insistia em me segurar não sei por qual motivo, eu estava tão cansada queria apenas descansar, desejava que a escuridão de antes voltasse e que eu ficasse perdida nela para sempre, lá não existe a dor e nem sentimento algum apenas a escuridão. Mas eu vi a luz aquela tão famosa que falam que vimos no final do túnel, mas a luz que eu vi não era a Esperança de uma vida melhor e muito menos o amor denominado de alguém por mim, aquela luz não passava de uma invenção da minha cabeça para me trazer de volta a realidade. O que me segurou a vida não foi sequer a linha tênue, foi a vontade de ver cada um que me fez estar naquele estado pagando por isso, dentro de mim alguma coisa havia se quebrado e eu sabia que junto com a minha virgindade e decência eles levaram também a minha humanidade, eu descobri naquela noite que não restava a Esperança alguma para os homens na face da Terra e que se vivíamos no completo caos hoje era porque não merecíamos estar ali de fato, então que se dane os achismos, as lealdades, o Bom Comportamento e caráter, desligo a luz dentro de mim e acendo as sombras. Minha cabeça estava confusa e eu por muitas vezes não sabia aonde estava e nem como estava, parecia que estava ali deitada naquela cama há um século como se eu tivesse passado a vida inteira ali deitada e não tivesse vivido mais nada além daquilo, às vezes ouvia vozes e murmúrios ao meu redor não conseguia distinguir de fato o que diziam mas sabia que falavam sobre mim, um dia escutei também a voz do meu pai ele me contava coisas da minha infância, sobre o que eu gostava de fazer ou sobre o que fazíamos juntos e me pedia para voltar mas eu estava ali de onde eu voltaria? Aos poucos percebi que estava em um hospital impossibilitada de me mexer ou de dizer qualquer palavra, por mais que eu fizesse força ou tentasse nada acontecia meu corpo não me obedecia mais apenas a minha mente funcionava. Depois de um tempo naquela inércia às vezes na escuridão, às vezes na luz, às vezes na sombra e ainda outras vezes entre uma e outra coisa, eu comecei a remontar o quebra-cabeça do que havia acontecido comigo. Lembrei de ter ido trabalhar depois de ter ido para a faculdade e de encontrar Aníbal, a simples menção do nome dele me causava arrepios, mas não de medo e nem de receio também não eram de raiva, fiz arrepios eram vontade de tê-lo em minha frente e de gritar na sua cara que ele jamais me teria não do jeito que ele queria e nem de jeito nenhum a partir de agora, não sei se ele fez como os outros e tomou meu corpo ainda não lembro completamente de tudo que aconteceu, mas sei que ele vai pagar. tudo fica escuro novamente na minha cabeça e eu não vejo mais nada é como se eu estivesse dentro de uma sala o tempo inteiro e de repente faltasse energia, depois de um tempo essa energia voltava mas quando voltava eu já não era exatamente quem era a outra vez eu sei é confuso de explicar e ainda mais confuso de sentir. No dia em que eu acordei de fato me senti muito estranha, a luz incomodou meus olhos , foi como sair de um túnel escuro em pleno impacto solar do meio-dia, fossem meus olhos se acostumarem com a claridade, minha vista estava embaçada e turva eu não conseguia distinguir de fato as imagens a minha frente, eram apenas vultos suntuosos que iam de um lado para o outro falando coisas totalmente sem sentido. Aos poucos fui me acostumando e passei a enxergar direito, haviam médicos e enfermeiros que eu nunca vi na minha vida muitos aparelhos apitavam e piscavam loucamente, noto que meus braços estão presos e cheios de tubos e fios saindo dele assim como minha boca sinto uma coisa dura na minha garganta e muita vontade de tossir, levanta uma das minhas mãos segurando alguma coisa que tem no meu rosto tentando arrancar mas alguém me impede e segura meus braços, estou tão fraca que não consigo lutar contra seja quem for. Permanece intacta apenas observando o trabalho deles ao meu redor um homem de branco com mais ou menos uns 50 anos coloca o rosto bem próximo do meu com uma luzinha abre os meus olhos e examina alguma coisa neles, começo a me lembrar novamente o que me levou até aquele lugar não sei como cheguei lá e muito menos como estou viva depois do que me fizeram, mas nas minhas veias não corria mais o sangue de uma menina que acreditava em todo o mundo e que queria que todo mundo fosse tão feliz quanto ela era, nas minhas veias corria agora veneno puro e c***l nunca mais ninguém tocaria em mim, ninguém nunca mais faria com que eu sofresse novamente, jurei pela minha vida que ainda restava que houvesse o que houvesse eu nunca mais falaria uma única palavra sequer até ter me vingado todos aqueles que me fizeram m*l. Vejo papai ele fala comigo pergunta alguma coisa eu olho para ele dando a entender que o reconheço, mas nem por ele eu vou quebrar minha promessa, Consigo distinguir quando o médico diz: __ Vamos extuba-la Não faço ideia do que aquilo quer dizer, mas então viro minha cabeça para o lado da porta e eu vejo lá, o que ele faz aqui, como ele se atreve a está aqui? Sinto meu coração acelerar e pela primeira vez um sentimento vem à tona de ódio de desejo de vingança. Olhe para ele com raiva e vejo quando foge covardemente mas aquilo não vai o salvar não mesmo. Preciso me acalmar ou talvez eu dei a entender que preciso voltar a dormir, eu vou me recuperar o mais rápido possível e vou atrás deles um a um. Talvez eu tenha perdido meu trabalho e até a minha bolsa não sei a quanto tempo exatamente estou aqui neste hospital e nem sei o que está acontecendo lá fora, mas a minha vida não vai ter sido perdida em vão não mesmo. eu senti as sombras entrando dentro de mim às vezes eu podia até vê-las e tocá-las, eu deixava isso acontecer, parei de acreditar em Deus e de ter fé no instante em que abri meus olhos ele não existe ele nunca está quando a gente precisa dele talvez seja uma piada ou um sádico que gosta de ver a gente sofrer, mas eu acreditava nele agora no lado de baixo no de quem tanto tem medo no d***o, para que tem medo dele? Ele não pode ser pior do que os cobras ou do que aqueles que destruíram o mundo, faço um pacto com ele a partir daquele dia, minha vida é dele, minha alma é dele e o que mais ele quiser dele desde que me conceda a vingança que eu tanto quero. Uma quebra de promessas que eu havia feito antes, promessas que eu teria cumprido se Deus tivesse decidido olhar para mim por pelo menos um momento, porém em sua divindade colossal, preferiu apenas assistir enquanto me quebravam pedaço a pedaço, portanto me sinto desobrigada a cumprir tais promessas. Pouco a pouco fui recobrando meus sentidos e o controle sob o meu corpo,os médicos achavam estranha minha falta de voz, já que tudo parecia estar em seu devido lugar, então passaram a me tratar como um trauma mental que retrocederia assim que eu me sentisse segura, eu estava preocupada com o meu trabalho e com minha bolsa, meus planos de sair do inferno ainda estavam de pé. Preciso me comunicar de alguma forma. Dois meses se passaram voando e eu estava pronta para voltar para casa, não vi mais Anibal, ele não voltou mais ao hospital, mas eu era obrigada a ouvir seu nome constantemente, papai fazia questão de dizer que o afilhado o estava ajudando e que sem ele não saberia o que fazer e nem o que haveria acontecido comigo, mas é claro que ele não fazia ideia que o afilhado era um bandido agora. O meio que achei para me comunicar foi usar o celular, por meio de mensagens de texto eu conversava com os médicos e papai, foi me dado um caderno e lápis também. Duas semana depois que eu acordei minhas faixas foram tiradas, meu rosto estava inchado ainda e cheio de marcas vermelhas assim como meu corpo, mas o que mais me incomodava, eram as partes baixas, meu ânus e minha v****a estavam ponteados e cheios de grampos, meu útero foi arrancado para estancar a hemorragia, ao menos eu não colocaria uma criança nesta merda de mundo, já não doía mais, apenas coçava e incomodava, me disseram que fizeram uma reconstrução completa na minha v****a, até conseguiram realocar meu hímen, grande coisa como se eu fosse querer fazer aquilo novamente. Na próxima semana meu braço foi liberado do gesso assim como meu pé que havia sido fraturado de alguma forma, as facadas que me deram não foram profundas e as cicatrizes não seriam problema, segundo o médico eu tinha direito de remove-las gratuitamente, ao menos aquilo o maldito governo ainda cobria, não por boa vontade, mas pelo tanto de dinheiro que recebiam por um caso como o meu. Na manhã que recebi alta o médico veio até mim, eu estava de pé observando através da janela dois pássaros brigarem por causa de migalhas __ Bom dia Eva, vim só avisar que já pode ir para casa. Me viro o olhando sem esboçar emoção alguma, eu não o odiava afinal salvou minha vida, mas não conseguia mais olhar para homem algum, sem sentir raiva e vontade de matar. Faltam três dias para meu aniversário de 17 anos perdi quatro meses da minha em uma noite por causa de um babaca, escrevo no papel, tudo bem para o doutor, ele me diz __ Você entendeu tudo que tem que fazer não é ? Nada de estrepolias, mas um mês de descanso e estará novinha em folha, e qualquer coisa que senti tem que me procurar tudo bem? Ele era um bom homem, parecia gostar e se preocupar comigo, mas ainda assim eu não conseguia gostar dele, balanço a cabeça assentindo e ele continua __ A psicologa estará a sua disposição sempre que você precisar. Ele tenta tocar no meu rosto, mas eu bato na mão dele e recuo, foi só instinto, quantas vezes ele já não me tocou? __ Tudo bem, eu só ia ver seu maxilar! Então lembro que a droga do meu maxilar também havia sido reconstruído, me aproximo dele e ergo o rosto, ele olha com cuidado e sem tocar __ Parece bem, se cuide Eva, não espero vê-la de novo nessa situação. Nem eu quero estar doutor acredite, tive vontade de dizer, mas fiquei calada, meu pai estava na porta do hospital a minha espera, um carro velho caindo aos pedaços de porta aberta me esperava, aponto para o carro e balanço a cabeça perguntando de quem é __ É de um amigo, vem não podia ir de condução pra casa é muito arriscado. Como se andar naquela lata velha também não fosse, entro no carro devagar enquanto ele guarda todas as coisas que ganhei ali no hospital principalmente das enfermeiras, elas foram muito gentis comigo e eu acabei me apegando a Cely, ela me dava banho e me ajudava com tudo, eu espero vê-la de novo. Olho para aquele lugar onde pareço ter vivido uma vida inteira e deixo uma ultima lagrima escorrer pelos meus olhos, o ultimo pedaço bom que existia dentro de mim se foi e agora eu estava livre para fazer e ser o que devia, o depois não me importava, vou me recuperar e vou achar meios de pegar um por um daqueles filhos da p**a. **************************** Espero que vocês estejam gostando da história, estou passando aqui apenas para lembrar que Deus é único e extraordinário em sua magnitude, a história no livro não é baseada em fatos reais e nem tem como intenção desviar ninguém de sua religião o ofender a religião de ninguém, são apenas histórias fictícias com o intuito de entreter o leitor, agradeço o seu interesse até aqui e se prepara que vem muita coisa boa aí.
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