Angeline Müller (Angel) Abro os olhos assim que o despertador toca. Viro para o lado e encontro… nada. O Henry já não está. Só o cheiro dele ficou no ar — aquele aroma amadeirado, quente, que gruda na pele e na memória. Respiro fundo. Me levanto devagar e vou direto para o banho. A água cai e, por um segundo, fecho os olhos e lembro da noite passada. A forma como ele me tocou… como me olhou. Mas hoje... algo dentro de mim está estranho. Desde ontem, na verdade. Tem uma sombra rondando o meu coração. Me visto e saio correndo para pegar o ônibus. A cabeça tá uma bagunça. Tento afastar os pensamentos ruins, mas é inútil. Eles se agarram em mim como garras invisíveis. (...) — Oi, Angel — Lu aparece com aquele sorriso de sempre. — Tô preocupada — digo direto. — Com o quê? — O Henry. E

