Fazia pouco menos de seis meses que Amélia viera morar em Dublin, com seu pai. Cresceu e foi criada por sua mãe e padrasto com seus irmãos na Escócia, em um vilarejo muito charmoso. Sua vida por lá era pacata, tudo que fazia era estudar, fazer aulas de balé e ajudar sua mãe em casa. Era a mais velha, seguida por seu irmão Ântoni, e irmã Alicia, ambos filhos de sua mãe com seu padrasto. Ela não poderia dizer que era a filha mais amada do mundo, mas não era maltratad*. Seu pai mandava uma generosa pensão, e presentes em datas comemorativas. Vez por outra ele ia visitá-la, mas sua mãe não gostava quando ele aparecia.
Há cerca de 6 meses atrás, sua irmã, com 19 anos, resolveu se casar. E sua mãe enlouquecera, que ela também precisava arrumar um marido. Ela bateu o pé e disse que não pensava em se casar, só porque sua irmã quisera. Mas no meio dessa crise, seu padrasto quis lhe arranjar um casamento. Dizendo que ela fei* do jeito que era, não arrumaria alguém sozinha. Mas ela não importava-se de viver sozinha. Mas não aceitaria se casar arranjada com um estranho. Então ligou pedindo socorro a seu pai, que por um momento ela achou que nem gostasse dela. Mas ele fora imediatamente para lá, brig*u com eles e a levou para morar com ele.
Ele era um homem bom e gentil. O via pouco, devido às viagens que ele tinha que fazer a negócios, visto que ele era dono de uma empresa de turismo. Mas quando estavam juntos ele era atencioso e preocupado.
Há dois meses atrás, conseguiu encontrar um estúdio de balé que lhe agradou. Seu pai disse que ela poderia ficar tranquila, que ele pagaria o que ela escolhesse. Ela se animou, mas esperava logo conseguir um trabalho, como professora de dança. Porque apesar de amar o balé e ainda treinar, tinha se formado em um curso de dança da região escocesa. Por isso deixava currículos em escolas para dar aulas de dança para crianças, ou iniciantes.
Hoje, ela tinha um ensaio, para uma apresentação prevista para daqui a três semanas. Seria em um teatro pequeno, mas para ela já era uma grande coisa. Dublin era um lugar turístico, com pessoas de todos os lugares. Iria ser emocionante. Andava às pressas, estava em cima da hora, olhou para os lados e não vinha nenhum carro, mas na metade da travessia da rua, um carro andando muito rápido apareceu. Ela m*l teve tempo de correr, sentiu o carro bater contra seu corpo e lançar-lhe longe. Por um segundo, sentiu seu corpo inteiro adormecer, piscou tentando entender o que acontecera. Ouvia a voz de um homem lhe chamando, mas parecia que sua cabeça estava adormecendo também.
Amélia abriu os olhos, percebendo que estava em uma sala desconhecida e que dois homens a encaravam. O primeiro que ela pôs os olhos era jovem, talvez com seus 30 anos, ele lhe olhava com olhos atentos, o outro era mais velho, com seus 60 anos, e lhe checava a pressão.
Após uma breve conversa o homem mais velho é dispensado, obviamente sendo o médico. O mais jovem, o que a atropelou, se oferece para levá-la para casa. Sua cabeça estava latejando de dor, e seu corpo parecia ter levado uma surr*. Tudo que queria era ir para casa, tomar um banho quente e se deitar.
Amélia sentou-se no banco da frente, ao lado do homem que nunca tinha visto na vida, e a tinha atropelado. Olhava de canto de olho para ele. Era um belo homem. Quando abriu os olhos e encontrou-o a fitando, sentiu seu estômago revirar. Ele era alto, parecia ter dois metros. Ta! Dois metros era exagero. Talvez 1,90 de altura. Era largo, forte, tinha os cabelos bem curtos, como os dos rapazes que vão para o quartel, em um tom claro e uma barba arruivada cobrindo-lhe a face.
Pegou-se admirando os braços fortes, que delineavam os músculos sob a camisa social fina que ele usava. O peito largo, abdômen firme, as coxas torneadas sobressaindo na calça social. Voltou-se para o rosto e o encontrou olhando-a, com um sorriso malicioso no rosto. Virou-se para frente, sentindo seu rosto esquentar.
- Gosta do que vê?
- Estamos chegando. - Amélia aponta para uma casa mais a frente, e ignora a pergunta dele.
Ele estaciona e ela se vira para ele. - Obrigada pela carona. - Está prestes a abrir a porta do carro, quando lembra-se. - Ah você poderia me entregar aquele encaminhamento que o médico lhe deu? Eu vou marcar os exames, e pedir um atestado. Faltei uma aula hoje, e precisarei de justificativa. - Ela não precisa explicar tudo, mas ele meio que a intimida, então prefere deixar tudo às claras.
- Ah, sim… claro. - Ele vira-se para pegar no banco de trás. - Aula de que? - Ele pergunta curioso, e Amélia acha, que ele ainda desconfia que ela não tem 23 anos.
- Balé. - Responde simplesmente. Não daria informações de sua vida a um estranho.
- Legal… - Entrega-lhe o papel do encaminhamento e sorri abertamente, deixando-a ainda mais impressionada com sua beleza e masculinidade.
- Mais uma vez, obrigada. - Ela fala e sai do carro, sem olhar para trás.
Amélia vai direto para o banho. Todo seu corpo dói, o que obviamente é pelo acidente. Porque o cara não havia a levado para o hospital? Massageava-se pensando no que ele havia dito. O acidente foi perto da casa noturna dele, por isso a levou para lá, que era mais perto. Ainda tinha perdido a bolsa. - Que Dr*ga! - Amanhã, veria se alguém encontrou, ou teria que solicitar todos os seus documentos novamente.