Phillip McRoyt
Deito-me na minha cama pensativo. Byrne… esse sobrenome não me é estranho. Mas não lembro de já tê-la visto em qualquer lugar que fosse. Lembraria se a visse. Tão linda como é, com aqueles cabelos ondulados e ruivos, aqueles olhos de jade… Viro-me de lado e fecho os olhos. Amanhã daria um jeito de descobrir mais sobre ela.
Moro na antiga casa dos meus pais. Um casarão em um bairro nobre da cidade. Não tem porque sair daqui, afinal temos tantos negócios difíceis, que precisamos nos manter seguros e protegidos. E os três na mesma casa facilita.
Carl m*l dorme em casa, sempre nas noitadas da vida. Jordan é o chefe de tudo, então tem horários bem estabelecidos e sempre está com o dia cheio. Já eu, estou no meio termo. Tenho trabalhos importantes, como averiguar carregamentos, avaliar as finanças, e às vezes até mandar alguns recados para alguns devedores. Mas não abro mão da minha diversão e lazer. Que no caso é ir na Boate, ao qual sou sócio e algumas baladas da cidade.
Jordan se preocupa muito com nós, vive parafraseando nosso pai. “Somos mafios*s, não podemos vacilar!” Argh isso me revirava o estômago. Eu gosto da boa vida, da grana e do poder que temos. Mas não gosto da parte de ter que desconfiar de tudo e todos, não ser livre de verdade. Mas a vida é assim, não é mesmo? Tem seu bônus e seu ônus.
Levanto-me cedo, tomo um café corrido e vou para o escritório de fachada que temos no centro da cidade. De lá conseguimos mais contatos e despistar a renda familiar. Hoje o dia será cheio. A máfi* dos McRoyt está se organizando para executar um cara que deve há muito tempo, para uns comerciantes e parece que surgiu um papo de ele estar armando para eles. Agora querem se livrar dele antes que ele faça besteira, como por exemplo fazer acordo com a polícia.
Não acho boa essa parte de assassinat*s a sangu* frio, de pessoas que nem temos contato. Mas Jordan sente prazer em dar lições nas pessoas. Mostrar seu poder. Sente-se o dominador sobre todos. E é mesmo. Os McRoyt são temidos por todos, e ninguém ousa enfrentar-nos. Pelo menos não cara a cara. Já tentaram armar emboscadas para nós, mas somos os melhores. Não falhamos!
Digitalizo todos os nomes dos caras que encomendaram a morte do tal homem e os salvo em várias pastas em nuvens na internet. Esse é um dos meios que temos para garantir segurança, e poder usar quando precisarmos. Hoje também, terá um carregamento de arm*s, que terei de averiguar pessoalmente, parece que estão querendo mandar arma* a menos e nos passar a perna. Isso é cansativo! Não aprendem, que não somos bob*s.
O meio dia já chegou, vou almoçar no restaurante de um colaborador nosso. La Nostra Casa. São latinos, mas são gente boa. E tem a melhor comida da região.
Sento tranquilo em uma mesa para dois, enquanto aguardo meu pedido. Observo as pessoas ao meu redor, todas tranquilas e felizes, nem parece que existem milhares de problemas no submundo de Dublin, até que meus olhos param. Uma mulher de costas para mim, com os cabelos longos, laranjas, com reflexos dourados. Só podia ser ela. Está sentada com um homem mais velho, cabelos grisalhos, que lhe sorri ternamente. Não se parece nada com ela, mas acredito ser seu pai. Não posso imaginar ela tendo um caso com um homem tão mais velho. Levanto e vou em direção a eles.
- Olá, bom dia! - Minha voz sai grossa demais. Ela se vira para olhar e me perco mais uma vez naquelas pedras que ela tem no lugar dos olhos.
- Oh! - Ela parece surpresa. - Olá.
- Olá! - Ouço o homem dizer sério e me viro para ele.
- Desculpe interrompê-los, apenas vim me certificar de que Amélia está bem… - Disse voltando meu olhar para ela.
- Obrigada, estou bem sim. Meu pai me levou ao hospital para realizar mais alguns exames e está tudo bem. - Certo, então o homem era pai dela mesmo.
O homem o encara de cenho franzido. - Você é?
- Sou Phillip, infelizmente fui eu quem a atropelou ontem a tarde. - O homem me encara com o rosto sério.
- Tem de tomar mais cuidado, rapaz. A sorte que pegou uma escocesa forte, ou poderia tê-la quebrado! - Ouviu-a rir.
- Meu pai acha que por ter nascido na Escócia sou mais forte, porque dizem que nossos ossos são mais densos. - Solto uma risada, nunca tinha ouvido isso. Mas bem, eu podia dizer nesse momento que as escocesas eram as mais lindas. Ou pelo menos, essa era.
- Menos m*l então. - Digo dando um dos meus melhores sorrisos. - Se me dão licença, vou voltar ao meu lugar. - Nesse momento, Amélia encara seu pai.
- Pode sentar com a gente, né pai? - O pai franze o cenho.
- Claro, fique a vontade.
Sento ao lado de Amélia, e posso sentir o aroma floral frutal que emana dela, inspiro mais forte para guardar mais de seu cheiro. Ouço-a continuar o assunto com o pai, enquanto me explica algumas coisas enquanto fala.
- Eu faço balé. Amo dançar tudo, mas balé é minha vida. - Ela sorri e seus olhos brilham enquanto fala. - Vou ter uma apresentação daqui a três semanas, estou muito ansiosa. O médico do hospital me deu atestado de três dias, mas não acho que seja necessário. Estou bem, e não sinto nada doer.
- Mas eu não quero que arrisque, Méli. - Sinto uma coisa estranha em meu estômago vendo os dois conversando de maneira tão carinhosa na minha frente. É como se eu não estivesse ali, ou se eu fizesse parte deles, e não se importassem de falarem sobre assuntos pessoais na minha frente. Não cresci em um meio muito amoroso, e presenciar certas coisas me desconcerta. - Me preocupo com seu bem estar, você sabe…
- Ah pai, já perdi o ensaio de ontem, não posso perder mais nenhum! - Ela fala fazendo um bico engraçado.
O pai dela a olha contrariado. - Mas então eu a levarei, para não arriscar ser atropelada de novo. - Ele me encara ainda sério e desconfiado.
- Senhor…? - Falo querendo saber seu nome, estou prestes a me oferecer para levá-la, primeiro porque a atropelei e posso usar isso para dizer que me sinto responsável, depois porque quero ficar mais próximo dela, conhecê-la melhor… e quem sabe não rola algo?!
- Wellington Byrne. - Ele me responde parecendo orgulhoso.
No momento em que escuto o seu nome, sinto uma leve tontura. Wellington Byrne… Byrne… eu sabia que já tinha ouvido esse nome. Era o cara que tinha a mort* encomendada. P*ta que pariu! O pai de Amélia era o empresário ao qual eu estava participando dos preparativos para mat*r. M*rda! Tenho que sair dessa mesa.
- Tudo bem? - Escuto Amélia me perguntar, tocando levemente em meu braço. Seu toque faz arrepios percorrerem até meu pescoço.
- Sim… - Digo olhando-a e engolindo seco.
- Você ficou pálido…
- Lembrei que me esqueci de uma coisa muito importante, preciso ir. - Aceno com a cabeça e dou um pequeno sorriso a eles, e saio do restaurante.
Meu ar parece estar sendo sugado de mim. Merd*! Merd*! Se alguém tivesse me visto com ele poderia dar muita m*rda nesse caralh*. Volto para o escritório ainda em transe. A garota que me interesso é filha de um filho da mãe, caloteir*. Drog*! Se Jordan descobre me mat* também.
O resto do dia tem um rendimento baixo. Não consigo me concentrar. Minha cabeça volta para o sorriso, a voz baixa e suave, os olhos alegres e brilhantes. Passo em casa para um banho antes de ir para o local da conferência das arm*s. Preciso reagir, onde já se viu um McRoyt abalado por uma mulher. Uma menina, né?! Porque acreditando que ela tenha 23 mesmo, eu estou com 35, quando ela nasceu eu já estava com 3 namoradas.
A p*rra do carregamento estava errado mesmo, com cerca de 70 arm*s a menos, sendo assim por volta de 500 mil a menos. Jordan foi para o local e deu a maior confusão. Acabando com dois dos nossos baleados e um dos deles mort*. Eu odei* essa parte, eu tinha atirad* em alguns, mas nada para mat*r. Mas Jordan vai na cabeça, nosso pai ferr*u a cabeça desse homem, porque não pode ser normal essa raiv* dele.
Chego em casa e vou direto tomar um banho, sinto o cheiro de sangu* em mim, me esfrego tentando me livrar de toda aquela m*rda. Demoro debaixo do chuveiro, sentindo a água quente aquecer meu corpo. Fecho os olhos e lembro da risada de Amélia e sorrio também. Já estou ficando excitad*, a mera lembrança daquela menina. Me m*sturbo pensando nela, e naqueles cabelos que parecem tão macios e sedosos. - Dr*ga! Vou precisar comê-la! - Saio do banho e deito-me, tentando relaxar meu corpo tenso.