Carl McRoyt
Eu já estou de saco cheio de não me colocarem a par dos negócios. Sou tão da família quanto eles! Mas hoje eles vão ver só!
Entro no escritório que tem no andar de baixo de nossa casa e encontro Jordan concentrado no computador. - Jordan! Eu quero participar mais ativamente dos trabalhos. - Passo as mãos nos cabelos, extremamente curtos, como os mantenho sempre, e o encaro. - Fiquei sabendo que ontem à noite houve tiroteio, e nem fui convidado! - Estou indignado com isso!
Jordan me olha com o rosto impassível. - Você sabe que prefiro te deixar de fora dessas coisas. - Ouço e toda minha sanidade se vai.
- Pelo amor de Deus, Jordan, sou menos de 5 minutos mais novo e sou tratado como um adolescênte! - Grito com ele, fazendo ele travar os maxilares, mas não sai de sua postura.
- Talvez seja, porque haja feito um ainda. - Ele me diz, e meu sangue ferve nas veias. Tento manter a calma, afinal é essa minha mania de agir por impulso, que faz com que pense assim.
- O que precisa que eu faça, para que eu prove que isso não é verdade?
Jordan parece pensar no que eu digo, então digita algo em seu computador e me chama para ver.
- Esse homem da foto. - Ele aponta para a imagem de um homem na tela do computador. - Se chama Welligton Byrne. Sua m*rte foi encomendada há alguns dias atrás. - Escuto com atenção, sinto que vem uma tarefa pela frente. - Eu estava cogitando recusar a proposta. - Ele passa as mãos no rosto. - Phillip acha que nos arriscamos demais com esses assassin*tos, e está certo. Mas descobri uma coisa, que me fez querer m*tá-lo. E nem precisam me pagar para isso.
- O que é? - Estou ansioso para saber sobre tudo. Enquanto ele me explica, sinto que chegou a hora de eu entrar de vez nos negócios. Minha pele se arrepia a cada detalhe contado. Gosto dessa adrenalina, desse poder de decidir quem vive e quem morr*.
- Entendeu?
- Sim… - Digo deixando brotar um sorriso nos lábios.
- Então repita! - Ele me fala seco, e me sinto como o menino que era sempre duvidado quando criança. Engulo seco e ponho-me a repetir.
- O velho sumiu, mas deixou uma pessoa em casa. Suspeitam que seja filha dele pela idade, ou alguma namorada. E para mandar um recado, devo mat*r a garota.
- Ótimo! Pelas investigações de nossos homens, a garota sai algumas noite, e hoje será uma delas. Às 19 horas. - Ele diz e volta-se para o computador.
- Feito. Manda a localização e farei o trabalho.
Saio do escritório de Jordan animado. Hoje a noite promete! Já fiz vários serviços sujos, mas nunca um pessoal, para nós, esses sempre eram executad*s por Phillip, ou Jordan. Não gostavam de confiar coisas difíceis e perigosas a qualquer um. Sinto um certo desgosto. Por minutos de diferença, nosso pai me desqualificava e quase me deu para adoção, se não fosse Phillip implorar por mim, aos 11 anos, ele teria me colocado em um orfanato. Tudo por que não quis mat*r um gato e tirar as trip*s dele. Ele dizia que eu tinha que ser forte, como meus irmãos. Mas eu sempre soube, que Phillip não gostava daquilo, e Jordan não falava, mas eu sentia, afinal somos os três como um, que ele também não gostava daquelas cr*eldades com os animais. Pelo menos no começo. Agora eu duvidava que ele tivesse algum coração. E bem, eu não posso dizer que o tenho também. Aprendi com meu pai a não ter.
Passo por Phillip na sala, ele me dá um tapinha nas costas e se dirige para o escritório. De certo vão organizar as coisas para limpar a barra depois do assassinat*.
Entro em meu carro e recebo a mensagem com a localização do local que devo exec*tar o serviço. Maneio a cabeça e sorrio. - É hoje, caralh*! - Arranco e saio em alta velocidade.
Aguardo o horário com os olhos fixados na porta de entrada do Estúdio de Balé. Vai ser divertido ver aqueles mimados engomadinhos desesperados.
Vejo um carro se aproximando, me ajeito no banco do carro e miro.
A porta do lado do passageiro se abre com força, me assustando e fazendo virar a arma em direção a quem quer que seja.
- Tá doido Phil? - Volto os olhos para frente, vendo a garota ruiva sair de dentro do carro. - Quase que te mato. - Falo sorrindo e destravando o gatilho.
- Larga a arma, Carl. - Escuto Phillip falar e o olho intrigado.
- Como assim? Jordan não me mandou nada que a operação estava cancelada.
- Droga! Carl! - Ele soca em direção ao porta luvas. - Jordan vai querer meu rim.
- O que? - Estou sem entender nada! Esses dois precisam aprender a se comunicar melhor.
- Atira agora no carro! Em todo ele.
- Mas… - Tento questionar, mas então ele saca uma arma e mira.
- Agora Carl! Depois te explico.
- Merdaa! - Ponho-me a atirar, como se eu precisasse acabar com o carro. Phillip atira como se esse fosse o seu alvo predileto. Depois de alguns minutos, ele me grita.
- Arranca! - Nem sei como, mas quando vi estávamos dentro da mansão.
- Que merda foi aquela Phillip? - O encaro e o vejo pálido e mudo. - Phillip… - Chamo seu nome entrando em parafuso. Não me lembro de já tê-lo visto com cara de assustado.
- O que houve lá? - Jordan entra na sala de entrada, onde estamos e interroga. Viro-me para ele e antes de começar a me explicar, Phillip toma a palavra. Finalmente, pensei que ia ter que segurar a barra sozinho. Porque independente do que fosse, não jogaria para Phillip a responsabilidade. Ele é meu melhor amigo, e sei que se ele foi lá, alguma coisa tem!
- Eu o impedi de matar a garota. - Ele diz com semblante sério para Jordan. Eu podia sentir a tensão se formando. Os dois eram exatamente iguais. Não tinham um traço sequer diferente. Se eu não os conhecesse a minha vida inteira não saberia diferenciar.
- Eu disse para não se meter! - Jordan não falou, ele berrou com Phillip.
- Eu disse que não iria permitir que matasse a garota. Ela não sabe de nada.
- E eu te perguntei como sabe disso, e pelo que bem me lembro, você disse que não sabia. - Jordan se aproxima de Phillip com os olhos estreitos.
Phillip parece confuso, então passa as mãos no rosto, e o que ele fala me choca. Mas não somente a mim, mas também a Jordan, que empalidece e dá um passo para trás.
- Estou apaixonado. - Ele diz em um sussurro, que m*l escuto, então ele repete mais alto, como se aquilo começasse a fazer sentido para ele. - Eu estou apaixonado por ela.
- Tá zoando! - Digo maneando a cabeça.
- Pelo amor de Deus, diga que esse traste tá certo! - Jordan fala por entre os dentes, me fazendo encarar Phillip, à espera de uma resposta. - Mas vendo que Phillip não respondia ele insistiu. - Onde, quando e porquê? - Bradou.
- Eu… eu a atropelei, sem querer, dia desses… e - Ele balançou a cabeça. - Não sei.
Jordan parecia que iria explodir a qualquer momento, seu pescoço estava vermelho, e uma veia nervosa pulsava.
- Você… - Colocou o dedo no peito de Phillip. - Você vai matá-lo. Ou eu mato ele e ela. - Ele volta a falar com a voz baixa, e assustadoramente ameaçadora. Não lembro-me de ele nos ameaçar, ele apenas era durão, e nos dava algumas broncas. Mas dessa vez eu senti o peso da fala, Phillip não respondeu, mas eu pude sentir, que era como se estivessem ameaçando sua própria vida.