Akai Ito

1217 Words
Tobias e sua mania de fazer minha vida dar um duplo carpado melhor que a Daiane do Santos com uma mensagem! É isso, nos veremos pessoalmente e ele ficará cerca de uma semana comigo no meu apartamento, como vou aguentar e não surtar todo dia com esse homem aqui? Vou me trancar a cada meia hora para um ataque de felicidade pura e depois sair como se nada tivesse acontecido.     Tobias   Já estou no aeroporto, logo embarco para Guarulhos. Me passa o seu endereço.   Ué pra que?   Vou pegar um Uber até ai, não quero que venho ao aeroporto sem necessidade.   Tem necessidade sim! A de te buscar.   Darling, me escuta. Estou tentando te manter segura.   Tobias por favor.   Darling...   Tá, vou te passar o endereço.     Ele embarcou no avião para Guarulhos a algumas horas. Isso quer dizer que tenho pouquíssimo tempo para deixar esse apartamento um brinco! Do tipo se eu passar de saia vai dar para ver até minha calcinha refletida no piso. Com o espírito da Graça limpei aquele apartamento todinho por fim tomando um banho de rancar o couro. Vesti a minha melhor roupa e com meu cabelo colaborando o deixei do jeitinho que eu gostava: Volumoso com ondas. Me sentei no sofá inquieta olhando a hora a cada cinco minutos, batendo o pé, roendo a unha, mas não importa o que eu fizesse a hora não passava. Pois é Adriana Calcanhotto, o relógio também está de m*l comigo. Estava a beira de um colapso nervoso até que...   Toc toc   Meu coração chega foi para os pés! Arrumando o cabelo e os p****s no lugar corri até a porta parando um momento antes de abri-la para me recompor e não ficar parecendo a louca surtada. Quando abri a porta, quem estava lá não era nada mais nada menos que... O síndico. Meu sorriso se desmanchou de uma maneira que só me faltou dar câimbra na cara. — Boa tarde seu Valdir... — A minha cara de b***a deixava claro a minha insatisfação em vê-lo. — Boa tarde Rebeca, como está? — Bem. Em que posso ajudá-lo? — Só gostaria de te lembrar sobre a reunião do condomínio. — Ele sabe que eu nunca ia a essas reuniões, mas mesmo assim sempre me convidava, ainda mais durante uma pandemia! — Tente ir, vou levar meu famoso empadão. — Ah, tá eu vou tentar, mas agora eu preciso ir estou meio ocupada. — Ia dizendo já fechando a porta para não dar chance para ele falar mais nada. Fechei totalmente a porta revirando os olhos, que hora mais inoportuna para bater na minha porta... m*l tive tempo de concluir os meus pensamentos...   Toc toc toc   — Aí pelo amor de Deus... — Possessa fui abrir a porta. — Seu Valdir eu já disse que vou tentar ir a... Quando abri a porta faltei cair para trás. Senti minhas cordas vocais sendo arrancadas da minha garganta pelo tanto que fiquei o olhando sem voz alguma. — Estava esperando outra pessoa? — O ouvi dar um riso nasal. — Você está aqui mesmo... — Sussurrei em choque. — Estou... — Pela forma como a máscara se mexeu sabia que ele estava sorrindo. — Darling não tem noção do quanto eu quero te abraçar agora, mas acho melhor não. Porra de pandemia! — E-entra! — Enfim sai da sua frente permitindo que ele entrasse e fechando a porta logo em seguida. — Se importa se eu tomar um banho? — Só então percebi que ele arrastava uma mala. — Claro que não. Vem comigo. — O guiei até o meu quarto. — Como eu te disse não tenho quarto de hóspedes. Ele riu como se eu tivesse falado a coisa mais absurda do mundo. — Darling... — Encostando a mala na parede ele parou bem na minha frente me olhando nos olhos. — Acha mesmo que eu me incomodo de dormir na mesma cama que você? Corei na hora! Como eu queria jogar ele nessa cama e arrancar a roupa dele no dente! — Vou tomar banho para poder te abraçar. Ele saiu do quarto sem tocar nem o tecido do moletom em mim. Essa pandemia veio para jantar todo mundo sem nem um cuspe para aliviar. — BABY POSSO DESFAZER SUA MALA? — Gritei do quarto. — NÃO! — Respondeu do banheiro. Admito que eu não estava esperando por essa resposta, mas tudo bem, privacidade e espaço. Então apenas me sentei na cama esperando por ele balançando minhas perninhas que não tocavam o chão. Até que um verdadeiro Deus grego me entra só com uma toalha amarrada na cintura com o peito e cabelo molhado. Dessa vez não deu nem para disfarçar, meu queixo caiu e o fogo subiu. — O que foi? — Perguntou rindo. — Sei lá, talvez seja um deus grego pelado na minha frente. — Respondi rindo também só que de nervoso. — Eu ainda não estou pelado. — Disse se aproximando de mim. Engoli tão seco que até doeu. — Eita. — Foi o que saiu. — Vou deixar você se trocar. Sai daquele quarto mais que o flash correndo para fazer merda na linha do tempo. Por que eu fiz isso? Porque sou uma i****a! Burra! Jumenta! Peguei uma almofada do sofá e literalmente enfiei a minha cara nele dando um grito abafado. — Tô bem, tô bem. — Repeti a mim mesma para acreditar na mentira. Não demorou muito para que ele saísse vestindo uma camiseta azul, moletom e segurando algo na mão. — Se eu não te conhecesse acharia que está fugindo de mim. — Riu se aproximando. — Eu? Magina! — Merda! — Eu vi isso aqui antes de vir para o Brasil, então comprei para você. — Ele sentou ao meu lado me entregando um envelope. — Tobias... Não precisava... Não sei reagir quando me dão presente. — Disse o fazendo rir. — Abre! Com as mãos tremendo abri aquele envelope vendo que havia um par de pulseiras de fio vermelho. — Tobias... É lindo... — Sorri analisando aquela pulseira. — Já ouviu falar em uma lenda japonesa chamada Akai Ito? — Perguntou pegando as pulseiras. — Não. — Bom. Basicamente a lenda diz que estamos ligados a pessoas por um longo fio vermelho, ele pode esticar, enrolar, mas nunca se rompe. — Ele sorriu tirando a pulseira e colocando no meu pulso. — Diz que aqueles que são ligados pelos deuses por esse cordão, estão destinados a ficarem juntos independente da hora, do local ou das circunstâncias. Quase chorei vendo aquela pulseira no meu pulso, seria mais fácil a minha mão cair do que eu tirar essa pulseira do meu pulso. O vi colocar a outra pulseira no pulso e quando ele se aproximou de mim as bolinhas se atraíram juntando-se. — Tobias... — É assim que nos vejo... Como almas que estavam destinadas a se conhecer apesar de tudo, afinal quais as chances? — Ambos soltamos um riso nasal. — Os imãs significam que eu sempre vou voltar para você de alguma forma e eu espero que você para mim. Meus olhos estavam marejados tamanha a minha emoção! Não consegui dizer uma única palavra, apenas pulei em seus braços o abraçando com todas as minhas forças e com toda vontade que senti nas últimas semanas.
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