Epílogo parte 1: Finalmente pai

2195 Words
Josef dirigiu até a casa de Ana, na porta de entrada tocou o interfone, não demorou muito até uma voz feminina e triste atender. -Quem é? -Sou eu meu amor. -Como vou saber que é verdade? -Pode deixar, já vou te provar. O licantropo tirou suas garras para fora, fumaçando na parede, assim subindo até a sacada do apartamento, ao ver Josef, Ana correu em sua direção, o abraçando fortemente enquanto chorava. -Seu i****a, eu achei que você tivesse morrido. Ele agarrou a cabeça dela virando em direção ao seu rosto, logo dando um grande beijo em sua boca. -Eu não iria abandonar vocês duas dessa maneira. -Ecaa vocês tão se beijando. Foi possível ouvir da entrada do quarto a voz infantil de Alice, Josef então foi até ela, mas ao se aproximar ela deu alguns passos para trás. -Desculpa, acho que eu acabei me emocionando. -Tá tudo bem, é só que você tá todo sujo, depois que você tomar banho eu aceito o abraço. Josef sorriu ao ouvir as palavras da garota “é claro” ele então entrou no banheiro, onde tomou um longo e demorado banho, já faziam dias desde seu último, agora com a água quente que escorria sobre seu corpo, sentia um alívio, como se finalmente tivesse livrando-se de um peso, ele não sabia bem do que, mas sabia que estava melhor agora, quando saiu vestiu uma muda de roupa que estava por ali, uma camiseta verde de manga curta, calça de moletom de chinelo, então foi até as duas que estavam na sala comendo salgadinho e assistindo “Como treinar o seu humano”, onde um dragão adotava um humano e tinha que manter-lo vivo. -A eu adoro esse filme. -Exclamou o homem ao entrar na sala. -Então vem aqui assistir com a gente. -Respondeu a mulher. Josef sentou-se ao lado de Ana, passou seu braços por trás do pescoço dela e fez carinho na cabeça de Alice que estava do outro lado, ao sentir a grande mão de Josef ela encostou sua cabeça no peito de Ana, não demorou muito para ela dormir ali, Josef aproximou sua sua boca do ouvido de Ana e conchichou: -Sabe, eu acho que vou gostar bastante dessa nossa vida, vou tentar voltar ao meu trabalho antigo, vai ser legal ser normal de novo. -Também acho, realmente é uma ideia legal, você era policial né? -Sim, pode se dizer que eu era bom no que fazia. -Por mim seria ótimo, aí eu cuido da Alice. -A tem mais uma coisa, esse apartamento é alugado? -Sim, por que? Tá querendo comprar uma casa? -Ela fala dando uma risadinha. -Na verdade eu tenho uma, faz alguns anos que não piso lá, talvez esteja na hora de te contar de antes de entrar na organização. -Sério? Se você não quiser, não precisa. -Eu era um detetive, Fazia bem meu trabalho, aquele dia eu saí de manhã cedo, dei tchau pra minha mulher, ela estava linda, estava grávida… -Ele interrompe brevemente a frase, engolindo em seco. -Eu e Luna passamos o dia na delegacia, resolvendo a papelada de um caso solucionado no dia anterior, eu tava animado, nós íamos sair aquela noite, íamos em um restaurante chique, o nome era Village, mas quando cheguei na porta de casa, ela estava entre-aberta, quando terminei de abrir vi minha esposa ali morta, com meu filho nós braços, quando fui atrás do que matou ela fui recrutado, eu apenas fechei a casa e fui embora após o funeral, não me despedi de ninguém, não fiz as malas, apenas deixei tudo como estava e fui embora. -Nossa, não sabia de tudo isso, é por isso que você fez tudo que fez? -Por um tempo, mas aí você apareceu e eu não podia deixar você morrer, bom acho que agora estou pronto pra voltar para aquela casa, de preferência com você junto. -Claro, por mim pode ser, se você estiver bem com isso. -Tô sim. Em torno de três dias eles já haviam preparado tudo para a mudança, então foi só carregar o caminhão e ir, eles partiram para uma casa na saída de Nova York, uma casa relativamente grande, de alvenaria, um lugar lindo cercado por mata, ao parar o carro em frente a casa os olhos de Josef se encheram de lágrimas, ele ficou alguns instantes ali paralisado, quando ouviu a doce voz de Ana. -Tá tudo bem meu amor? -Tá sim, foi só… Não foi nada, não se preocupe. -Ele exclamou dando um sorriso e limpando uma lágrima que descia pelo lado direito de seu rosto. -Vamos. Eles desceram do veículo, aproximando se da casa que possuía um teto estendido um pouco para frente, sustentado por pilares que saiam do chão feito com lajotas brancas, assim como a parede da frente, as demais paredes da casa eram cinza escuro, com o telhado de telhas. Josef encaixou a chave na porta, ouvindo um “clac” baixinho, ao abrir a porta com seu olhos marejados encontro a casa exatamente como deixou, dando de frente com sua sala de estar, aquele chão de madeira escuro com uma mancha de sangue, sofá de couro, paredes bege, a frente do sofá uma lareira, com algumas fotos de Josef e sua ex-esposa emolduradas, junto a uma bela televisão com os acabamentos em alumínio, Ana se aproximou por trás, o envolvendo em seus braços. -Se você quiser podemos ir embora. -Não, tá tudo bem, é só porque fazem alguns anos que não vejo esse lugar. Eles adentraram a casa, Luna corria feliz reconhecendo a casa e procurando por Mary, logo foi possível ouvir o barulho na porta dos fundos, mais especificamente na portinha para cachorro, que levava a um pequeno jardim nos fundo e a floresta, Josef apresentou a cozinha, um espaço amplo, com uma ilha de tijolos a vista com portinhas de mogno e tampo de eucalipto, os demais balcões da cozinha tinham a cor branca, assim como a parede, o chão se mantinha sendo madeira escura, como por todo o resto da casa, era tudo como Josef lembrava-se, com a diferença que agora havia muito mais ** por cima dos móveis e o cheiro de comida da cozinha agora havia assumido o cheiro de comida podre e casa fechada, pois o que havia na pia, geladeira e balcões apodreceu ali, ainda no andar de baixo tinha um banheiro simples, com chão de lajota escura e paredes cinza claro, vaso sanitário preto, assim como a Cuba da pia, que tinha seu balcão feito de madeira de mogno com portinhas de vidro e não encostava no chão, pois Josef o havia fixado a parede, além disso ali ainda tinha um box de vidro com um pequeno degrau para baixo na entrada. Enquanto Ana e Alice terminavam de olhar o andar de baixo Josef foi para trás de casa, onde encontrou Luna deitada em frente a uma cruz, que tinha a escrita “Mary Willians” o Licántropo fez o sinal da cruz, sentou-se ao lado de Luna, apoiando sua mão na cabeça do animal. -Oi meu amor, sabe eu tô tentando seguir em frente, eu amo minha nova família, mas ainda sinto falta de você todos os dias, agora entrei nessa casa, todas as lembranças voltaram, mas eu entendo que não posso fazer nada agora, talvez se eu tivesse chegado alguns instantes antes, é sempre isso, “se eu tivesse chegado antes” mas nunca chego, enfim, me perdoa, prometo fazer melhor dessa vez. Josef levantou-se dali, com Luna o seguindo de volta para dentro de casa, onde encontrou as garotas maravilhadas com o lugar. -Sabe acho que vamos ser muito felizes aqui amor. -Falou Ana enquanto olhava para todos os lados. -Também acho. -Podemos ver o andar de cima? -Claro, a casa é de vocês também agora, vamos. Eles subiram, chegando a um corredor que possuía duas portas de mogno ao entrar na primeira porta encontram um quarto de casal, cama de madeira nobre com gavetões em baixo, um lençol cinza esticado na cama, um guarda roupa feito nos mesmos moldes da cama, pois foram comprados em conjunto, um grande tapete que ficava embaixo da cama, com suas bordas circundando-a, além de uma penteadeira feita do mesmo material que os demais móveis e uma janela na cabeceira da cama, que dava vista para a frente da casa, local cujo possuía um pequeno lago com peixes. Já na porta ao lado, um quarto com um pequeno berço, uma cômoda de mogno, chão de madeira escura, além de uma pequena poltrona cor de areia, em sua frente um tapete azul redondo e ao seu lado uma caixa de brinquedos feita de eucalipto, eles começaram a arrumar a casa, começando pelo quarto de casal, onde todos dormiriam naquela noite, logo em seguida limpando a cozinha para tentar livrar-se do terrível odor que tomava conta do lugar, pouco tempo se passou e eles haviam limpado quase tudo já, quando o caminhão finalmente chegou com os pertences, até o anoitecer a maior parte das coisas já estavam no lugar, Josef arrumou, enquanto Ana fazia o jantar, mais tarde naquela mesma noite estavam todos deitados na cama, com Alice ao meio dos dois, Ana e Josef estavam se encarando apaixonadamente, quando o homem derreter-te sentiu um braço passar por cima das costelas e uma cabecinha encostar em seu peito, ao olhar para baixo viu a garotinha abraçada fortemente nele enquanto dormia, o ex-agente acariciou a cabeça da criança, enquanto Ana aproximou-se um pouco mais, abraçando os dois. Já haviam passado-se três semanas, Josef havia recuperado seu cargo na polícia, até mesmo sendo promovido a tenente de um esquadrão de operações especiais, afinal seu tempo na organização Ordo In Chao também contava, pois era um órgão governamental, a promoção incomodou algumas pessoas, pois ele simplesmente sumiu e agora voltou com um cargo ainda mais alto, durante o dia ele via algumas pessoas o olhando estranho, cochichando, mas nada demais, até um dia quando estava saindo do trabalho e enxergou um homem alto, cabelo loiro penteado para trás, vestindo uma farda encostado de costas em seu carro, encarando Josef. -Desencosta do carro. -Ou o quê? Vai sumir por mais alguns anos? Enquanto ele falava isso mais dois policiais se aproximaram, um de estatura mediana, pele clara e careca, já o outro sendo n***o, cabelo curtinho, estatura média também, todos fardados, Josef aproximou-se do homem loiro, que parecia alto, até o encarar de baixo para cima. -Eu tô avisando. Neste momento o tenente ouviu movimentação vindo por trás, o homem de cabelo castanho havia avançado em direção a Josef na intenção de acertar um soco, sem nem olhar o licantropo desvio para o lado, passou o pé na frente das pernas do homem, o fazendo perder o equilíbrio, enquanto já estava no ar para cair Josef empurrou sua cabeça contra o chão, que rapidamente ficou ensopado em sangue, o homem n***o então afastou-se. -Vamos lá j**k, você viu o que ele acabou de fazer, vamos levar o Marcus para o hospital. -Cala a boca Sam. -O j**k falou apontando uma pistola na direção da cabeça de Josef. -É melhor escutar ele i****a. No instante que terminou de falar sentiu que algo estava prestes a acontecer, então deu um soco para cima na arma de j**k que disparou, seus olhos brilharam em vermelho, ele pegou o homem pelo pescoço, erguendo do chão, Sam vendo aquilo fugiu, Josef encarava o homem no fundo dos olhos, ainda com seus olhos na coloração vermelha. -Eu dei chances de mais para você, ponha-se no seu lugar, eu sou um tenente p***a. -Ele gritava com sua voz já meio modificada, assumindo um tom mais grave. -m***a, sua aberração. -Tem razão, eu sou mesmo. O Tenente então jogou o policial no chão, de costas, ao lado do outro moribundo, pisou em seu peito enquanto segurava seu braço direito, começando a torcer torcer para a esquerda, foi possível ouvir o som dos tendões e ligamentos rompendo-se, assim com o osso do braço quebrando, ele se contorcia de dor, tentando agarrar a perna do tenente, enquanto gritava desesperadamente,, neste momento foi possível ouvir uma voz atrás de Josef, “Tenente pare agora, ou você está demitido”, aquela era a voz do seu chefe, então ele soltou j**k que se contorcia de dor no chão. -Josef pra minha sala agora. -Sério que eu ainda vou me incomodar? -É claro que sim, eu recebi a informação de que você quase tinha matado um policial, quando cheguei aqui você estava quebrando o braço de outro. -Certo, tô indo. Josef então apenas voltou para dentro do prédio, indo direto ao gabinete do chefe de polícia, que entrou logo atrás. -Olha você não pode fazer essas coisas, só te perdoaram pelo que você fez, pois foi em legítima defesa, mas era uma organização importante, o que você acha que vai acontecer se você começar a bater em policiais por aqui. -p***a eles vieram para cima, tanto que a única arma fora do coldre é a daquele bosta. -Para sua sorte você tem uma testemunha que fala o mesmo, só não vacila, o governo já está de olho em você. -Tá bom, obrigado pelo aviso.
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