-Olha Josef eu não sei se essa profissão é pra mim, tudo que aconteceu hoje, eu não sei se vou esquecer isso um dia.
-Eu entendo, bom se você preferir ficar em casa, não se envolver com isso, acho que é até melhor, menos perigoso.
-Sim, sem falar no quão h******l é tudo que eu vi nas últimas horas, o que mais me preocupa, foi a sua calma, foi como se aquilo fosse normal.
-Não é normal, mas também não é tão incomum, talvez eu só tenha me acostumado.
-E o que vamos fazer com ela?
-Se ela tiver com quem ficar, deixamos na polícia, se não podemos levar para casa, eu consigo documentos novos e cuidamos dela.
-Você quer dizer adotamos? Não acha muito cedo, recém nos conhecemos.
-Bom então eu posso adotar, só não vou deixar ela largada em um orfanato, não depois de tudo que ela viu e passou.
Mais algum tempo se seguiu, quando a garota começou a abrir seus olhos…
-Aaaaaa!
-Ei calma, tá tudo bem.
Ana falava tentando acalmar a garota que já estava encolhida contra a porta do carro.
-Onde eu tô? Quem são vocês?
-Calma garota, senta aí e põe o cinto que já paramos em um lugar pra comer e te explicar tudo. -Exclamou o agente.
O grupo seguiu pela estrada cerca de mais vinte minutos quando acharam um lugar abrindo, afinal agora já era por volta das sete da manhã, era uma casa grande com um deck de madeira, postes de luz nos quatro cantos e diversas mesas de madeira, na frente havia um banner escrito “aqui temos caldo de cana", eles então pararam ali, ao descer do carro era visível que a menina ainda estava fraca, afinal m*l conseguia caminhar, Josef foi até ela, a ergueu do chão e levou no colo até a mesa mais próxima, onde a colocou sentada, Ana e Luna sentaram ali junto da garota.
-O que vocês vão querer? Eu vou lá fazer o pedido pra gente.
-Qualquer coisa, já faz dias que comi pela última vez.
-Eu quero um caldo de cana e pastel.
-Tá já volto.
Josef então entrou no local, enquanto as três ficaram do lado de fora esperando, a garota olhava em volta assustada, pois não sabia onde estava, quem eram aquelas pessoas ou como foi retirada daquele lugar terrível, mas estava igualmente feliz, afinal seu pesadelo tinha acabado. Algum tempo se passou e o homem chegou de volta a mesa, com uma bandeja contendo três pastéis, além de três caldos de cana com gelo e limão.
-Eu morri e você são anjos?
-Não garota, nós salvamos você, eu matei aquele i*****l.
-Você por acaso tem alguma família, pai, mãe ou algum avô com quem possa ficar?
-Não conheço meus avós, meu pai e minha mãe se separaram antes de eu nascer. Não sei nem quem é ele. Eu fui sequestrada a alguns dias, não sei ao certo o tempo, lá dentro tinha sempre o mesmo clima, luz, era sempre igual, mas eu ouvi a voz da minha mãe a algum tempo atrás, talvez ela tenha ido me buscar.
-Como era sua mãe?
Josef fala enquanto nota que a garotinha já havia comido todo seu pastel, então entregou o dele para a garota.
-Pode comer o meu também.
-Mesmo?
-Sim pode, mas voltando ao assunto, sua mãe?
-A é, ela é loira, um metro e setenta mais ou menos.
Josef olhou para Ana que estava do outro lado da mesa e fez cara f**a, ela ficou o encarando sem entender o porquê, então ele olhou para a garotinha novamente.
-Deixamos isso pra depois, agora pode aproveitar sua comida e depois vamos embora.
-Mas pra onde vocês vão me levar.
-Pra casa dela.
Josef fala apontando com a cabeça para Ana.
-Caso a gente encontre sua mãe, aí sim.
-Ela tá morta?
Josef e Ana se entreolharam, o homem então olhou nos olhos da garota.
-Infelizmente sim, nós tentamos salvar ela, mas não deu.
Nesse momento a menina desabou em choro, a ponto de tentar comer e não conseguir pois estava soluçando. Josef apenas juntou suas mãos em cima da mesa, apoiando sua cabeça nelas, Ana então foi até a menina, se ajoelhou e a abraçou.
-Vai ficar tudo bem, a gente vai cuidar de você.
A criança permaneceu em silêncio, já terminando de comer enquanto chorava, Josef então levantou-se, foi até ela, apoiou sua mão no ombro da menina enquanto a encarava.
-Ei garota vem comigo, vou te contar uma história.
Ela olhou para cima, então levantou-se, eles se afastaram de Ana e Luna que ficaram lá sentadas.
-Fazem poucos anos que perdi as pessoas que eu mais amei, de manhã dei tchau para ela, era minha esposa, a mulher que carregava meu filho na barriga, eu saí para o trabalho junto com Luna, quando cheguei em casa encontrei ela jogada no chão da sala, meu filho nos braços, ela estava com as tripas para fora, então eu matei o monstro, levei algum tempo para seguir em frente, mas te garanto que se você se permitir ter novas pessoas na sua vida, tudo vai melhorar, eu tinha a Luna, depois uma outra amiga, depois a Ana, o que eu quero dizer é pra você se permitir seguir em frente, eu entendo que você vai ter seu tempo de luto, mas não fica presa nisso, não vai te ajudar, eu quase morri por conta disso.
-Tá bom, obrigada, você pode me ajudar?
-Claro, quando precisar eu tô aqui, vamos voltar.
-Sim.
-Só antes de ir, qual seu nome e idade?
-Meu nome é Alice, tenho dez anos.
-Ótimo, eu sou Josef, vamos pro carro agora?
-Vamos.
Eles então voltaram para o carro juntos, onde encontraram Luna e Ana, Alice agora estava com a cara um pouco melhor, permanecia triste, mas não estava mais chorando.
-E Ai ta melhor?
-To sim, ele é até legal.
-É sim, ele parece grande e forte, carrancudo, mas é uma pessoa muito legal.
-Tá bom meninas vamos entrar.
Josef fala já do outro lado do carro, enquanto abre a sua porta, Luna entrou primeiro, seguido do Homem que sentou no banco do motorista, sentando na mesma formação anterior. Eles seguiram viagem para Detroit de volta, como foram com mais calma levou dois dias, quando chegaram à cidade Josef as levou até a frente do apartamento de Ana.
-Meninas podem descer, vou ir resolver uma coisa, qualquer coisa você pode m***r, se desconfiar que é hostil, não existe.
-Ok, mas o que você vai fazer?
-Resolver essa bagunça toda, quero conferir uma coisa, acho que a Eva é a Vurkovit, afinal a única pessoa de alto escalão que pode proteger os metamorfos… É ela.
-Tá, vou levar as duas para dentro, boa sorte lá.
-Obrigado, pra você também.
Nesse momento Josef inclinou-se na direção de Ana no banco de trás e a beijou. As três saíram do carro, Josef ficou ali as observando entrar, com o sentimento de que aquela seria última vez que as veria, então deu um breve sorriso e partiu dali. Chegando ao grande prédio espelhado ele estacionou, mas dessa vez do lado de fora, pegou seu diário e começou a escrever.