O hoteleiro

1982 Words
Os três entraram no carro e saíram dali, em direção ao centro da cidade, não demorou muito para eles chegarem a frente de um prédio bege de três andares, com apenas três luzes de apartamento ligadas, nas paredes eram visíveis grandes rachaduras e o letreiro luminoso escrito hotel ficava falhando constantemente. Os três adentraram o local, que por dentro era tão decadente quanto por fora, as paredes verde escuro, chão de madeira escura, a luz piscando e no balcão um homem homem por volta de seus 25 anos, extremamente magro, cabelo sujo, além de pálido, vestindo um suéter já bem gasto. -Senhor gostaríamos de um quarto. Ao falar isso o homem abaixou-se lentamente atrás do balcão, ainda com um ar mórbido, ao levantar novamente ele sorria, seus olhos estavam arregalados dando para ver até mesmo as veias em volta deles, enquanto estendia a chave para Josef. -Seu quarto é o 301, Lembre-se de trancar bem a porta do quarto e tenha uma boa noite -Ok, obrigado, eu acho. Josef falava enquanto pegava a chave, logo o trio se afastou do homem enquanto Ana cochichava. -Certeza que é uma boa ideia ficar aqui? -Quase certeza que não, mas o pior que pode rolar é eu m***r mais alguém. -Tá bom, só queria pode dormir tranquila com você, eu tô exausta. -Não se preocupa, essa é uma ótima opção. Enquanto o grupo subia as luzes dos corredores não funcionavam, o local era extremamente frio, além de ter uma leve neblina, a sensação de ser observado era constante, às vezes eram quase visíveis silhuetas os observando, mas Josef não escutava nada, apenas sentia um cheiro forte de carne podre e sangue que vinha de todas as direções praticamente, nem mesmo dos apartamentos que tinham as luzes ligadas era possível ouvir algo, chegando no terceiro andar eles entraram no quarto rapidamente, afinal era o mais perto das escadas. -Amor, você sentiu aquilo na vinda pra cá? -Sim, o pior é que não tinha som nenhum, mas tinha um cheiro terrível, se você quiser podemos ir dormir no carro. -Não, se tiver algo aqui temos que m***r, é nosso trabalho. Agora observando o quarto com mais calma era até melhor que o esperado, paredes bege, cama de ferro branco com um colchão meio fino coberto por um lençol xadrez, com uma porta que dava para um banheiro, o banheiro era de lajotas amareladas, luz fraca assim como no quarto e um vaso sanitário marrom igual a pia, ambos tomaram banho, em tempos diferentes para que assim alguém sempre ficasse de guarda, Josef também aproveitou para escrever seu diário no tempo livre. " Hoje chegamos em Port Jervis, encontramos um metamorfo e seguimos ele, o desgraçado ainda tentou me dar uma facada, mas eu soquei ele até não poder mais, depois invadimos uma casa de metamorfos, onde matei outro deles, duas metamorfas fugiram e se esconderam em um Bunker, que eu invadi, quando eu tava lá embaixo algo estranho aconteceu, as portas do lugar se fecharam, acho que foi Ana, ela tava estranha o dia todo, com isso um sinal de alerta soou e um lobisomem bem forte, todo preto com olhos, boca e veias emanando uma luz azul saiu e me atacou, ali também serviu pra eu ver que nem todo monstro é mau, aquelas duas tavam se cagando de medo, tive que me transformar, deixei minha raiva assumir, depois de terminar a luta, tive que me conter, elas me contaram que uma tal de Vurkovit, tô suspeitando que ela seja a Eva, ao voltar para o carro Ana tava normal de novo, aí viemos para esse hotel onde tem umas coisas esquisitas rolando, bom amanhã escrevo se algo acontecer aqui." Ao terminar de escrever Ana saiu do banho, vestindo um pijama de um tecido bem fino estampado com ursinhos, uma toalha na cabeça e uma pantufa de pano. Os dois deitaram na cama abraçados, com Lua a seus pés novamente. -Posso? Ana falava enquanto aproximava seu rosto do de Josef, que lentamente colocou sua mão direita na cintura da mulher, a esquerda na nuca e então a puxou para um beijo, seu coração acelerou brevemente, então ele se concentrou no momento, acalmou seu coração e conteve a transformação. -Pode sim. Os dois ficaram mais algums minutos ali abraçados quando escutaram um grito feminino de desespero vindo do final do corredor, "SOCORRO, SOCO… Aaaaa…" que se abafou lentamente, Josef levantou-se rapidamente, colocando sua roupa com seu, além de pegar seu revólver e faca, então foi até a porta do quarto correndo, Ana apenas pegou sua pistola e o acompanhou, junto de Luna, aquilo não havia levado nem cinco minutos, mas já era tempo suficiente para que a mulher que tinha gritado tivesse morrido, no chão era visível um rastro de sangue que levava para o segundo andar, Josef se concentrou, para tentar sentir algum cheiro, mas sentia apenas os mesmos cheiros de sangue e carne podre, ao chegar no segundo andar o rastro de sangue acabou, uma porta se abriu e foi quase visível uma criança correndo para dentro, assim como dava para ouvir risadas e passos de criança, o Grupo então aproximou-se da porta, Ana segurando seu revólver, mas tremendo bastante e Josef com sua magnum, o homem foi o primeiro a entrar, seguido de Luna e por último a agente, dentro daquele apartamento o cheiro era ainda mais forte, era praticamente impossível enxergar algo, pois a neblina ali era expessa, além de estar completamente escuro. -Vocês vieram brincar com a gente? Uma voz infantil falava, quase em tom de deboche. -Ana cuidado, independente do que pareça, isso não é uma criança. -Eu imaginei, vamos fazer o que? -Vamos caçar esse desgraçado. os dois falavam cochichando, ainda parados na entrada, quando derrepente foi possivel ver a silhueta da criança novamente, correndo por algo que parecia uma porta. Josef pegou na mão de Ana e correu atrás da silhueta, quando os três passaram pela porta encontraram o que parecia ser uma cozinha, tendo balcões, chão de madeira podre, uma pia cheia do que parecia ser carne, mas exalava cheiro de podre, em meio a tudo isso uma mesa, com pratos cheios de comida podre, além de larvas, nas cadeiras tinham três pessoas sentadas, o recepcionista, virado em direção a porta, uma criança a sua frente, essa que aparentava ter apenas 9 anos, vestindo calça jeans, um moletom azul, seu cabelo era na altura dos olhos, olhos esses que faltavam, dando espaço apenas para a cavidade dos mesmos, a boca costurada, apresentando diversos sinais de putrefação, na lateral da mesa, sentada ao lado dos dois uma mulher de cabelos longos e loiros, já sem os olhos também, boca costurada, em seu abdômen um corte na horizontal, onde a mulher ficava precisando para impedir que suas tripas caíssem, enquanto gemia de dor, tudo isso iluminado por uma luz fraca e vermelha no teto. -Vejam pessoal, mais duas pessoas para nossa amada família, além de nosso primeiro pet, hoje é nosso dia de sorte Júnior, conseguimos uma mamãe para você e agora dois titios, apesar daquela ali ser bem bonitinha, talvez possa ser sua segunda mamãe, ou melhor, minha amante, afinal todo homem precisa de uma. Josef rapidamente sacou sua arma, mas não antes do recepcionista se esgueirar e pegar a mulher como escudo. -Não vai ter coragem de atirar nela, né seu corno de m***a! Josef sabendo que se ele atirasse a mulher morreria sem dúvida alguma, afinal já estava muito ferida e a bala da arma é potente o suficiente para arrancar um m****o fino. -Olha cara solta ela, você não vai conseguir sair daqui, você mata ela e aí? Eu te encho de furo, ou eu mato ela e depois te mato? -Não, eu te mato e depois como essa tua v***a aí! -Moça fica calma, vai dar tudo certo. Os dois conversavam enquanto Ana ainda estava travada, em choque, Josef então assobiou e Luna começou a cercar o alvo pela direita, ficando em sua lateral. -O seu bosta manda a cachorra ficar longe de mim, ou eu r***o essa v***a é depois seu bichinho, é você que decide. Ele exclamava enquanto virava levemente em direção ao animal, nesse momento Josef aproveitou para atirar contra o homem, acertando sua pão que praticamente explode, deixando apenas do pulso para baixo, ele empurrou a mulher em cima de Luna que esquivou para a direita, enquanto isso o meliante correu por uma porta à sua esquerda, Ana com o barulho do tiro voltou a si, correndo até a mulher, enquanto isso Josef e sua c****a corriam atrás do homem, ao passar pela porta os dois se depararam com um corredor para frente e atrás deles uma outro porta, que dava na sala, onde entraram na casa, era impossível sentir o cheiro do recepcionista, afinal tinham outros cheiros mais fortes, Josef então sentiu uma faca entrar em suas costas, mas ao virar-se não via ninguém, pela porta veio Ana. -Eai pegou ele? -Na… Antes de poder terminar sua frase foi interrompido por uma facada em seu abdômen, mas antes que pudesse revidar o monstro já havia fugido pela porta que levava para o primeiro quarto a sua direita, Josef foi logo atrás, achando um quarto cheio de pés, torços, pernas, cabeças, o que pudesse ter em um corpo humano tinha ali, mas era difícil ver, pois ali não tinha luz, o agente e sua c****a procuraram tudo que puderam, então saíram daquele local, entrando na porta da frente, que deu em um quarto com quatro crianças acorrentadas, Josef aproximou-se das crianças, então uma atrás dele levantou indo em direção ao agente, que virou o mais rápido que pode, mas ainda assim foi pego de surpresa por uma facada nas costelas. -Parece que te peguei seu m***a. -Não, parece que eu te peguei. Ao falar isso Josef bateu com sua arma no rosto da criança, que voltou a forma do recepcionista, caído no chão, olhando desesperado para o cano frio de Josef que estava praticamente encostado na testa do metamorfo. -Por favor não me mata. -Meu trabalho é m***r monstros, mesmo que você não fosse um metamorfo, você ainda é um monstro. Josef então puxou o gatilho, a parede atrás do alvo foi tingida com um pouco mais de sangue sangue, os miolos escorriam por ela, junto de alguns pedaços de crânio, e pele, a cabeça da criatura havia ficado com um buraco na regiâo do olho esquerdo, sobrando apenas tres quartos da cabeça, olhando em volta as crianças já não tinham mais como ser salvas, algumas já estavam até virando aberrantes, o agente então encostou seu revólver na cabeça de cada uma delas e pôs um fim ao seu sofrimento, exceto uma, uma menina que tinha por volta de 8 anos, cabelos brancos assim como a sobrancelhas, olhos azuis e vestia apenas alguns farrapos. Ela parecia bem, tinha apenas um corte nas costelas, naquele momento a neblina já havia sumido do apartamento, Josef então pegou a garotinha no colo, levou até a sala onde Ana estava tentando salvar a mulher, que já não respirava mais, não soltava som, ou se mexia. -Vem Ana, não adianta, ela morreu. -Não… Não… -Calma tá tudo bem, pelo menos uma pessoa nós salvamos, fizemos o que foi possível. -Mas ela… Ela morreu, como você tá tão calmo? -Vem, outra hora te explico, só pega o celular e faz uma chamada anônima para a polícia. Ana então levantou-se, enxugando as lágrimas de seu rosto, os quatro sairam do apartamento enquanto Ana telefonava para o 911, eles esperaram em frente ao prédio, dentro do carro, todos em silencio, a garota estava dormindo no colo de Ana no banco de trás, luna no banco do passageiro na frente e Josef como sempre pilotando, após a polícia chegar eles saíram do local, não demorou muito já estavam fora da cidade, na zona rural, indo em direção a sua casa.
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