Aos poucos, fui despertando. Os meus olhos se abriram devagar, pesados, e a primeira coisa que senti foi o cheiro da ala médica: limpo, frio, com aquele toque metálico que sempre me lembrava fragilidade. Permaneci imóvel, sem revelar que estava acordada. Ouvi vozes. A voz de Lucas, firme, mas carregada de dor. — Eu não quero te perder. Nunca. O meu coração disparou. Ele falava com nosso filho, mas cada palavra atravessava o meu peito. — Então não perca ela também, pai. — retrucou o menino, com uma coragem que me surpreendeu. — Eu não quero viver aqui sem a minha mãe. As lágrimas vieram, silenciosas. Eu não queria que eles percebessem que eu estava ouvindo. Permaneci quieta, apenas absorvendo cada frase. Lucas suspirou, e a sua voz saiu mais baixa, quase um murmúrio. — Você não enten

