83. Bárbara

1309 Words

A gente tava na metade do caminho pra clínica nova. Eu tava no banco do carona, segurando a caixa das amostras no colo como se fosse o próprio João. Murilo dirigia com aquela cara fechada dele, mão firme no volante, o maxilar travado, parecia um pitbull esperando o portão abrir. Heitor tava atrás, batucando no banco como quem já tava impaciente pra bater em alguém. E aí... o ar mudou. Juro. Foi tipo aqueles segundos antes do temporal estourar no Rio. Aquele silêncio estranho, o vento gelado entrando por fresta nenhuma. Murilo percebeu. Vi o ombro dele enrijecer. — Tá sentindo? — perguntou, sem tirar os olhos da rua. — Sentindo o quê? — perguntei. Ele não respondeu. Só diminuiu a velocidade um pouquinho, o suficiente pra observar. Heitor se inclinou pra frente, entre os bancos. —

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