A clínica por dentro era ainda mais silenciosa. Parecia que o ar ali tinha peso, como se soubesse que o que estava prestes a ser colhido podia mudar uma vida inteira. Murilo caminhava ao meu lado como uma sombra pesada: não violento, não explosivo, mas contido, como se o corpo dele estivesse inteiro focado em não tremer. Heitor vinha atrás, olhando tudo, desconfiando até da planta no canto da recepção. O técnico responsável: um homem mais velho, óculos redondos, postura calma, nos levou até uma sala menor, com uma mesa de inox, caixa de luvas, sistema de rastreamento e lacres numerados. — Podemos começar — disse, com voz neutra. Murilo ficou de pé ao meu lado o tempo todo, sem desgrudar os olhos das mãos do técnico nem por um segundo. — Aqui está a nova ficha — o homem explicou. — E e

