A mágica do cinema foi quebrada pelo som suave da campainha da porta. Uma luz discreta acendeu na parede, o sinal de Dona Lurdes. — Almoço na mesa! — a voz dela ecoou pelo interfone, carregada do calor habitual. Murilo desligou o projetor e as luzes foram voltando aos poucos, revelando nossos rostos sonolentos e satisfeitos. Joãozinho bocejou, esfregando os olhos, mas com um sorriso no rosto. — Tô com fome, pai. — Então vamos, moleque — Murilo disse, levantando com o menino no colo com uma naturalidade que ainda me aquecia por dentro. Ao entrarmos na sala de jantar, uma cena inesperada nos recebeu. A mesa posta, sim, com a comida farta de sempre, mas Dona Lurdes estava... sorrindo. E não era seu sorriso comum, materno e prático. Era um sorriso um pouco tímido, um pouco corado, dirigid

