O dia tava tranquilo demais. Tranquilo daquele jeito que já dá pista de que alguma merda vai acontecer. João tava deitado no sofá, assistindo desenho com o carrinho azul na mão. Babi na cozinha cortando fruta. Eu sentado na poltrona, quieto, fazendo compressa no rosto. A campainha tocou. Uma vez. Duas. Três. Insistente. O olhar da Babi encontrou o meu. Ela franziu a testa. — Tá esperando alguém? — Não. E na terceira batida da campainha, eu reconheci o jeito. Insistente, agressiva, irritante. Meu sangue ferveu tão rápido que até senti os pontos puxarem. Levantei devagar, porque meu corpo ainda tava na merda, mas levantei. — Fica aqui. — falei pra Babi. — Nem fodendo. — respondeu, já limpando a mão no pano da cozinha. Abri a porta e a Renata estava parada ali. Desarrumada, olho

