A batida suave na porta, pontual como um relógio, quebrou o nosso frágil refúgio. Era o enfermeiro, um homem de meia-idade com um rosto calmo e mãos experientes, chegando para o seu plantão das doze horas. Murilo se recompondo visivelmente, a máscara do provedor e do homem no controle descendo sobre sua dor. Ele conduziu o enfermeiro, Sr. Geraldo, até o quarto de João, explicando em voz baixa a medicação, os horários, os sinais a serem observados. Eu observei da porta, vendo como Murilo conhecia cada detalhe da rotina do filho, cada nuance do seu tratamento. Era um lado dele que Heitor nunca veria, que o mundo nunca conheceria. Joãozinho acordou com a movimentação, mas ficou tranquilo ao ver o Sr. Geraldo. Ele já estava acostumado com rostos novos e procedimentos. Murilo se inclinou so

