Capítulo 3 — Agora é Tarde Demais

549 Words
O silêncio ainda dominava o salão. Mas não era mais o mesmo. Antes, era cheio de desprezo. Agora… Era cheio de tensão. Olhares. Sussurros. Respeito. Tudo mudou. E tudo… por minha causa. Respirei fundo. Ainda parecia um sonho. Ou melhor. Um pesadelo que virou poder. — Isso não pode estar certo… — Leonardo murmurou, passando a mão no cabelo. Pela primeira vez… Ele parecia perdido. Fraco. Confuso. Eu quase não reconhecia o homem que, minutos atrás, me chamou de ninguém. — Está certo sim — respondi, firme. Minha própria voz me surpreendeu. Segura. Forte. Diferente. Ele levantou os olhos rapidamente. — Você sabia disso? Balancei a cabeça. — Não. E era verdade. Eu não fazia ideia. Mas agora… Nada disso importava. Porque eu sabia de uma coisa: Eu não era mais a mesma. Leonardo deu um passo na minha direção. — Então… a gente pode conversar — ele disse, tentando suavizar o tom. Conversar? Quase ri. — Conversar? — repeti, encarando ele — Agora você quer conversar? Ele hesitou. — Eu… não sabia… — Claro que não sabia — cortei, fria — Porque você nunca se importou em saber. O impacto das minhas palavras foi imediato. Ele ficou em silêncio. Sem resposta. Sem defesa. — Você já disse tudo o que precisava — continuei — na frente de todo mundo. Meu peito ainda doía. Mas agora… A dor estava virando algo diferente. Força. — Eu cometi um erro — ele disse, mais baixo. Erro. A mesma palavra que ele usou pra me definir. Ironia. — Não — respondi — você fez uma escolha. O olhar dele vacilou. — E agora… você vai lidar com ela. Virei as costas. Mas antes que eu pudesse dar o primeiro passo… Ele segurou meu braço. — Espera. O toque dele me fez parar. Por um segundo. Mas só por um segundo. Olhei para a mão dele. E depois… Para o rosto dele. — Solta. A voz saiu baixa. Mas perigosa. Ele hesitou. Mas não soltou. — A gente pode resolver isso — ele insistiu. Resolvar? Depois de tudo? Um leve sorriso surgiu nos meus lábios. Mas não era um sorriso de alegria. Era frio. — Você realmente acha que ainda tem esse direito? Ele não respondeu. Não precisava. Porque eu já sabia. Ele não tinha. Afastei a mão dele com firmeza. — Acabou, Leonardo. As palavras foram simples. Mas definitivas. E dessa vez. Não tinha volta. Ele ficou parado. Sem reação. Enquanto eu me afastava. Passo por passo. Sentindo todos os olhares sobre mim. Mas agora… Eu não me sentia pequena. Não me sentia inferior. Eu me sentia… no controle. O homem de terno caminhou ao meu lado. — Você lidou bem — ele disse, em voz baixa. — Eu só estou começando — respondi. E eu realmente estava. Porque lá no fundo… Uma coisa ainda queimava dentro de mim. A humilhação. A dor. As palavras dele. E eu não ia esquecer. Nunca. Olhei para frente. Para o futuro que acabava de se abrir. E fiz uma promessa silenciosa: Eu não só ia provar quem eu era. Eu ia fazer ele se arrepender. De cada palavra. De cada olhar. De cada erro. E quando esse dia chegasse… Ele entenderia. Que a “ninguém” que ele desprezou… Era exatamente quem iria destruir tudo.
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