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3385 Words
"Estou com saudades." "Tmb." Tmb? Era isso que ele me respondia? Ia cair um dedo de Ricardo se ele escrevesse a palavra com todas as letras e acento? Ao menos que ele estivesse muito ocupado... "Onde você tá?" "Em casa." "Fazendo?" "Deitado. Quer foto?" Não respondi. Eu sabia que Ricardo estava sendo irônico e, aparentemente, m*l-humorado, então guardei meu celular dentro da bolsa e me juntei aos meus mais novos amigos, que bebiam descontraídos, sentados no chão da boate, conversando sobre política, enquanto uma batida lenta ecoava pelo ambiente. Sentei-me ao lado de Duda, então Clarisse me viu e uma faísca de diversão chispou em seus olhos claros. — Ei, Artur — ela disse, cutucando-o —, chegou a hora do desafio da noiva. — Que desafio? — Perguntei desentendida, recusando o copo que Lili me estendera. — Toda noiva tem direito de desafiar sua madrinha de casamento — Duda respondeu. — É o seguinte, amoreco — Artur começou empolgado —, você pode desafiar sua madrinha a fazer qualquer coisa que ela não tem coragem. — Mas a madrinha sou eu! — Linda exclamou, assustada. — Isso está tão divertido! — Bela gritou, engolindo uma boa golada de sua bebida. — Vai, flor, faz a Linda plantar bananeira no meio da avenida. — Bela! — Linda censurou-a. — Tô pegando leve — ela justificou. Eu ri. Jamais lhe daria um desafio difícil, se era uma tradição, podíamos fazê-la da maneira mais fácil e descontraída. — Depois do aperto de mão entre a noiva e a madrinha, não vale arregar — Lili acrescentou. — Tem até cuspe envolvido — Duda fez uma careta e eu ri novamente. — Eu posso pedir qualquer coisa? — Perguntei mirabolante. — Use a maldade que há em você — Clarisse me aconselhou —, faz essa v***a pagar por ter puxado em meus cabelos. — Larinha, pega leve, tá? Já estava prestes a ordenar que Linda descesse até a boca da garrafa quando meu celular tocou de dentro da bolsa. Era Ricardo, eu sabia, certamente com um pedido de desculpas ou alguma mensagem fofinha depois de ter sido tão grosso. Peguei o aparelho e franzi o cenho. Não era uma mensagem do meu noivo nem nada, e sim uma multimídia, de outro número desconhecido. O inferno havia sido recomeçado. Meu coração bateu aflito e eu esperei ansiosa pelo carregamento da imagem. Mas, Deus, como eu queria não ter visto aquilo. O mundo desapareceu em minha volta, meu peito apertou, decepcionado, algo atingiu a boca do meu estômago, trazendo-me ânsia e repulsa, meus olhos encheram d’água e eu queria sumir, para bem longe, e me desaguar no choro até que o nó se desfizesse em minha garganta. Linda estava ali, por trás da tela do meu celular, sentada numa cadeira, segurando a mão de Ricardo, que sorria para ela. A foto havia sido tirada hoje, soube disso porque ela estava com a mesma roupa que usara na confeitaria — uma camiseta social branca, óculos por cima da cabeça e sua tão amada calça jeans amarela. Era com ele o tal compromisso, não com sua cliente do interior que vendia bolsas baratas. — Flor...? — Bela chamou-me e eu engoli em seco, depois prendi as lágrimas que ameaçaram cair e encarei a pessoa que me apunhalava pelas costas. — Eu desafio — clareei a garganta — minha madrinha de casamento a se declarar para meu irmão. — Uau, eu sabia que havia um capeta por detrás desse rostinho de anjo — Artur comentou. Linda olhou para mim, ressentida, e eu fiz o mesmo. — Você tá de acordo? — Clarisse quis saber. — Uma Alves nunca foge de uma aposta — ela disse, orgulhosa, depois cuspiu em sua mão. Soltei o pingente e fiz o mesmo. — Então — Lili comentou, meio atordoada —, vamos aos apertos...? — Vamos — dissemos juntas e selamos o desafio num cumprimento nada amigável. Olhei bem para ela e tentei lhe dizer o quanto suas atitudes me deixaram magoada. Pela forma como me encarou, tive certeza que me dizia o mesmo. Linda soltou minha mão e logo se recompôs, voltando para o lado de Artur. Tentei fazer o mesmo, mas a imagem dela e de Ricardo, tão cheios de i********e, ainda rodopiava em minha cabeça. Depois disso o clima entre nós mudou por completo. Já não éramos as melhores amigas do mundo. Nunca mais seríamos. Tufão estacionou de frente para o prédio onde Guga morava. Não emperrou uma vez sequer, seguiu o fluxo calmamente enquanto nós três permanecíamos em um incômodo silêncio. — Vocês sobem comigo? — Linda perguntou sem nenhum tom na voz. — Claro, flor — Bela disse abrindo a porta de passageiro —, fica tranquila. — Larinha...? — Ela olhou para mim pelo retrovisor e eu vi súplica em seus olhos. — Vamos acabar logo com isso — falei, desafivelando o cinto e descendo do carro. Linda seguiu na frente, decidida, não cumprimentou o porteiro nem a senhora que passeava com seu cachorro pelo térreo. Optou pelas escadas, subindo os degraus em passos rápidos. — O que deu em você? — Bela me intimou, alcançando-me pelo braço. Olhei para ela, de nariz empinado, e não segurei em minha correntinha ao responder: — É só um desafio. — Fazer sua amiga de infância se declarar pela primeira vez para alguém...?— Bela inquiriu, indignada. — Como eu disse, é só um desafio — dei de ombros. — Você não é assim, Larah — ela me olhou —, o que tá acontecendo? Provavelmente, Bela, Linda e meu noivo estão tendo um caso. — Nada — respondi, retomando o curso —, vocês quem exageram tudo. — Continuem achando que me enganam — disse ela atrás de mim —, só que eu sei que as coisas não andam bem entre vocês. Mas eu não estarei aqui, vendo minhas melhores amigas se engalfinharem. Olhei para trás, mas Bela já estava descendo, freneticamente, quase todos os degraus da escada. — Aonde você vai? — Eu quis saber, cansada. — Ligar pro Demitri — respondeu sem interromper os passos —, ir pra minha casa, tomar meu calmante natural e apagar. — Bela. — Insisti. — Me chamem quando esse inferno acabar — sentenciou, e desapareceu em seguida. Respirei fundo e voltei a subir até o apartamento de Gustavo. Encontrei Linda parada, de frente à porta, com a mão erguida até a campanhia, sem tocá-la. — Ei — chamei, aproximando-me, ela me olhou, assustada —, quer que eu faça isso por você? — Eu agradeceria — disse apenas, dando-me passagem. Guga atendeu no segundo toque, assim que abriu a porta cravou seus olhos amendoados em Linda, coçou a cabeleira castanha e sequer notou minha presença. Honestamente, ela estava maravilhosa. O short jeans, grudado em suas pernas torneadas, valorizava seu corpo curvilíneo, sem mencionar sua pequena blusa, que deixava sua barriga sarada à mostra. Entretanto, era para o rosto dela que meu irmão olhava, feito b***a. — Você veio — Guga falou, surpreso. — É — Linda respondeu sem graça —, eu vim. — Entra — escancarou a porta, dando passagem para ela. Então me viu, e tentou a muito custo voltar ao seu estado habitual —, tchau, pirralha. — Ei — eu o interrompi, segurando a porta —, eu preciso fazer xixi. Ele revirou os olhos, mas acabou cedendo. Linda me olhou com gratidão quando me viu, mas eu não iria ficar aqui assistindo o show de melosidade entre os dois, na verdade, eu precisava me certificar de algo. — Usa o banheiro do meu quarto — Guga falou, constrangido. Seu apartamento amadeirado estava todo enfeitado por velas e pétalas de rosas, um cheirinho bom de estrogonofe invadiu minhas narinas e meu estômago roncou. Ok, não foi para isso que eu entrei. Vasculhei as paredes, a estante, mesinha de centro, armário..., não havia foto alguma de Emile. Meu irmão estava sendo sincero, era um homem livre. Eu já ia saindo do seu quarto, que continha uma fragrância boa de menta e canela, quando algo chamou minha atenção. Era um porta-retrato, em cima da estante, prateado e com um coração na lateral, não era nada grandioso tampouco requintado, mas parecia ser significativo. Presumindo que podia ser presente de uma das suas ex-namoradas, guardei o objeto dentro da gaveta. Contudo, eu sabia que já o tinha visto em algum lugar. Mas onde? — Vai morar aí? — Guga inquiriu, impaciente. — Você é um porre — reclamei abrindo a porta. Linda estava na sala, sentada no sofá branco, toda acanhada. Quando me olhou, percebi que o medo e a insegurança dominavam seu rosto. — Como você vai fazer pra voltar pra casa? — Ela perguntou, ansiosa. — Não faço ideia — respondi, jogando o corpo noutro sofá, de frente para ela, então percebi seu pedido silencioso. —, posso dormir aqui. — Não! — Guga exclamou num sobressalto. — Eu pago seu táxi, vem, te levo até a porta. — Bom saber que sou bem-vinda — resmunguei, já do lado de fora. — Você sabe por quanto tempo esperei por isso? — Ele indagou, retórico, depois tirou uma nota de cem da carteira e me entregou. — Eu sei que teve dedo seu, pirralha. Pode ficar com o troco. Sorri, animada, e enfiei o dinheiro em minha bolsa, depois caminhei até o elevador. Mas retive os passos e olhei para trás, então encarei Guga, totalmente séria. — Não machuque a Linda, Gustavo — pedi —, por favor. — Eu jamais faria isso, Larah — meu irmão assegurou e eu suspirei, aliviada. Por mais que eu quisesse ferrar com ela, algo bem lá no fundo não queria vê-la sofrer. Depois disso fui para a calçada do prédio, onde fiquei plantada esperando um táxi, que apareceu minutos depois. Ali, enfiada naquele carro minúsculo, peguei o celular de dentro da bolsa e abri a imagem mais uma vez. Dei zoom. Ricardo e Linda seguravam as mãos, felizes, com tanta cumplicidade que eu me perguntei se era realmente do meu irmão que ela gostava. Estava tudo ainda mais claro; Linda e meu noivo tinham algo em segredo. Afundei-me em total desespero. Só parei de chorar porque, assim que o táxi chegou ao seu destino, eu avistei alguns moradores assustados do lado de fora, uma ABTS embicada no estacionamento, enquanto dois bombeiros conversavam com Lucas. Lucas? — O que houve por aqui? — Indaguei, curiosa, à uma senhora robusta, de cabelos curtos e cheios de laquê. —Colocaram fogo no apartamento do bonitão — ela disse, alarmada —, coitadinho, um rapaz tão bom, tão gentil. Olhei para ele, tão lindo, vestido numa camiseta azul-marinho e uma calça preta de moletom, e pensar que ele poderia ser vítima de algo tão c***l e perigoso... — Quem fez isso? — Insisti. — Ninguém sabe — uma mulher respondeu do meu lado —, esse cara é um mistério, não se deixem enganar por um rostinho bonito e um corpo sarado. Vai saber se ele não está metido no tráfico. — Que bobagem, Sibele! — a senhora cortou-a, indignada — Lucas é um amor, não me deixa levar uma, umazinha, sacola de compra. — Eu só estava falando... — Pois vai falar bem longe daqui — ela ordenou, depois virou-se para mim e sorriu: — Sou Dorotéia, mas pode me chamar de Dodó. — Prazer — falei, cumprimentando-a —, eu sou Larah. A nova moradora do 41. — Qualquer dia passa em casa pra tomar um cafezinho — convidou-me, sorrindo —, e comer um bolo, claro. Moro no apartamento da frente. — Eu passo sim — falei, abandonando o pingente —, será um prazer. — Está liberado, pessoal — o porteiro anunciou —, já podem entrar. Olhei em volta, procurando por Lucas, porém não o avistei. Eu queria, sei lá, confortá-lo pelo acontecido — apenas isso, claro. Antes de entrar em meu apartamento, espiei o dele, que estava fechado e fedia à coisa queimada. Talvez estivesse melhor que o meu, que cheirava à bebida, comida estragada e vômito. Meu estômago embrulhou. Eu precisava limpá-lo, entretanto, não tinha um produto de limpeza sequer para tirar todo aquele mau-cheiro. Empurrei a porta com o pé e fui catando os copos e pratos espalhados pela sala, coloquei os restos de comida na lixeira; a louça em cima da pia, e voltei para recolher as garrafas. Depois disso joguei-me no sofá, exausta, até que minha campanhia tocou. Arrastei-me até a porta e a abri sem ao menos conferir no olho-mágico. Então eu o vi, de pé, abraçado num travesseiro branco, vestido na mesma camiseta azul-escuro e a calça de moletom, olhando para mim com cara de cachorro pidão. — Sou alérgico à fumaça — explicou, e me lançou um olhar sugestivo. — E veio me pedir abrigo...? — Perguntei. — Só por essa noite. — acrescentou. — Vamos lá, mocinha. Seu pedido era tentador, e seu cheiro de sabonete misturado a perfume impregnou-se em minhas narinas, fazendo-me conter um suspiro. Se eu topasse, estaria ferrada. — Tenta com outro vizinho — falei, fechando a porta, mas ele me interrompeu, com aquelas mãos tão... grandes. — Eu pensei em pedir à Dodó —contou, e rolou os olhos em seguida —, mas ela ronca pra caramba. —E eu sou a única pessoa mais próxima? — Quis saber, com a mão na cintura. — Levando em conta que você me atropelou numa boate e ficou presa em um elevador comigo — deu de ombros — é, é sim. Ponderei por alguns instantes, tempo suficiente para ele avaliar o caos que estava meu apartamento. — Tive uma ideia. — Lucas disse — Você me abriga essa noite e em troca eu te ajudo a arrumar toda essa bagunça. Trago colchão, itens de limpeza e uma coberta limpa e cheirosa. — E comida — acrescentei. — E comida — garantiu. Eu o encarei por alguns segundos, suas duas turquesas me estudavam, ansiosas, e eu soltei os ombros, rendida. — Você dorme no sofá — abri espaço para lhe dar passagem e ele sorriu, suas malditas covinhas vieram junto e eu ruborizei por inteiro. — O que aconteceu por aqui? — Ele indagou, atrás de mim. — Uma festa. — expliquei, andando agitada pela casa. — E qual era a comemoração? — Despedida de solteira — catei uma garrafa no chão e me enfiei na cozinha, apressada. — Você vai casar? — senti uma pontada de aflição em sua voz e outra bem no centro do meu peito. —Uma amiga minha — respondi sem olhar para ele, joguei a garrafa no lixo e segui até a pia —, o banheiro é seu, Lucas, um cara vomitou por lá e eu não vou limpar aquela meleca. — Muito justo — ironizou, depois aproximou-se de mim e, hesitante, tocou meu rosto, fazendo-me olhar em seus olhos. — Sua amiga... ela está feliz com isso? Eu estou? — Ela queria estar — segurei em minha correntinha, encarando-o com sinceridade, seu olhar focou em minha aliança. — Então talvez ela não esteja tão feliz — concluiu, com as turquesas cravadas em mim. — Talvez não — desviei o olhar e liguei a torneira, deixando a água fria aniquilar o calor de minhas mãos. — Por quê? Voltei a encará-lo. — Sabe quando você pega um trem e espera paciente sua estação chegar, mas aí todo o percurso muda e você se dá conta de que talvez esteja sentado no lugar errado? — Acho que sei — ele disse compreensivo. Voltei a olhar para a pia e lavei meu rosto, para que minhas lágrimas se misturassem com a água corrente. — Eu vou buscar meus produtos de limpeza — Lucas anunciou —, o que trago para comer? — O que tiver de mais gostoso— respondi sem olhar para ele. — Se não percebeu, mocinha, eu estou bem aqui na sua cozinha. — Cai fora, Lucas — mas ri, e fui invadida por uma sensação boa de paz e aconchego. Sim, eu estava mesmo ferrada. Em menos de uma hora deixamos todo o apartamento limpo, e como consequência ficamos suados e exaustos. Lucas sugeriu um banho, e de novo eu divaguei na ambiguidade daquela frase. Tossi, constrangida, e ele foi até seu apartamento, de onde voltou com um colchão de solteiro, roupas para dormir, cobertas e toalhas limpinhas. Eu estava inquieta, sentada no sofá, esperando-o — e imaginando-o — tomar banho. Ele me deixara entrar primeiro, com o argumento de que “as damas sempre iam na frente”, de quebra me trouxe um conjunto de pijama rosa, com um gatinho fofo estampado na camiseta, e um par de pantufas brancas. — É da minha irmã — explicou quando eu franzi o cenho, depois seguiu para o banheiro, me deixando sozinha e agitada. Levantei-me do sofá e segui até o corredor, onde fiquei parada, de braços cruzados para as costas, fingindo admirar um quadro que papai comprara numa exposição. — Alguém precisa olhar essa encanação — Lucas falou, saindo do banho, com uma toalha pendurada abaixo da cintura. Nossos olhos se encontraram e eu não consegui desviar minha atenção. Desejei — ah, como desejei — tocar seu corpo, todo molhado, e enxugar aquelas gotículas com meus dedos, passeando-os por todas suas extensões. Prendi os lábios e encarei sua barriga, cheia de gominhos, semelhante à uma muralha, tão bem esculpida. Os cabelos negros, bagunçados, cheiravam a xampoo, e tive de conter a vontade de me atirar em seus braços e puxá-lo de volta para o banho. — Acho que vou — ele disse, meio atordoado, e enfiou-se em meu quarto, onde estavam seus pertences. Ótimo, Larah — praguejei mentalmente — agora ele acha que você é tarada. Enquanto Lucas se vestia, “preparei” nossa janta. Peguei dois pratos e duas colheres do armário e retirei do microondas a tigela de sopa, que ele trouxera de seu apartamento, coloquei tudo em cima da mesa, pesquei uma concha e me servi. Sentei-me na cadeira, ansiosa, e levei a colher cheia até a boca. — Hummmm — gemi de olhos fechados. — que delícia! — Eu quem fiz — Lucas gabou-se, invadindo a cozinha. Olhei para ele, agora vestido numa camiseta branca e um short escuro, e observei, com atenção, seus movimentos. Arrastou uma cadeira de frente para mim e serviu-se também. Tomamos metade da sopa sem dizer nada, até ele quebrar o silêncio. — Do que você tem medo, Larah? — Perguntou dançando a colher pelo prato. — Não falo de bichos ou insetos, mas da vida. Qual seu maior medo? — Comprar maquiagem no Ali Express e a mercadoria não chegar — enfiei uma boa golada da sopa na boca —, e o seu? —O futuro — falou de pronto —, quando penso nele tenho medo de não corresponder às minhas expectativas. — Que são...? — Incentivei. Ele olhou para mim com certa diversão, recolheu seu prato já vazio, depois o meu, e os levou para a pia. — Minhas expectativas? — Fiz que sim com a cabeça. — Comprar maquiagem no Ali Express e todas elas chegarem. Eu gargalhei. Lucas levantou-se e ligou a torneira para lavar a louça, peguei o pano de prato para ajudá-lo na tarefa e, ao me levantar, algo veio em minha cabeça. — Quem colocou fogo em seu apartamento, Lucas? — Quis saber, curiosa. — Uma mulher — ele disse concentrado em sua tarefa —, que me odeia pra c****e. — A mesma que quebrou seu celular? — Perguntei. — A própria — falou, fechando a torneira. Deus, Lucas devia ter pisado f**o na bola! Feito Ricardo, quando me traiu e eu quebrei um jarro em sua cabeça. No fim das contas, eram todos iguais. De repente meu bom-humor sumiu. — Acho que vou deitar — abandonei o pano de prato e dei as costas. — O colchão está em seu quarto — ele disse prestativo —, e a coberta também. — Valeu — agradeci, seca. — Boa noite, mocinha — desejou, baixinho. Interrompi os passos e, encostada no batente da cozinha, virei-me para trás. Ele me encarou, com uma faísca de ansiedade chispando em seus olhos azuis. — Boa noite, mocinho.
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