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3523 Words
Quando o DJ começou a tocar, a boate em peso foi à loucura. Apesar de não conseguir vê-lo, eu tinha de admitir que ele era merecedor de todos os elogios que ouvi a seu respeito. O cara realmente era demais. Não tinha muito tempo que eu estava aqui, no meio da pista, dançando, toda solta, sem ligar para o mundo à minha volta. Logo que vi Ricardo e Meg na maior i********e, resolvi que eu mesma faria a minha noite perfeita. Atirei, cega de raiva, a aliança no chão, e me levantei decidida. Beto ainda tentou me impedir, mas eu apertei bem os passos, despistando-o, e abandonei o camarote em questão de segundos. Era guerra que meu noivo queria; era guerra que ele iria ter. Fazia calor, eu estava suada e com a boca seca, mesmo a batida estando muito boa, eu precisava beber algo, de preferência com muito álcool e energético. Eu tinha sede, e dez reais dentro da bolsa. — Eu já volto! — Gritei para a desconhecida que dançava comigo. Ela riu, como se eu tivesse acabado de contar uma piada, e eu dei as costas, caminhando em direção ao balcão do Stella Drinks. Dado às minhas condições, era óbvio que eu não iria encher a cara, no entanto, poderia pagar uma dose de algo bem forte e encarar aquilo como uma despedida de solteira. Porque eu iria casar, viajaria para Paris e teria, finalmente, o meu conto de fadas. E nem Meg nem ninguém me tiraria isso. Transitar por ali era um sufoco, as pessoas se esbarravam umas nas outras, algumas tentavam vir, outras voltar. As luzes coloridas e toda aquela fumaça só atrapalhavam meu percurso. Um engraçadinho apalpou minha b***a e eu me virei, furiosa, para tirar satisfação, mas ele já havia se enfiado no meio da multidão, saindo das minhas vistas. Imbecil! Comecei a empurrar as pessoas para poder chegar ao meu destino, enquanto, ao mesmo tempo, me desvencilhava das mãos bobas que rolavam entre um safanão e outro. Demorou, mas eu consegui avistar o balcão e tratei de aumentar os passos, eu já me imaginava ali, sentada numa das cadeiras giratórias, afogando as minhas mágoas. Alguém atrás de mim me empurrou e eu cambaleei, sem controle. Foi então que algo forte e maciço me jogou no chão. De brinde veio um líquido, vermelho e fedorento, que caiu inteirinho sobre mim. Ah, não, não, não, não. O líquido era Campari. No meu vestido novo. De grife. — Pelo amor de Deus — reclamei —, qual o i****a que gosta de Campari?! — Eu não sou i****a — uma voz masculina respondeu —, e Campari é a única bebida que não deixa o beijo com gosto de cachaça. — Ah, porque eu tô muito interessada em beij... — levantei o rosto e ali estava ele, o rapaz em quem me esbarrei, abaixado, com a mão estendida para mim. Tá legal, eu não tive reação alguma. E isso foi culpa daqueles olhos, tão azuis que pareciam duas turquesas, que agora me fitavam, surpresos. Fiz uma rápida inspeção em seu rosto — branco, mas não pálido, sobrancelhas escuras, que condiziam com os cabelos negros, nariz reto e lábios levemente carnudos. Lábios que, segundo ele, não teriam gosto de cachaça quando beijados... O que eu tô pensando? Ele estragou o meu vestido! — Você não olha por onde anda não?! — Inquiri furiosa, e me levantei sem corresponder seu gesto. — Eu?— Ele perguntou já de pé, com um meio sorriso formado nos lábios. — Sim, você — respondi, irritada, com as mãos na cintura —, ou você acha que isso aqui é uma liquidação onde se pode andar eufórico derrubando pessoas?! — Eu não ando eufórico em liquidações — ele objetou, com uma diversão irritante na fala. É claro que ele era irritante! Um homem lindo assim e com um cérebro funcionando? Sem chance. — Quer saber, esquece — dei as costas, cansada, e retomei meu curso. Ou melhor, eu tentei. Pois foi só eu dar um passo à frente que alguém segurou meu braço, me impedindo de continuar. Deus, eu só queria tomar uma bebida. Uma! Virei para trás, pronta para encontrar um careca desdentado e inventar que namorava um lutador de boxe super ciumento, quando o vi novamente. Era ele, o tal cara. E então, a ideia do careca desdentado não me pareceu tão assustadora. De perto era ainda mais bonito, o desgramado. E se vestia bem; a camiseta preta, lisa e de mangas curtas, fez uma combinação legal com a bermuda xadrez. Também não era tão alto, considerando que, com meus cinco centímetros extras, eu podia facilmente alcançar sua boca — não que eu estivesse pensando em fazer isso, claro. — Eu estava parado — disse ele, trazendo-me de volta para a realidade. — E daí? — Perguntei, impaciente, com uma vontade repentina de ir embora. Ele pareceu entender, porque logo soltou meu braço, me dando liberdade para escapar. E eu escaparia, mas aquelas duas turquesas, que me encaravam com profundidade, me fizeram ficar bem ali. — E daí — ele respondeu, a mesma diversão de antes na fala — que se eu estava parado, e não andando eufórico como se estivesse em uma liquidação, então quer dizer que foi você quem esbarrou em mim, mocinha. É sério que ele me chamou pra isso? — Quem mandou ficar parado feito jarro de mesa? — Argumentei, com as mãos na cintura outra vez. — Ah, então agora eu sou um jarro de mesa — ele constatou, os cantos da boca teimando em subir —, vamos lá, mocinha, não é tão difícil. — O quê? — Eu quis saber, atordoada. — Me pedir desculpas.— disse ele, presunçoso. — Estou esperando. Rá, rá, rá! —Então espera sentado!— E dito isso, dei as costas novamente. — Você é sempre assim? — Ele perguntou se pondo em minha frente. — Estressadinha? Ignorei o comentário e desviei para o lado esquerdo, mas ele se pôs em minha frente outra vez. —Na boa, você tá sendo ridículo — resmunguei. — E você, m*l-educada. Fiz menção de escapar pelo lado direito, e depois para o esquerdo, e para o direito de novo, então bufei e desisti. O i*****l sempre agia rápido e ocupava meu campo de visão com aquele corpo tão... com aquele corpo. — O que eu te fiz? —choraminguei, mortificada. —Esbarrou em mim — ele respondeu, os olhos azuis estudando meu rosto, a expressão calma, como se achasse graça daquilo tudo. — Derrubou minha bebida. E recusou a minha ajuda. — E agora você não vai me deixar mais em paz por causa disso? — Vou — ele disse —, quando você me pedir desculpas. — Eu não vou te pedir desculpas nem aqui nem na china! — Porque eu não ia mesmo. — Então eu ficarei bem aqui — ele falou, de peito estufado. —Por que você não vai à merda...?— Sugeri. — Ou ao inferno?! — Porque — ele falou, um meio sorriso formado em seu rosto — em nenhum desses lugares há uma mocinha desastrada que me deve um pedido de desculpas. — A única coisa que eu devo — falei de nariz empinado — são as quatro parcelas desse vestido aqui, que você acabou de sujar com a sua bebida fedorenta! Algo diferente cruzou seus olhos — surpresa, deslumbramento, encanto...? — e ele ficou ali, mudo, olhando para mim como se eu tivesse acabado de dizer que o Brasil levaria a Copa esse ano. Então sorriu, e duas covinhas afundaram em suas bochechas. Covinhas! Ele tinha covinhas! — Eu.. hã — balbuciei, atordoada, tentando reunir as palavras certas, mas desisti e dei as costas novamente. Desta vez, ele não me impediu. E tudo bem, já que eu não queria ficar ali, de frente para um cara que parecia ter saído de um comercial de tevê. Apertei bem os passos e ignorei a súbita moleza que sentia nas pernas. Eu não estava muito longe do balcão e aquele furdunço todo que atrapalhara meu percurso já havia se dissipado. Então eu podia simplesmente seguir em frente e fingir que aquele encontro nunca existiu, e assim, futuramente, isso seria apenas mais uma história, dessas que a gente confessa para as amigas entre uma bebida ou outra. Mas não, eu não fiz isso, pelo contrário, eu interrompi os passos, ainda trôpega, e cedi à tentação de me virar para trás. Eu não iria voltar, eu só queria... vê-lo outra vez. E ele ainda estava ali, parado no mesmo lugar, mãos no bolso e os olhos, azuis feito duas turquesas, cravados em mim. — Você ainda me deve um pedido de desculpas, mocinha! — Ele gritou, a voz quase sendo engolida pela batida lenta que iniciara. — E você me deve um vestido novo! — Respondi de volta, dando alguns passos para trás. — E custou uma grana preta, sabia? Ele sorriu, suas duas covinhas surgiram novamente. O coração errou uma batida e um tipo de frio bom invadiu meu estômago. Ah, não, borboletas não! Sem pensar muito, dei as costas para ele e segui meu rumo. Fosse o que fosse aquilo, eu não estava disposta a descobrir. O barman me encarava atrás do balcão, impaciente, enquanto eu corria os olhos pelo menu, procurando por alguma coisa que eu pudesse pagar. Tudo bem que eu estava praticamente lisa, mas desde quando uma mísera dose de Montila custava mais de dez reais? E olha que eu estava na lista dos “Acessíveis”, segundo o cardápio. Bufei, inconformada. Eu deveria ter ficado em casa, assistindo a novela das oito, e não aqui, onde minutos atrás eu admirava, meio boba, o cara que olhava para mim como se eu fosse alguém importante. Carente, eu estava carente. E isso era culpa do Ricardo, porque, se ele tivesse cumprido sua palavra de termos nossa noite perfeita eu não estaria aqui, sentada nessa cadeira giratória, pensando num par de olhos azuis e duas covinhas. Voltei a me concentrar nos preços. Eu era boa em achar coisas baratas, prova disso é que muitas das minhas roupas encontrei em promoção, naquela sessão abandonada das lojas, onde as pessoas não costumam botar muita fé. O segredo é saber procurar. — O que vai beber? — Uma voz, agora familiar, perguntou. Ah, não! Virei o rosto e ali estava ele novamente, sentado na cadeira ao lado, espiando o cardápio em minhas mãos. — O que você quer agora? — Perguntei, impaciente. — Posso falar...? — Ele quis saber, os olhos presos em mim, avaliando cada detalhe do meu rosto. — Deve — falei, deixando o Menu de lado.— Desembucha e dá no pé. Ele sorriu, um sorriso cheio de dentes brancos e bonitos, e as covinhas afundaram em suas bochechas outra vez. Seu olhar pousou em minhas mãos, estendidas sobre o mármore preto, e a diversão em seu rosto sumiu. — O que acha — ele começou, com certa cautela — de um pedido de desculpas, seu nome, e uma companhia para um drinque...? — Uma companhia para um drinque? — Repeti, achando graça.— Essa cantada aí funciona com as outras garotas? — Eu não estou te cantando — ele objetou, sério. — Ah, claro que não — debochei.— Olha, deve ter um monte de garotas por aí afim de beber com você, é só melhorar na cantada e quem sabe... Ele riu, riu tanto, que eu tive que prender os lábios para não gargalhar junto, ainda que não soubesse o motivo. — Você é muito convencida, mocinha — dissera, sem perder o senso de humor. — E você é um mala — rebati, já não tão zangada. — E muito teimoso também — ele acrescentou, recuperando a seriedade —, mas eu não estou te paquerando, como você pensa. Na verdade eu não me atrevo a dar em cima de uma mulher comprometida, vai contra o que eu acredito. Como ele sabia que eu era comprometida? — O anel — ele respondeu, como se lêsse meus pensamentos. — Que anel? — Perguntei, confusa. O único anel que eu usava era minha aliança, a qual eu havia jogado fora quando ainda estava no camarote. — Não o anel em si, mas a marca dele. Aí na sua mão esquerda, um dedo antes do mindinho — ele apontou. — Você é muito observador — falei, olhando para a marca esbranquiçada envolta do meu dedo, era visível, mas não tanto. — Faz parte do meu trabalho— ele deu de ombros e depois me encarou, algo na forma como ele me olhava me deixava meio... estranha.— E então, aceita beber comigo? Era tentadora, a proposta. E ele não era tão irritante como achei que fosse, além disso eu não o veria mais e todas essas sensações iriam embora, então, por que não? “Porque você está noiva, Larah!” O Ricardo também, e ainda assim estava lá, cheio de segredinhos com sua ex-namorada. “Quer saber? Que se dane!” — Tudo bem — aceitei—, mas antes que você peça pra rachar a conta, vou logo avisando que só tenho dez reais. Ele piscou, novamente surpreso, e aquele misto de emoções estranhas cruzou seus olhos outra vez. — É por minha conta — falou, meio que comprimindo os lábios para não rir. — Larah — eu disse, estendendo a mão —, meu nome é Larah. — Lucas — ele respondeu, correspondendo ao gesto. Eu aquiesci, e me permiti demorar um pouquinho naquele aperto de mão, me trouxe... segurança. Mas como? Como eu poderia me sentir segura ao lado de um cara que eu tinha acabado de conhecer? Carente, eu estava muito carente. Soltei minha mão, num movimento um pouco brusco, e tornei a pousá-la sobre o balcão. — Então —disse ele —, posso ver? —É todo seu— falei entregando-lhe o cardápio—, já não aguento mais olhar pra isso aí. — Obrigado —Agradeceu mantendo as duas turquesas em mim. Deus, como alguém podia ser tão lindo? — O que vai querer beber, Larah? Existem coisas na vida que a gente vê e de cara sabe que combina, foi isso que senti quando Lucas chamou meu nome. —Uísque— respondi, quebrando o contato visual. — Duplo. Do mais caro que tiver, pra compensar o estrago no meu vestido. — Muito justo— falou. De soslaio, reparei que sorria. Lucas entregou o cardápio ao barman, que me olhou como se dissesse “Até que enfim”, e pediu, todo gentil, dois Ballantines. Eu nunca tinha bebido ao lado de um cara que não fosse meu irmão ou meu noivo, então o silêncio foi inevitável. Fiquei batucando as unhas sobre o balcão, correndo os olhos pelas garrafas empilhadas nas enormes prateleiras, conferindo as horas... Eu fazia tudo, exceto encará-lo. — Onde está seu namorado? — Ele perguntou depois de alguns instantes. “Noivo” — eu quis corrigi-lo, mas por alguma razão deixei passar. — Tá por aí — respondi, com a mão já agarrada em minha correntinha —, esquecendo que tem uma namorada. — Sinto muito — Falou. Voltei a olhar para ele, a sinceridade que encontrei em seus olhos me fez sorrir, e, consequentemente, relaxar. — Tudo bem — eu disse, soltando o pingente — seria até estranho se não fosse assim. Lucas me olhava como se tentasse entender tudo aquilo, mas não o culpei, nem eu entendia. Nossas bebidas foram servidas e a tensão que se formara por ali esvaiu-se. — Gelo...? — Ele perguntou, solícito, fiz que sim com a cabeça e ele apanhou um cubo de dentro do pequeno pote, em seguida me estendeu o copo. — Obrigada — falei. — Não por isso — e ergueu a bebida, simulando um brinde, fiz o mesmo. — Você e o seu namorado... brigaram? Tomei um bom gole do Úisque, que desceu rasgando tudo por dentro. Forte, forte, forte! — Quem dera fosse só isso — falei, depositando o copo sobre o balcão. Limpei a boca com uma das mãos, a outra, involuntariamente, já estava agarrada à correntinha. — A gente briga sempre, Lucas. Pelos diversos motivos. A ex dele, os amigos, a família que não me aceita... E ali estava eu, falando da minha vida amorosa para um cara que eu conhecia há menos de uma hora. Por outro lado, não era como se Lucas fosse um completo estranho, tinha alguma coisa nele, alguma coisa que me inspirava confiança. E a forma como ele me encarava — atento, paciente, compreensivo — me deixava à vontade para lhe contar tudo. E eu contei. Desde o momento em que conheci Ricardo até essa noite, onde ele me abandonou nessa maldita festa para ficar se exibindo com seus amigos. Por algum motivo, não mencionei meu casamento. Nem o jarro que quebrei na cabeça do meu noivo. — Então — falei, como se um peso tivesse sido arrancado de mim —, é isso. — Esse cara não te merece — Lucas falou, de imediato. — Por que perder tempo ao lado de um cara que não te leva a sério? — Não é bem assim — rebati, correndo os dedos pelo boca do copo —, acho que você entendeu tudo errado. — Não, Larah, você quem não quer enxergar — ele aproximou a cadeira da minha, ficando ainda mais perto de mim, e segurou minha mão, firme.— Quando queremos algo ou alguém de verdade, lutamos por isso. — O que você tá querendo dizer?— Perguntei, embora eu não quisesse ouvir. —O que eu tô querendo dizer — ele respondeu, fazendo carinho em minha mão —é que quando a gente quer, a gente se vira, sempre. E tudo bem que na teoria é fácil, mas as coisas são assim, Larah. — Qual é — falei, sentindo uma pontada de indignação —, já te disse que não é bem assim. — É claro que é — Lucas rebateu, cheio de si. — Ele está te deixando escapar, agora cabe a você ter coragem para ir, mocinha. — Não — falei, soltando minha mão da sua —, você não sabe o que tá falando. Dizer que o cara que namora comigo há anos não me quer de verdade? — Larah — ele chamou, mas eu me sentia humilhada demais para encará-lo. — Obrigada pela bebida — falei, afastando o copo de mim —, mas você não sabe nada sobre meu relacionamento. — Você não pode simples... — Adeus, Lucas — eu disse, levantando-me — e dessa vez vê se não me segue. Na boa. E saí, me esforçando para segurar as lágrimas. Parte de mim sabia que ele estava certo, mas a outra parte, aquela que acreditava em unicórnios e fadas, se recusava a admitir. Eu sabia que todos achavam isso; que o cara com quem eu subiria ao altar já não morria de paixão por mim. Segurei em meu pingente e desejei, desejei com todas as forças, provar que eu estava certa, e que esse era só o jeito, todo torto, do meu noivo me amar. Me desviei das pessoas, sem muita delicadeza. Eu iria sair daqui, passaria uma mensagem para Linda vir me buscar — embora ainda estivesse chateada com ela —, e esqueceria tudo o que aconteceu essa noite. Era isso que eu pretendia fazer, mas então o som ficou bem baixinho e a luz da boate focou em mim, me fazendo parar. Merda. — Ali está ela — o DJ falou, pausando o som de uma vez. — Oi, Larah. Segui o foco da luz e notei a cabeleira loira do tal DJ, e, foi estreitando bem os olhos, que eu o reconheci. Brad. Brad Spencer. Levantei a mão, num aceno um tanto tímido, e sorri para ele. — Eu sei que é vergonhoso, mas eu poderia fazer pior — ele disse, brincalhão —, te chamando para vir aqui, por exemplo. Nem pensar! — Mas eu não sou tão c***l — dissera ele —, então, Larah, obrigado pela presença, a próxima música é para você, foi dedicada por alguém especial. Assenti, sem graça, e me obriguei a ficar ali para não fazer desfeita. Eu sabia que estava sendo observada por esse alguém especial, então, corri os olhos para o camarote do Stella. Ali estava Ricardo, abrindo um sorriso travesso para mim, assinando seu atestado de culpa. A música — um rock nacional que gostávamos — invadiu o local e as pessoas, aos poucos, se desligaram de mim, exceto ele. Fuzilei meu noivo com o olhar e jurei esganá-lo assim que ele viesse ao meu encontro — o que ele já estava tratando de fazer, desviando-se das pessoas e descendo, apressado, os degraus da área VIP. Então, de repente tudo se apagou — o som, as luzes, tudo — e uma completa escuridão tomou conta da boate. Um burburinho começou, seguido de muitos empurrões e gritaria. Para minha sorte, Ricardo fora rápido e me puxou pela mão, me levando para longe de todo aquele alvoroço.
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