Chegamos em casa e fui direto ver meus filhos, não estava aguentando ficar perto de Christian. Entrei no quarto e vi que eles estavam no soninho ainda, sai e desci. Encontrei Christian sentado ao piano bebendo, não me aproximei dele, ele olhava fixamente para a janela a sua frente, balancei a cabeça e sai, sentei no gramado de baixo do carvalho,de onde eu estava eu via ele claramente, os olhos fixos em um ponto, o dedo contornava a borda do copo, quando ele olhou para mim, seus olhos estavam tristes e vermelhos, Christian havia chorado, um choro pelo qual eu provoquei.
Ele passou a mão pelo rosto e levantou, ficou me olhando por alguns segundos e saiu.
Quando me dei conta ele estava sentando ao meu lado.
- Sabe uma coisa que eu nunca vou entender? - apenas o encarei, ele tinha os olhos marejados e a voz embargada. - Porque Deus me castigou desse jeito? Primeiro me deu uma mãe que não cuidou de mim, segundo aos poucos está me tirando você e agora o que falta acontecer?
- Christian eu não queria mesmo, só que acho que não gosto mais da vida que eu tinha antes com você.
- Não gosta mais de mim?
- Não, eu não gosto ... eu amo você, só que não dá, eu não quero que você me toque mais.
- Não te tocar. Ana você é minha esposa, e tudo que eu mais amo.
- Preciso de um tempo. - me levantei, ele fez o mesmo e me segurou pelos braços, o encarei e vi seus olhos brilhando por causa das lágrimas.
- Não me toca Christian. - puxei meu braço.
- Ana por Deus, o que aconteceu? Pensei que estávamos bem, Ana você se entregou a mim.
- Talvez foi um erro Christian.
- Porque? Ana não faz isso. - tinha súplica na sua voz.
- Por que toda vez que eu tento me lembrar de você, a única imagem que vem e de você me batendo.
- Ana, a anos que eu não faço isso,por você eu renuncie a tudo, e faria de novo.
- Porque você faria isso de novo?
- Por que eu amo você. - aquelas cinco palavras atingiram meu coração, Christian estava só os cacos na minha frente, ele fechou os olhos e lágrimas escorreram sobre a pele dele. - Me deixa reconquistar você, por favor amor.
Balancei a cabeça e sai correndo dali, eu não iria aguentar ver ele daquele jeito na minha frente.
Quando olhei para trás, o vi ajoelhado olhando para o céu, pela respiração ele chorava, chorava como um menino que havia perdido seu brinquedo preferido.