Chegamos ao consultório do Dr Flynn, Christian balançava os pés e batia os dedos no encosto do sofá esperando para sermos atendidos. Depois de trinta minutos de espera ele finalmente nos chamou.
- Ana como está? - nos cumprimentos com aperto de mãos.
- Bem e o senhor?
- Bem também, sente-se, ficam a vontade. - nos sentamos e ele fez o mesmo cruzou as pernas e pegou o bloquinho de nota dele.- então Ana, está preparada para me contar o que lembrou?
- Claro. - Christian me olhou e pegou em minha mão. Eu estava meio insegura por causa do meu sonho, lembrança, acho que estou com medo de não gostar mais da vida que eu tinha.
- Christian você se incomoda de nos deixar sozinhos?
- Claro que não. - meio com reluta ele disse e se levantou saindo da sala.
- Ana querida, diga me do que lembrou. - senti um arrepio na espinha, eu teria que abrir a minha vida para aquele médico e no fundo não estava confortável.
- Bom... - limpei a garganta e me acomodei direito - lembro do dia em que fiz a tal entrevista com Christian, que foi meio estranha, me senti muito intimidada com ele .
- Perfeito Ana, do que mais lembrou.
- Lembro de quando fui ao escala pela primeira vez, onde me entreguei a ele, lembro de um quarto com paredes vermelhas e eu estava nua e Christian me mandava contar com muita raiva, não sei, e me batia com um cinto e depois eu estava indo embora, lembro também do meu casamento e da Elena do dia do aniversário do Christian.
- Ana bela evolução, do que mais você lembra.
- Eu estou sonhando muito com ele me batendo. E estou com medo dele.
- Ana você e Christian depois desse seu acidente, já tiveram relações?
- O que isso tem a ver com tudo isso?
- Se você se entregou ao seu marido e porque sentiria medo dele agora?
- Não sei, Christian as vezes muda de humor rápido, isso me assusta, eu não me recordo de como era a nossa vida de casados antes, não sei se tínhamos tanta liberdade.
- Você lembra dos segredos dele ?
- Não ... Dr Flynn , eu estou com medo de não gostar da minha vida com ele, a cada vez que eu lembro de tudo, me da uma sensação estranha, uma metade minha quer, a outra não .
- Mais o que seu coração diz disso tudo?
- Ele me diz que eu amo ele e de alguma forma eu sei que isso é verdade.
- quer que eu chame ele?
- Será que ele pode entrar na próxima sessão, nessa eu não me sinto a vontade ainda.
- Tudo bem Ana.- ele se levantou arrumando seu terno- Te espero aqui na semana que vem no mesmo horário.
- Estarei aqui. - ele foi até a porta onde chamou Christian e eles conversaram um.tempo em um canto e logo voltaram. - bom Ana, até semana que vem.
- Até Dr Flynn, obrigada. - nos pedimos e saímos, andei um pouco mais a frente de Christian e entrei no carro, fiquei um pouco longe dele.
- O que conversou com o Dr Flynn?
- Não posso dizer Christian.
- Porque?
- Porque o que se diz com um terapeuta,fica com o terapeuta.
- Hum ... tudo bem.- ele aproximou sua mão do meu rosto e eu afastei com a minha, eu não queria que ele me tocasse depois daquela lembrança. - Ana o que foi?
- Não me toque Christian. - ele me encarava perplexo, acho que ele não estava acreditando no que eu tinha acabado de falar.
- Ana, não te tocar? - assenti. - Ana ontem fizemos amor, nos amamos e hoje você me diz que, eu não posso tocar você.
- Christian eu estou confusa, por favor não me toca. - ele respirou fundo e soltou ,acho que eu acabei de ferir o ego dele e isso no momento não me importava.