# Capítulo 13: O Julgamento do Mármore
A atmosfera no Grande Salão do Trono era tão densa que parecia difícil respirar. As colunatas de obsidiana erguiam-se como sentinelas mudas, refletindo o brilho instável das tochas de fogo azul. Toda a corte de Obsidian estava reunida, disposta em círculos sussurrantes. No centro do mármore n***o e polido, Elena permanecia de pé, com os braços cruzados e a cabeça erguida, guardada por quatro soldados da elite imperial.
No topo dos degraus, sentado em seu trono entalhado em rocha vulcânica, Azael parecia uma divindade esculpida em gelo e sombra. Suas runas vermelhas estavam opacas, quase negras, um sinal de sua fúria sob absoluto e perigoso controle. Seus olhos de ouro líquido fixavam-se em Elena com uma intensidade letal.
Ele resistia ao turbilhão interno. A acusação de traição contra a humana era um golpe direto em seu peito, mas ele se recusava a demonstrar qualquer fraqueza diante de seus súditos. Ele precisava ser o lorde implacável que todos temiam.
## O Teatro da Acusação
O Marquês Valerius deu um passo à frente, segurando o pergaminho incriminador com uma reverência teatral para o trono.
— Meu Lorde — começou Valerius, a voz ecoando pelas abóbadas do salão. — As provas são incontestáveis. Esta humana, que recebeu sua inexplicável clemência e o privilégio de habitar a ala leste, usou sua liberdade para mapear as fraquezas de nossa fortaleza. Ela planejava entregar as chaves de Obsidian para os rebeldes de Oakhaven. O selo da casa Vance no documento não deixa margem para dúvidas.
Lilith, posicionada estrategicamente perto do trono, soltou um suspiro dramaticamente pesaroso.
— Uma víbora que recolhemos do chão, Azael — provocou a duquesa, usando deliberadamente o nome dele sem o título para simular i********e. — Eu avisei que a carne mortal é inerentemente traiçoeira. Ela usou sua... "distração" para nos vender.
Azael não moveu um único músculo. Ele continuou apoiando o queixo sobre o punho fechado, o olhar cravado em Elena. Ele esperava ver pânico, desespero ou súplica na face da humana. Mas ela apenas o encarava de volta com seus olhos azul-tempestade frios e límpidos.
— Elena Vance — a voz de Azael ecoou, um barítono tão baixo e gélido que fez os generais na primeira fila se encolherem. — O que você tem a dizer em sua defesa antes que eu ordene que sua alma seja dispersada no vento de cinzas?
Elena deu um passo à frente, ignorando as lanças dos guardas que se cruzaram diante dela.
— Eu não escrevi essa carta — declarou ela, a voz limpa de qualquer tremor. — E o senhor sabe disso, Azael. Se eu quisesse traí-lo, não seria tão estúpida a ponto de selar meu próprio crime com o brasão da minha família e escondê-lo sob meus lençóis, no quarto onde o senhor colocou uma barreira que detecta até mesmo o sopro de uma mosca. Isso não é uma traição minha. É um insulto à sua inteligência, planejado por quem realmente deseja o seu trono.
Um murmúrio de indignação correu pela corte. Valerius disfarçou uma careta de irritação sob um sorriso condescendente.
— Uma mentira desesperada de uma prisioneira encurralada — rebateu o marquês. — Meu Lorde, a lei de Obsidian exige a execução imediata para crimes de alta traição.
## A Lâmina do Orgulho
Azael levantou-se do trono. O movimento foi lento, mas a pressão mágica no salão caiu tão drasticamente que o ar pareceu congelar nos pulmões de todos os presentes. Ele desceu os degraus de mármore, sua capa escura arrastando-se como uma sombra viva.
Ele parou a poucos centímetros de Elena. O calor da proximidade dela tentava perfurar suas barreiras, trazendo a memória vívida de seus corpos unidos sob o veludo n***o, mas ele travou o maxilar, mantendo os olhos dourados gélidos e impenetráveis. Ele precisava manter a máscara de tirano; precisava provar a si mesmo e à corte que ela não o controlava.
Ele estendeu a mão pálida e segurou o queixo dela com firmeza, exatamente como fizera no prólogo, forçando-a a olhar para ele.
— Você fala de inteligência, humana — sussurrou ele, a voz perigosamente macia. — Mas esquece que, para mim, sua vida não passa de um sopro. Se eu decidir que você é culpada, não preciso de provas. Apenas do meu capricho.
— Então me execute — Elena desafiou, a voz sussurrada contra os lábios dele, os olhos brilhando com uma coragem que o enfurecia e o maravilhava. — Execute-me aqui, diante de todos, e dê aos verdadeiros traidores a certeza de que o grande Lorde de Obsidian é facilmente manipulado por um pedaço de papel falso. Mostre a eles que você teme o que sente por mim a ponto de preferir me matar do que encarar a verdade.
As runas no pescoço de Azael piscaram em um escarlate violento. A audácia dela quase o fez perder o controle ali mesmo, diante de centenas de demônios. O desejo de puxá-la para si e o ódio por sua própria vulnerabilidade guerreavam dentro de seu peito imortal. Ele estava resistindo, mas a corda estava prestes a arrebentar.
Ele soltou o queixo dela com um gesto frio e virou-se para a corte.
— O julgamento está suspenso — anunciou Azael, a voz cortando qualquer possibilidade de contestação.
— Mas, Meu Lorde...! — Valerius tentou intervir, chocado.
— Silêncio, Valerius! — o rugido de Azael fez as colunas de obsidiana tremerem, e o marquês deu um passo atrás, pálido. — Eu sou o juiz e o carrasco deste reino. A humana será mantida nas masmorras de ferro sob a minha guarda pessoal. Eu mesmo extrairei a verdade dela, sem a interferência de conselheiros que parecem ansiosos demais para ver o sangue correr.
Ele lançou um olhar cortante e suspeito para Valerius e Lilith, que engoliram em seco.
— Levem-na — ordenou Azael aos guardas.
Elena foi conduzida para fora do salão. Ao passar por Azael, ela não baixou a cabeça. Ela sabia que as masmorras de ferro eram o lugar mais frio do palácio, mas também sabia que, ao não executá-la, Azael acabara de admitir para si mesmo que preferia enfrentar a desconfiança de sua corte a viver em um mundo onde ela não existisse.