capítulo 15

892 Words
# Capítulo 15: O Ponto de Vista do Predador Azael subiu as escadarias das masmorras com passos lentos e medidos, sua capa escura arrastando-se pelo mármore como uma sombra viva. Seu rosto era uma máscara de indiferença imperial, mas, por dentro, sua mente trabalhava com a velocidade e a precisão de uma lâmina de guerra. Eles realmente achavam que o haviam enganado. Valerius, com seu sorriso ensaiado e suas provas perfeitamente convenientes. Lilith, com seu veneno disfarçado de preocupação pelo trono. Eles olhavam para Azael e viam um lorde dominado pelo tédio, talvez enfraquecido pela presença de uma cativa humana. Pensavam que a raiva e o orgulho o tornariam cego. Que erro t**o. Azael não governara a Corte de Obsidian por três eras sendo um joguete nas mãos de aristocratas ambiciosos. Ele sabia que Elena era inocente desde o milésimo de segundo em que Valerius erguera aquele pergaminho no Salão do Trono. ## O Tabuleiro do Rei Elena era orgulhosa, insolente e irritantemente corajosa, mas não era estúpida. Se ela quisesse traí-lo, não usaria o brasão da própria família — um símbolo que atrairia os olhos de todo o palácio como um farol na névoa. Além disso, o selo de proteção rúnica que ele próprio havia tecido ao redor da ala leste monitorava cada grama de energia que entrava ou saía daquele quarto. Nenhuma mensagem física ou mágica passaria por aquela barreira sem que Azael soubesse. A carta era uma farsa grosseira. E Azael sabia exatamente de qual gaveta no gabinete de Valerius aquela tinta fresca havia saído. No entanto, o teatro era necessário. Se ele simplesmente inocentasse Elena e acusasse o marquês ali, no calor do momento, os aliados de Valerius na fronteira recuariam para as sombras, esperando por outra oportunidade mais limpa para golpear. Azael precisava que eles se sentissem vitoriosos. Precisava que Valerius e Lilith acreditassem que sua armadilha havia funcionado perfeitamente, que o lorde estava cego de fúria e que a humana estava prestes a ser descartada. Apenas quando os traidores se sentissem totalmente seguros, eles fariam o movimento definitivo. E seria nesse momento que Azael fecharia a armadilha ao redor de seus pescoços. ## O Preço do Teatro Ao entrar em seu gabinete privado, Azael encontrou Balthazar parado junto à lareira de chamas azuis, com o punho de sua espada apoiado no chão. — Meu Lorde — disse o fiel general, curvando a cabeça. — Os espiões já estão posicionados ao redor dos aposentos de Valerius. Ele enviou um mensageiro alado para as colinas do sul assim que a humana foi levada para as masmorras. O marquês acredita que o senhor morderá a isca completamente. — Excelente — murmurou Azael, servindo-se de uma taça de vinho de Obsidian, embora seus olhos dourados permanecessem fixos no vazio. — Deixe-o enviar quantos mensageiros quiser. Monitore as rotas. Quero os nomes de cada oficial que responder ao chamado dele. — E quanto à princesa Vance, Milorde? — Balthazar hesitou, medindo as palavras. — As masmorras de ferro são implacáveis com a carne mortal. Ela não resistirá muito tempo àquele frio. As runas no pescoço de Azael brilharam em um escarlate contido, uma resposta física involuntária à menção do nome dela. O aperto em sua taça de cristal tornou-se perigosamente forte. — Eu já providenciei para que ela não congele, Balthazar — respondeu Azael, a voz descendo a um barítono ríspido, forçando-se a adotar a postura fria que usava como escudo contra si mesmo. — Ela permanecerá lá. É o único lugar onde os assassinos de Valerius não podem tocá-la sob o pretexto de "justiça". Ela está mais segura naquela cela do que em qualquer outro aposento deste palácio. — Compreendo — disse o general, esboçando o início de um sorriso que rapidamente desfez sob o olhar mortal de seu mestre. — O teatro continuará, então. — Sim. Até que eu tenha o pescoço de Valerius sob a minha bota. ## O Retorno à Prisão de Si Mesmo Balthazar retirou-se com uma reverência, deixando Azael sozinho com o silêncio e as chamas azuis. O lorde demônio caminhou até a imensa janela que dava para o pátio interno, de onde podia ver, muito abaixo, a entrada das masmorras. Ele levou a taça aos lábios, mas o vinho parecia cinza em sua boca. Ele odiava o fato de ter que trancá-la. Odiava saber que, mesmo com sua barreira de calor, ela estava deitada sobre pedra dura enquanto ele desfrutava do veludo de seus aposentos. Mas, acima de tudo, ele odiava a clareza devastadora com que percebia que estava fazendo tudo aquilo — armando um jogo político complexo, arriscando a estabilidade de sua corte — não apenas para punir os traidores... mas para garantir que Elena saísse viva e intacta daquela teia. *Ela é apenas uma humana*, repetia para si mesmo, os nós de seus dedos ficando brancos contra o cristal da taça. *Uma prisioneira. Uma fraqueza.* Mas, enquanto olhava para a escuridão do pátio, as fendas douradas de seus olhos brilharam com uma promessa silenciosa e mortal. Valerius e Lilith achavam que estavam usando Elena para destruir o rei. Eles não tinham ideia de que, ao tentarem usar a única criatura que havia conseguido penetrar a armadura de gelo de Azael, eles haviam assinado suas próprias sentenças de morte da maneira mais dolorosa possível. O predador estava apenas esperando o momento de saltar.
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