capítulo 20

1102 Words
Capítulo 20 O vento do deserto de cinzas uivava às suas costas enquanto Elena segurava o braço de Azael. Em um piscar de olhos, o desfiladeiro desapareceu em uma dobra de espaço e sombra, dando lugar ao piso de mármore n***o polido de seus aposentos reais na ala leste. A transição foi tão abrupta que o equilíbrio de Elena falhou, fazendo-a tropeçar contra o peito dele. Por um milésimo de segundo, as mãos de Azael se fecharam em torno da cintura dela com uma firmeza possessiva, o calor de seu corpo contrastando com a frieza do tecido de sua casaca rúnica. Suas fendas douradas se dilataram, fixando-se no rosto pálido e sujo de fuligem de Elena. Mas, tão rápido quanto a segurou, ele a soltou, dando um passo para trás com a mandíbula travada. O orgulho gélido estava de volta, uma muralha invisível erguida entre os dois. — Fique aqui — ordenou ele, o barítono gélido e sem margem para contestações. — Eu tenho uma última cobra para decapitar no meu salão. Antes que Elena pudesse dizer qualquer coisa, ele sumiu em um turbilhão de fumaça n***a e cinzas, deixando apenas o cheiro de ozônio e tempestade no ar. No Grande Salão do Trono, a Duquesa Lilith andava de um lado para o outro. Ela observava a lua de sangue começar a se dissipar no céu através das janelas góticas, aguardando ansiosamente o mensageiro que traria a notícia da morte de Elena e do início da rebelião de Valerius. A pesada porta de carvalho n***o e ferro não se abriu; ela foi simplesmente estourada Os pedaços de madeira e metal voaram pelo salão quando Azael cruzou a entrada . Suas asas estavam recolhidas, mas a aura de opressão rúnica que emanava de seu corpo era tão violenta que os guardas do salão caíram de joelhos instantaneamente, incapazes de suportar a gravidade de sua presença. Lilith congelou. Seus olhos negros se arregalaram ao ver o lorde de Obsidian intacto, sem um único arranhão, carregando em sua mão direita os pedaços quebrados da espada de fogo azul de Valerius. — Você está procurando por isso, Duquesa? — Azael jogou o metal partido aos pés dela. O som do aço batendo no mármore ecoou como uma sentença. — A-Azael... — Lilith gaguejou, recuando até suas costas baterem contra a lateral do trono. — O que... o que significa isso? Valerius... ele capturou a humana traidora? — Valerius fugiu como um cão covarde usando um amuleto de teletransporte antigo — respondeu Azael, aproximando-se com passos lentos, a personificação da morte aristocrática. — E você, Lilith, facilitou a fuga de uma prisioneira pessoal do seu rei para alimentar a fantasia de poder de um t**o. — Foi um erro! Eu fui enganada por ele! — ela gritou, o desespero fazendo sua voz de prata soar ríspida e desafinada. — Eu fiz isso para proteger Obsidian! A humana estava nos enfraquecendo! Azael parou a um passo dela. Ele não ergueu a mão para bater nela, nem usou suas garras. Seu desprezo era uma punição pior. Ele inclinou-se ligeiramente, seus olhos dourados brilhando com o mais puro gelo. — Você não é inteligente o suficiente para me enganar, Lilith. E certamente não é forte o suficiente para tocar no que me pertence. Eu a poupo da morte hoje apenas porque a linhagem de sua casa ainda me deve dízimos de guerra. Mas sua dignidade termina aqui. Ele ergueu a mão e, com um estalo de seus dedos, as joias de prata rúnica que Lilith usava no pescoço e nos pulsos — os símbolos de seu status ducal — derreteram instantaneamente, queimando a pele de seus pulsos em uma marca de cinza permanente. — Você está banida da corte de Obsidian. Suas terras estão confiscadas e sua voz não tem mais valor neste palácio. Saia da minha vista antes que eu mude de ideia e decida alimentar as gárgulas com a sua carcaça. Lilith, chorando lágrimas de puro ódio e humilhação, cobriu os pulsos queimados com as mãos e correu para fora do salão, destruída politicamente e sem aliados. Quando o silêncio finalmente retornou ao Palácio de Espinhos, Azael voltou aos aposentos reais. Ele encontrou Elena sentada à beira da cama de dossel. Ela havia limpado a fuligem do rosto, mas ainda parecia exausta. A tensão da noite finalmente começava a cobrar seu preço de seu corpo mortal. Azael parou no arco da entrada. Ele a observou por um longo tempo, o silêncio se estendendo entre eles como uma corda esticada. Ele lutava contra o desejo de cruzar o quarto, de tocar e garantir que o frio do desfiladeiro não a havia machucado. Em vez disso, ele cruzou os braços e manteve a expressão impassível. — Lilith foi banida. Valerius é um fugitivo sem exército — declarou ele, a voz firme. — A conspiração foi esmagada antes mesmo de começar. — E eu? — Elena perguntou, erguendo os olhos azul-tempestade. — Vou voltar para as masmorras? Ou para os aposentos dos servos? Azael soltou um riso curto e ríspido, o queixo erguido com a velha e familiar arrogância. — Você realmente acha que eu a deixaria fora da minha vista novamente, humana? Você provou ser um ímã para traidores e problemas. A partir de hoje, você não ficará na ala leste. E certamente não voltará para a imundície dos servos. Ele deu um passo à frente, apontando para o grande quarto onde estavam. — Você ficará aqui. Nos meus aposentos privados. Sob os meus olhos. Elena piscou, surpresa. — No seu quarto? Mas você disse que não repetiria o erro daquela noite. Que eu deveria ficar fora do seu caminho. As runas no pescoço de Azael piscaram em um escarlate brilhante, denunciando a mentira que ele tentava sustentar. Ele deu mais um passo, pairando sobre ela com sua estatura imponente, os olhos dourados fixos nos dela em uma mistura de fome e negação obstinada. — E você ficará fora do meu caminho — respondeu ele, a voz descendo a um tom sombrio e baixo. — Mas dormirá onde eu possa vigiar o seu sopro. Não confunda isso com afeto, Elena. Você continua sendo minha propriedade, minha prisioneira e meu troféu de guerra. E eu não permito que ninguém brinque com os meus brinquedos. Ele virou as costas, caminhando em direção à sua mesa de estudos no canto do quarto, fingindo focar em alguns pergaminhos enquanto o eclipse de sangue finalmente terminava do lado de fora. Ele resistia ao sentimento com todas as forças de sua alma imortal, trancando a humana na gaiola mais luxuosa e perigosa de todas: a dele
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