capítulo 8

1306 Words
Capítulo 8: O Jogo das Sombras e Espelhos O silêncio de Elena continuava a ser o maior suplício de Azael. Para um ser que havia governado através do medo e da submissão por milênios, a indiferença absoluta daquela humana era uma lâmina afiada cravada diretamente em seu orgulho aristocrático. Ele não conseguia dormir, não conseguia focar nas estratégias de guerra contra a Corte de Cinzas, e as runas em sua pele latejavam em um estado perpétuo de irritação. Se o desprezo não a quebrava, e a violência apenas a afastava, Azael decidiu recorrer a uma tática puramente humana, embora executada com a crueldade distorcida de um demônio: ele usaria o ciúme para forçá-la a reagir. Ele precisava ver um lampejo de posse nos olhos azul-tempestade dela, mesmo que fosse a última coisa que fizesse. ## O Teatro da Provocação Na noite seguinte, o Salão de Inverno foi preparado para uma recepção íntima. Elena foi ordenada a servir diretamente a mesa central, onde Azael estava sentado. Ao lado dele, resplandecente em um vestido de seda n***a que imitava escamas, estava a Duquesa Lilith. Quando Elena se aproximou com a jarra de prata contendo o vinho encorpado de Obsidian, Azael iniciou seu jogo. Ele, que sempre tratara Lilith com um distanciamento gélido e ríspido, mudou a postura deliberadamente. — Você está particularmente magnífica esta noite, Lilith — disse Azael, sua voz um barítono arrastado, projetada especificamente para ecoar pelo espaço e alcançar os ouvidos de Elena. Lilith piscou, os olhos inteiramente negros brilhando com uma surpresa genuína que rapidamente se transformou em triunfo. — Meu Lorde... é uma honra receber tal elogio de seus lábios — respondeu a demônia, inclinando-se para perto dele. Azael estendeu os dedos longos e pálidos, tocando a mandíbula cinzenta de Lilith. Seus olhos dourados, no entanto, não estavam fixos na duquesa; eles cortavam a penumbra, cravando-se em Elena enquanto ela vertia o vinho na taça. Ele deslizou a mão pelo pescoço de Lilith, puxando-a para um sussurro íntimo, simulando uma proximidade carnal que ele sabia que Elena tinha presenciado no salão de armas. — Talvez — continuou Azael, a voz macia e perigosa, sem desviar os olhos dourados do rosto de Elena — eu tenha negligenciado a verdadeira beleza da minha corte ultimamente. Devemos remediar isso nos meus aposentos esta noite, não acha? Lilith soltou uma risada melodiosa e vitoriosa, lançando um olhar de puro escárnio para a servidora humana. ## A f***a na Armadura Elena manteve a mão firme na jarra de prata. O vinho caiu na taça sem desviar um único milímetro. Sua expressão facial permaneceu uma máscara de mármore gélido, mas, por dentro, algo violento e inesperado aconteceu. Uma queimação súbita e sufocante subiu por sua garganta. Não era a raiva da humilhação anterior; era algo mais primitivo, uma dor aguda no centro do peito que fez seu estômago revirar. O estômago de Elena contraiu-se de uma forma tão dolorosa que ela quase perdeu o fôlego. *Por que isso importa?*, ela pensou, uma onda de pânico silencioso a invadindo. *Ele é um monstro. Ele me odeia. Ele me trata como lixo. Por que ver as garras dele na pele daquela mulher faz meu sangue parecer veneno?* Elena não entendia. Ela odiava Azael. Ele representava tudo o que a havia destruído e tirado de sua vida mortal. No entanto, o eco do beijo violento na torre ainda parecia reivindicar algo em seu corpo, e a visão dele oferecendo qualquer resquício de atenção a outra criatura criava uma f***a dolorosa em sua indiferença autoimposta. Aquilo a afetava de uma forma profunda, assustadora e incompreensível para sua mente humana. Determinada a não dar a Azael a satisfação de sua derrota, Elena terminou de servir a taça. Ela ergueu os olhos. Pela primeira vez em dias, ela olhou diretamente nas fendas de ouro líquido dele. Não havia súplica, mas havia uma intensidade crua, um brilho de mágoa e fúria contida que fez as runas de Azael brilharem intensamente em resposta. Ela havia reagido. O plano dele funcionara, mas a vitória teve um gosto amargo. Elena deu dois passos para trás, fez uma reverência rígida e, sem pedir permissão, virou as costas e caminhou em direção às portas do salão. ## O Confronto nas Sombras Azael não hesitou. Ele afastou Lilith abruptamente, ignorando o protesto confuso da duquesa, e levantou-se do trono. Seus passos eram rápidos, uma tempestade silenciosa cruzando o salão. Elena m*l havia alcançado o corredor deserto e fracamente iluminado pelas tochas rúnicas quando uma mão de ferro envolveu seu pulso. Ela foi puxada para trás com força, as costas batendo contra a coluna de pedra vulcânica. Azael a encurralou instantaneamente, o peito largo subindo e descendo com uma respiração pesada, a silhueta maciça bloqueando qualquer rota de fuga. — A encenação acabou, humana — sibilou ele, o rosto a centímetros do dela. Um sorriso c***l e arrogante dançava em seus lábios, mas seus olhos queimavam com uma urgência insana. — Eu vi o seu olhar. Eu vi a forma como sua mão estremeceu. Você odiou vê-la tocar em mim. Diga. Admita que o que é meu afeta você. Elena respirava de forma curta, o peito subindo e descendo contra o dele. O cheiro de tempestade e cinzas que emanava dele a entontecia, misturando-se àquela dor incompreensível que ainda ardia em seu peito. — Eu não entendo você, Azael — ela sussurrou, a voz trêmula de raiva e confusão, os olhos azul-tempestade fixos nos dele. — Você passa os dias dizendo a todos que sou um verme, um pedaço de carne insignificante. E depois se rebaixa a usar outra fêmea apenas para tentar arrancar uma reação de mim? O quão patético um rei pode ser? Azael rosnou, o insulto batendo em seu orgulho, mas a proximidade dela estava destruindo sua habilidade de raciocinar. — Você me ignora como se eu não fosse nada! — ele retrucou, as garras apertando o pulso dela com um pouco mais de firmeza, sem machucar, mas prendendo-a ali. — Eu sou o Lorde de Obsidian! Eu não sou invisível para ninguém, muito menos para uma criatura frágil que eu trouxe da lama! — E por que isso te importa tanto? — Elena rebateu, dando um passo à frente, colando seu peito ao dele, desafiando a opressão de sua aura. As lágrimas de frustração brilhavam em seus olhos. — Por que o silêncio de um verme afeta o grande devorador de estrelas? Se você me odeia, se me despreza, me deixe no meu canto! Deixe-me ser o lixo que você diz que eu sou! Eles estavam tão próximos que Azael podia sentir o calor febril da pele dela. A frustração de Elena era real; ela genuinamente não compreendia por que a proximidade dele com Lilith a machucava tanto, e essa inocência torturada misturada com a audácia era o combustível perfeito para a obsessão dele. — Porque eu não dou permissão para você me esquecer — Azael sussurrou, a voz descendo a um tom sombrio, carnal e possessivo. Suas garras subiram pelo pescoço dela, forçando o rosto de Elena para cima. — Você pode tentar se trancar atrás desse silêncio gélido, Elena. Mas sempre que eu tocar em outra pessoa, ou sempre que eu decidir que quero você, eu farei questão de lembrar à sua mente e ao seu corpo frágil a quem você pertence. Ele inclinou a cabeça, os lábios roçando a orelha dela, enviando um arrepio violento por toda a espinha da humana. — Você está sob a minha pele, humana. E eu vou queimar nós dois antes de permitir que você me olhe como se eu não existisse. Ele a soltou abruptamente, deixando-a no corredor escuro, com o pulso marcado pelo calor de seus dedos e o coração respondendo a uma pergunta que ela ainda tinha medo de fazer a si mesma. Se quiser continuar, peça pelo
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