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CEO: Uma Noite, Um Filho e Agora Meu Chefe

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Na véspera do casamento, Luana descobriu o noivo na cama com outra mulher.Não chorou. Não gritou. Pegou a mala, chamou um táxi e foi embora — sem olhar pra trás, sem saber o que fazer com o resto da noite. Num hotel do centro de São Paulo, um desconhecido bateu na porta com dois cafés às onze da noite. Ela abriu. Ele entrou. Ficaram horas em silêncio e em conversa e em tudo que acontece entre dois estranhos que não precisam ser nada um pro outro.Ela saiu antes do amanhecer. Deixou um papel com uma palavra.Obrigada.Dois anos depois, Luana é mãe solo de Theo — um menino de olhos escuros que inclina a cabeça de um jeito específico quando está pensando. Um jeito que ela reconhece. Um jeito que ela preferia não reconhecer.A conta bancária está no vermelho. O salário do emprego novo vai mudar tudo. E o CEO que assina a oferta — o homem que vai ser o seu chefe — é o desconhecido do hotel.Ele não a reconhece.Ela reconhece cada detalhe dele desde o primeiro segundo.E Theo tem os olhos do pai.Luana entra no emprego com um plano: alguns meses, trabalhar, juntar o suficiente, sair. Simples. Executável. Cada caixinha marcada antes do prazo. Ela sempre foi boa em listas — o problema é que listas não preveem o homem que coloca uma playlist no carro durante uma carona e você reconhece a temperatura do som antes de saber de onde conhece.Arthur Monteiro é controlado, preciso, o tipo de CEO que não pergunta onde fica a impressora porque sabe onde fica a impressora há quatro anos. Só que de repente ele está fazendo perguntas que não têm nada a ver com o projeto. Deixando dois cafés em cima de mesas. Pedindo pra ela mudar de mesa pra um ponto a exatamente quatro metros do vidro do próprio escritório — e chamando de decisão logística.Ela sabe que não é logística.Ele começa a calcular o que ela já sabe.O franzido na testa de Theo quando está concentrado. A data no sistema de viagens corporativas. O número do quarto. A resposta que ela deu numa sexta à noite dentro de um carro com a chuva de março na calçada do Brooklin: uma vez, por pouco tempo.Dois estranhos que não eram mais estranhos. Dois anos de distância que não eram mais dois anos.E no centro de tudo, um menino de dois anos que não sabe que o mundo está prestes a mudar — e que vai aceitar Arthur com a naturalidade desconcertante de quem reconhece algo sem precisar de palavras.Dois Anos Depois de Uma Noite é um romance de segredo com prazo — onde o leitor sabe o que os personagens ainda não disseram, e essa espera é o coração da história. É sobre uma mulher que fez o cálculo errado e o acerto certo. Sobre um homem que chegou perto sem saber do que estava chegando perto. Sobre um filho que é o elo antes de qualquer escolha consciente.E sobre o momento em que uma lista finalmente dá espaço pra uma coisa que não cabia nela.

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Capítulo 1
O Noivado Perfeito (POV Luana) Eu tinha uma lista. Não era metáfora. Era uma lista de verdade, numa folha de caderno quadriculado, com caixinhas pra marcar. Buquê — ✓. Sapato de cetim embrulhado no papel seda — ✓. Mala de lua de mel arrumada com a roupa dobrada do jeito certo — ✓. Lista de músicas enviada pro DJ com o timing exato da entrada — ✓. Confirmação do buffet, da opção sem glúten, da mesa dos parentes que não se suportam mas vão fingir que se suportam por duas horas porque é casamento e é o que se faz — ✓. Lembrancinha na sacola de organza com etiqueta escrita à mão — ✓. Eu gostava de listas. Listas não te traem. Você marca o que fez, vê o que falta. Simples assim. A reunião de fechamento tinha terminado duas horas antes do previsto. Bênção rara numa sexta-feira comum, mais rara ainda numa sexta-feira véspera de casamento. Saí do escritório às cinco e meia da tarde com a bolsa no ombro e aquela leveza específica de quem escapou de algo que podia ter durado muito mais. Lucas ia estar em casa. Tinha avisado de manhã, antes de eu sair, que ia passar a tarde no quarto adiantando a apresentação da semana que vem — não queria entrar no fim de semana com aquilo pendente. A gente ia pedir comida, assistir alguma coisa sem graça na tevê, dormir cedo. Plano perfeito pra véspera de casamento. Entrei no apartamento sem fazer barulho. Hábito, não intenção — ele precisava de silêncio quando estava no modo apresentação, e eu já tinha aprendido há muito tempo que não valia a pena interromper. A sala estava exatamente como eu tinha deixado de manhã. Flores brancas em cima da cômoda do corredor. Vestido na capa plástica pendurado sozinho atrás da porta do meu pequeno escritório, sem nada do lado pra amassar. Sapatos na caixa original que eu tinha guardado há três meses especificamente pra esse momento. Tudo no lugar que eu tinha decidido. Larguei a bolsa no sofá. Tirei o sapato. O caderno com a lista estava em cima da mesa de centro onde eu tinha deixado. Passei o olho rápido pelas caixinhas. Tudo marcado. Amanhã eu casava com Lucas. Lucas que namorava comigo há dois anos, que sabia que eu não consigo dormir sem a janela do banheiro entreaberta, que pedia pizza sem cebola porque eu não como cebola, que lembrava do aniversário da minha mãe antes de eu lembrar, que nunca deixou uma conta de luz atrasar em um ano de apartamento dividido. Dois anos de uma coisa boa e sólida e previsível. O celular vibrou. — Você já saiu do escritório? — Priscila, claro. Quinta ligação do dia. — Cheguei em casa agora. Reunião terminou duas horas antes. — Isso é sinal. — De que reunião de fechamento às vezes termina cedo, Pri. — De que o universo está do seu lado amanhã. — O universo não agenda participação em casamento. — Você tá bem? — ela perguntou, do nada, no meio do raciocínio. Eu parei na frente do espelho do corredor. Cabelo preso no coque do trabalho, batom apagado, blusa ainda com a marca do crachá. A noiva de amanhã, vinte horas antes de ser noiva, parecendo exatamente como eu pareço todo dia quando chego. — Estou feliz, Pri. — Feliz não é calma. — Feliz pode ser calma, sim. — Feliz de você nunca é calma. Feliz de você é você fazendo três perguntas ao mesmo tempo, perdendo a chave dentro da bolsa e mandando áudio de seis minutos no grupo da família com update que ninguém pediu. — Isso foi uma vez. — Foram quatro vezes. Eu tenho os prints. Eu ri. Ela não riu junto — o que, com Priscila, sempre é mau sinal. — Se tiver qualquer coisa errada, você me liga. Qualquer hora. Não importa se for duas da manhã. — Não vai ter nada errado. — Eu não vou falar 'eu avisei'. Prometo que não falo. — Vai relaxar e mais tarde dormir, Pri. Você tem que estar lá às oito e meia. Desliguei. Fui à cozinha buscar água. O apartamento estava no silêncio de quem trabalha concentrado num cômodo fechado. Normal. Previsível. Exatamente o que eu esperava encontrar. Ao sair da cozinha de volta pra sala, ouvi. Uma voz. Não era a dele. Parei no meio do corredor. A mão esfriou em volta do copo. A voz era baixa, quase sussurro, mas era feminina e vinha de dentro do quarto fechado onde Lucas estava adiantando a apresentação da semana que vem. Deixei a lógica tentar alguma coisa: viva-voz, talvez. Vídeo de trabalho aberto. Uma chamada com alguém do time que eu não conhecia ainda. A lógica não fechou. Bati na porta. O silêncio do outro lado foi súbito demais. Girei a maçaneta. Os dois me olharam. Eu reconheci a mulher em menos de três segundos. Cabelo escuro, comprido, solto. Festa de fim de ano da empresa dele, dezembro passado. Ela tinha elogiado meu vestido verde. Eu tinha agradecido e perguntado onde ela trabalhava. Ela tinha dito o nome do departamento. O mesmo departamento do Lucas. Os dois nus. Lucas não falou nada. Ela não falou nada. A cama atrás dos dois estava desfeita. Fechei a porta do quarto.

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