Entrei em minha sala, fechei a porta e sentei em minha cadeira
— Agora você fodeu com tudo! Meus parabéns! - Sentia minhas costas doloridas.
Ele me olhava sem reação nenhuma, seus ombros estavam caídos e seu semblante assustado. Sabia que seus pensamentos deveriam estar em um turbilhão desconexo.
Entenda que ele era um escroto e um cretino, mas machucar alguém fisicamente não fazia seu tipo, era um patamar além do que ele estava acostumado, eu sabia que não havia sido de propósito e que boa parte dessa reação exagerada era culpa minha, mas ainda não era o suficiente.
— Me desculpa - falou quase sussurrando - Me perdoa, eu juro que não foi a minha intenção. Eu não queria… - agora mais alto, mas inseguro. Seu olhar estava perdido e seu corpo imóvel.
— O que eu faço com você agora? Vou ter que reportar ao RH, isso se alguém já não o fez. - Ninguém fez e não ia fazer.
Peguei uma caneta e comecei a rodar em meus dedos, dando tempo a ele.
Rafael respirou fundo, saindo de seu estado catatônico, apoiou os cotovelos nos joelhos e escondeu o rosto entre suas mãos. Ele estava cansado, estressado e, agora, apavorado.
— Poderia muito bem prestar queixa de agressão contra você! Ou pedir pro Pacheco te dar o troco à altura, quem sabe? - Ele gemeu.
— Por favor, me perdoe! Eu…eu vou embora, não vou aparecer mais aqui.. - ele se posicionou para levantar, mas o interrompi quando voltei a falar.
— Rafael, olha pra mim! Preciso pensar no que fazer e acalmar os ânimos por aqui. Pegue suas coisas e vá para sua casa, amanhã eu te chamo e conversamos, ok?. - ele estava destruído, se levantou e saiu.
Peguei meu telefone e avisei ao Pacheco sobre o que o Rafael faria e que ele não precisaria se preocupar.
Por alguns instantes eu quase senti pena do Rafael, mas assim que bati no mouse a tela do meu computador ligou e lá estavam todos os e-mails com reclamações sobre esse exímio cretino.
Fazia umas semanas que esse projeto vinha dando dores de cabeça a ele e a pressão estava sendo bem grande. Esses últimos dias então, eu havia dobrado a pressão sobre seus ombros e ele não estava mais aguentando. Só que ainda faltavam alguns detalhes para finalizar essa parte do plano.
Peguei meu telefone e liguei para o Mauro, gerente de T.I. da empresa.
— Oi, gato, tudo bem? Como estão as coisas por aí? - falei animada assim que ele atendeu.
— Fala Lê, aqui tá tranquilo, o que se passa?
— Menino, sabe aquele favor que eu te pedi? Então, está na hora. Programa para amanhã às 8h da manhã?
— Tem certeza, Lê?
— Tenho sim!