Em queda livre

464 Words
Entrei em minha sala, fechei a porta e sentei em minha cadeira — Agora você fodeu com tudo! Meus parabéns! - Sentia minhas costas doloridas. Ele me olhava sem reação nenhuma, seus ombros estavam caídos e seu semblante assustado. Sabia que seus pensamentos deveriam estar em um turbilhão desconexo. Entenda que ele era um escroto e um cretino, mas machucar alguém fisicamente não fazia seu tipo, era um patamar além do que ele estava acostumado, eu sabia que não havia sido de propósito e que boa parte dessa reação exagerada era culpa minha, mas ainda não era o suficiente. — Me desculpa - falou quase sussurrando - Me perdoa, eu juro que não foi a minha intenção. Eu não queria… - agora mais alto, mas inseguro. Seu olhar estava perdido e seu corpo imóvel. — O que eu faço com você agora? Vou ter que reportar ao RH, isso se alguém já não o fez. - Ninguém fez e não ia fazer. Peguei uma caneta e comecei a rodar em meus dedos, dando tempo a ele. Rafael respirou fundo, saindo de seu estado catatônico, apoiou os cotovelos nos joelhos e escondeu o rosto entre suas mãos. Ele estava cansado, estressado e, agora, apavorado. — Poderia muito bem prestar queixa de agressão contra você! Ou pedir pro Pacheco te dar o troco à altura, quem sabe? - Ele gemeu. — Por favor, me perdoe! Eu…eu vou embora, não vou aparecer mais aqui.. - ele se posicionou para levantar, mas o interrompi quando voltei a falar. — Rafael, olha pra mim! Preciso pensar no que fazer e acalmar os ânimos por aqui. Pegue suas coisas e vá para sua casa, amanhã eu te chamo e conversamos, ok?. - ele estava destruído, se levantou e saiu. Peguei meu telefone e avisei ao Pacheco sobre o que o Rafael faria e que ele não precisaria se preocupar. Por alguns instantes eu quase senti pena do Rafael, mas assim que bati no mouse a tela do meu computador ligou e lá estavam todos os e-mails com reclamações sobre esse exímio cretino. Fazia umas semanas que esse projeto vinha dando dores de cabeça a ele e a pressão estava sendo bem grande. Esses últimos dias então, eu havia dobrado a pressão sobre seus ombros e ele não estava mais aguentando. Só que ainda faltavam alguns detalhes para finalizar essa parte do plano. Peguei meu telefone e liguei para o Mauro, gerente de T.I. da empresa. — Oi, gato, tudo bem? Como estão as coisas por aí? - falei animada assim que ele atendeu. — Fala Lê, aqui tá tranquilo, o que se passa? — Menino, sabe aquele favor que eu te pedi? Então, está na hora. Programa para amanhã às 8h da manhã? — Tem certeza, Lê? — Tenho sim!
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