Uma mão amiga

1505 Words
No dia seguinte, após o almoço mandei uma mensagem para Rafael: "Rafa, me encontra no Paineiras às 20h." Paineiras era um bar-boteco próximo a minha casa. Ele me respondeu prontamente que sim e o dia correu normalmente. Exatamente 20h30 eu estava saindo da minha casa, afinal nenhuma diva chega na hora, precisamos de uma entrada triunfal. Rafael já estava em uma mesa no bar, mas não havia levado sua arrogância junto. A bem da verdade ele estava aos farrapos. Não havia nada na mesa, nenhum pedido e ele mexia em seu smartphone, distraído. Me aproximei e me sentei em frente a ele. Ele não levantou os olhos, parecia bem envergonhado. — Oi Letícia, como você está? - falou sem me encarar. — Estou bem, só as minhas costas que doem um pouco. - ele me olhou, pedindo perdão com os olhos. - completei. - Você não pediu nada? Você não bebe? - eu sabia que ele bebia, já havíamos participado de algumas confraternizações juntos. — Não estou com vontade. - respondeu meio sem jeito. — Ah! Para! Vou pedir uma cerveja para nós! - e me virei para achar um garçom. — NÃO! Eu não quero NADA. - foi muito mais incisivo que o necessário. Olhei pra ele com uma das sobrancelhas levantadas, mesmo assim me virei, chamei um garçom e pedi uma cerveja e dois copos. Estava calor, meio abafado, e a noite pedia uma bebida gelada. Quando o garçom trouxe meu pedido, Rafael afastou o copo, negando. Insisti para o garçom servir os dois copos e empurrei um deles para o Rafael. Ele estava visivelmente impaciente, apertava as mãos sem parar, olhando sempre para a mesa enquanto eu tagarelava sobre coisas triviais. Terminei o primeiro copo e me servi de mais um. — Você não vai beber mesmo? Nossa tá tão calor… - falava com ele como se ele fosse meu amigo de anos e ele não se sentia nem um pouco confortável com isso. Suspirou profundamente e disse: — Eu não posso pagar. - quase não ouvi o que ele disse. — Que? - olhei tentando entender e ele repetiu de forma mais agressiva. — Não posso pagar! — Como assim? - eu sabia sobre o que ele estava falando, afinal a culpada por isso era euzinha. — EU NÃO TENHO DINHEIRO NEM PRA p***a DE UMA CERVEJA!!! - Ele praticamente gritou, chamando atenção de alguma pessoas próximas. Diminuindo o tom de voz ele seguiu. - Não sei o que aconteceu, mas meus cartões estão bloqueados. Tentei entrar em contato com o banco e me mandaram ir na agência, mas é feriado, só vou conseguir resolver isso na quarta. O pouco que eu tinha na carteira gastei com gasolina e um maço de cigarros. — Ah! Não esquenta com isso não! Eu pago! - Se você quer ferir o orgulho de um "macho alfa", pague sua conta. — Não, obrigado! - curto e grosso. — Bom, você é quem sabe! Essa cerveja está no ponto! — Letícia, o que exatamente estou fazendo aqui? - exasperado, ele passou as mãos pelos cabelos e me olhou aguardando qualquer reação minha. — Hum, estamos bebendo num sábado à noite? - disse em forma de sugestão. Ele bufou e levou as mãos à mesa novamente levantando os olhos pra mim. — Qual é? — Nossa, como você está estressado, eu hein?! — Ah não é possível! Você está tirando uma com a minha cara! - Ele estava muito irritado naquele momento. — Tá, tá, ok! - levantei as mãos em sinal de rendição. - Eu te chamei aqui para discutirmos a sua situação. E eu vou te falar uma coisa: tá bem complicada, viu?! - Eu realmente estava tirando uma com a cara dele. — Depois que você foi embora ontem eu cobrei uns favores e consegui apagar dos registros a imagem de você me agredindo das câmeras e me certifiquei que ninguém falaria nada para a diretoria ou para o RH. — Eu não te agredi! Foi um acidente. - Ele estava visivelmente contrariado. — Eu e você sabemos disso, mas pela gravação… Difícil saber, viu?! Além do mais, temos testemunhas e a sua fama te precede… sem considerar que seria a minha palavra contra a sua…- eu olhava fixamente para ele - Já imaginou como seria interessante se essas imagens vazassem? Quem contrataria alguém assim tão agressivo? Praticamente um perigo para a sociedade! - Sua expressão mudou totalmente de convencimento para apavorado. - É Rafinha, sua situação está muito complicada. — Você não faria isso! - Quase dava pra ver súplica em seu olhar, quase. — E porque não? Você sempre foi um babaca comigo! Tentei ser melhor que você, te defendendo, e o que eu ganhei? — Por favor, não faça isso. Preciso pagar meu aluguel e minhas contas, eu ajudo minha mãe, ela precisa de mim pra se manter também! Eu imploro pra você. Não faça isso. – Era até de sentir pena, mas não pra mim. Segurei em sua mão que estava sobre a mesa e a apertei. — Eu encontrei uma solução temporária para você. Avaliei as opções e vi que você tem férias em aberto, cerca de 20 dias. Falei com o RH e expliquei que você estava muito cansado depois desse último projeto e que me havia pedido pra tirar esses dias. Assim, suas férias começam na segunda. - seu semblante começou a se animar. - Você terá tempo para colocar a cabeça em ordem e voltar mais calmo. - Olhava pra ele de forma maternal, compreensiva. - Exigi muito de você esses últimos dias e está na cara que você não aguentou. - O famoso bate e assopra. - Tenho parte nessa sua reação exagerada de ontem. Minhas palavras fizeram o ânimo dele voltar um pouco. Já não estava mais com a cara de cachorrinho abandonado, pegou o copo de cerveja e deu um gole, pude ver o seu pomo de Adão subir e descer e isso me deixou um tanto quente. — Eu vou me esforçar pra melhorar. Você não vai se arrepender disso! - disse confiante. "Não vou mesmo" pensei. Ele matou o copo e fez menção a se levantar. — Onde você vai? - questionei. — Já estamos resolvidos, não? — Estamos? - a dúvida pairou pelos seus olhos e ele voltou a se sentar. — Ué, achei que sim. — Rafa, entende uma coisa: estou colocando meu emprego em risco por você. Te fazendo um favor e, meu bem… Isso não será de graça. — Certo, fico te devendo um favor - sua arrogância e petulância voltaram com força. — Ahhh, isso vai sair muito mais caro do que isso. - minha expressão era lasciva, o que fez o Rafael cheio de si voltar totalmente. — O que você quer em troca? - agora ele parecia um pavão, abrindo suas penas para as fêmeas. — Muitas coisas, mas a primeira é um cigarro. - falei e pisquei pra ele. Levantei e ele veio ao meu encalço. Eu havia planejado esse dia nos mínimos detalhes. Havia escolhido uma roupa para matar: um lindo vestido preto que parecia um corpete na parte de cima e seguia justo até pouco acima dos joelhos, junto a ele, uma sandália extremamente alta, também preta, trançada na frente. O salto fazia o seu papel, deixando minha b***a maior e as pernas mais firmes. Eu não sou magra, sou pequena, mas tenho curvas muito bem delineadas e a cintura fina. O conjunto da obra, modéstias à parte, estava deslumbrante. Fiz questão de andar rebolando mais que o normal, queria que ele visse, e ele viu. Quando saímos era visível a mudança na expressão corporal de Rafael, ele se fazia maior mantendo os ombros e a postura ereta, seu cabelo em uma desordem controlada, seu vigor havia voltado. Me ofereceu um cigarro e eu aceitei. Fumei olhando para a rua e para as outras pessoas, fazendo todos os movimentos que as mulheres fazem para encantar um homem, deliberadamente. Quando voltei meu olhar para Rafael o peguei olhando pra minha b***a, estreitei os olhos mantendo-os em seu rosto. Quando ele percebeu deu um sorrisinho de canto que deixava muito claro que havia gostado do que via. Um garçom passou por nós e pedi a ele 2 doses de tequila. Quando chegou, Rafael ficou desconcertado. — Estou dirigindo. - Negando sua dose. — Relaxa! Pegamos um Uber! E você me deve essa! - peguei o copo e levei ao ar, ele fez o mesmo. Sal. Tequila. Limão. Repetimos isso pelo menos umas 8 vezes, mas a partir da segunda rodada passei a jogar quase toda a dose fora, não podia ficar bêbada aquela noite. Rafael começou a ficar mais sociável e a colocar suas garras para fora. Em determinado momento ele já pegava em minha cintura e depois começou a colar mais e mais em meu corpo. Algumas doses depois nós nos beijamos e o clima ia esquentando. Pedi o Uber quando ele já estava fora de si e fomos pra minha casa.
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