BRUNO — Cara*lho — pego a folha recém-saída da impressora e pela décima vez a mesma é amassada e arremessada para a lixeira, sendo que nem dez por cento desses arremessos alcançaram o alvo pretendido. Ou seja, minha sala está uma zona de bolas de papéis espalhadas por todos os lados, assim como tem estado nos últimos dias. — Ainda tendo problemas no paraíso? — silenciosamente, andando de maneira cadenciada, Vitor mais uma vez invade minha sala sem pedir licença. Esse é o Vitor, o cara que se acha o dono do mundo, e se não fosse o pequeno abalo que o torna mais humano, ele certamente seria mais inatingível do que já é. — Não sei por que ainda pergunto — ele percebe o estado da minha sala quando a cada passo que dá na direção da cadeira, pisa numa bola de papel diferente. — Eu também não se

